Como fazer o desconfortável treinamento mental frio

Eu comecei recentemente a tomar duchas frias; um minuto, no fim do meu banho. Eu mencionei isso durante uma conversa com amigos há pouco; eles se perguntaram qual era o benefício de fazer isso. Tomar uma ducha fria é bem desconfortável. Por que alguém iria querer algo assim?

De acordo com pesquisas, duchas frias tem benefícios fisiológicos tais como uma melhora da circulação, recuperação muscular mais veloz e também é um estímulo para perda de peso. Além disso, elas também têm benefícios mentais, que é o que nos interessa aqui. Elas aumentam o estado de alerta, melhora a resistência emocional e reduz o estresse.

Um dos meus maiores benefícios mentais, no entanto, é observar a falação mental. Eu percebo minha mente dizendo coisas como: “é inverno, então não vamos tomar uma ducha fria hoje”. Ou “Estou com pressa hoje, então vamos esquecer a ducha fria”.

Foto: http://survival-mastery.com/

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Estas oportunidades são ótimas para desenvolver o estado da testemunha, a parte de nós que está separada da mente pensante. Podemos observar a mente reclamar antes de uma situação estressante. Damos um passo atrás, à posição da testemunha, e observamos a mente criar desculpas. E então, o fazemos de toda forma.

Mas não paramos aí; vamos dar um passo além. Por exemplo, antes de mudar a água quente para fria, eu checo minha mente. Eu observo a mente se fechando e meu corpo ficando tenso. Minha mente só quer acabar logo com isso. Esta abordagem não valoriza os benefícios mentais. Em vez disso, antes de agir- ligar a ducha fria- eu estabeleço uma intenção: eu escolho focar minha atenção na respiração, em relaxar e aproveitar o momento. Depois eu ligo a ducha fria. Eu sinto a água caindo em mim e aprecio o sentimento revigorante que ela me da. Me faz sentir vivo.

Foto: Sean McGrath | http://www.treehugger.com/

Foto: Sean McGrath | http://www.treehugger.com/

Fazemos o mesmo papel de testemunha da mente na escalada. Observamos a falação mental e as desculpas antes de começar uma via. Percebemos o desejo da mente de escapar o estresse e entramos na via mesmo assim. Estabelecemos uma intenção de como escolhemos focar a atenção: nos processos do Caminho do Guerreiro. Depois, nos comprometemos. Focamos na respiração, em relaxar e aproveitar o momento.

Aproveitar o estresse é uma parte importante do treinamento mental. Podemos ter sucesso em forçar a mente por situações estressantes, mas a mente irá se rebelar uma vez que estiver lá, distraindo nossa atenção. Mantemos nossa atenção no momento por meio de nosso desejo de estar no estresse. Fazer isto melhora nossa habilidade de lidar com o estresse. Algo que é estressante- duchas frias ou a escalada- acaba reduzindo nosso estresse.

Dica Prática: Tome duchas frias

Busque os benefícios mentais de tomar duchas frias. Comprometa-se com tomar uma ducha fria de um minuto, no fim do seu banho normal.

Então, observe a mente:

  • Perceba e identifique os pensamentos da mente antes de entrar na ducha.
  • Perceba e identifique os pensamentos da mente antes de mudar da água quente para a fria
  • Finalmente, comprometa-se com a ducha fria com uma intenção de sentir a experiência. Respire, relaxe e aproveite.
  • Quando terminar, você sentirá vigor em seu corpo e um estado de alerta maior na mente.

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O livro “The Rock Warrior Way – Mental Training for Climbing” está à venda traduzido para a língua portuguesa no Brasil em: http://www.companhiadaescalada.com.br/

Tradução do original em inglês: Gabriel Veloso

Arno Ilgner distinguiu-se como um escalador pioneiro nos anos 1970 e 80, quando as principais ascenções foram as primeiras fortes e perigosas. Essas façanhas pessoais são a base para Ilgner desenvolver o programa de treinamento físico e mental – Rock Warrior Way ®. Em 1995, após uma pesquisa aprofundada da literatura e prática de treinamento mental e as grandes tradições guerreiras, Ilgner formalizado seus métodos, fundou o Instituto Desiderata, e começou a ensinar seu programa de tempo integral. Desde então, ele tem ajudado centenas de estudantes aguçar a sua consciência, o foco de atenção, e entender seus desafios de atletismo (e de vida) dentro de uma filosofia coerente, baseada em aprendizado de tomada de risco inteligente. Ilgner considera a alegria e satisfação no esforço – a “viagem” – intimamente ligada à realização bem sucedida das metas.

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