Trekking com crianças: Quais os principais conselhos para introduzir filhos no esporte?

Aqui mesmo na Revista Blog de Escalada muitas vezes tocamos no assunto da importância da renovação da geração de praticantes de esportes de montanha. A título de exemplo, os Jogos Olímpicos da Juventude, realizados em Buenos Aires, tiveram a menor delegação brasileira da história do evento. Somente poderiam participar atletas entre 17 e 18 anos de idade que tivessem alcançado índice em competições classificadoras. Este tipo de dado, trocando em miúdos, significa dizer que o Brasil está fracassando em produzir jovens atletas, não importa a modalidade, que pratique esporte em alto nível.

Como explicado em reportagem especial realizada direto dos jogos olímpicos da juventude, esta deficiência passa pela baixa preocupação em investimento em educação básica no Brasil. No meio de uma campanha presidencial, mas que também tinha como objetivo escolher parlamentares, muito se discutiu temas que sequer eram pertinentes ao cargo de presidente. Como investir na educação básica, sem focar na solução simplista de construção de escolas, e introdução de várias modalidades esportivas jovens e adolescentes não foi sequer discutido. Não foi citado em debates, artigos na mídia e planos de governo.

Foto: https://www.fatherly.com/

Mas há ainda outro ponto importante: educação básica também inclui a família como elemento fundamental. Portanto, a Revista Blog de Escalada se comprometeu a fazer vários artigos sobre introdução de jovens em esportes outdoor. Quanto mais começarmos não somente introduzir crianças e adolescentes no esporte de montanha, seja com filhos, sobrinhos, enteados ou alunos, melhor para o crescimento de uma população de praticantes mais bem preparada e que, quem sabe, não sofra da síndrome de Dunning-Kruger como muito dos praticantes que temos hoje no país.

Introdução dos filhos

Foto: Hike it Baby | https://outdoorfamiliesonline.com/

Ter um filho é uma experiência única. Os meninos e meninas, quando novos, alegram nosso dia a dia com suas brincadeiras e sorrisos. Sua criatividade e inocência de enxergar as coisas, nos fazem melhorar como adultos, especialmente como reparamos como era bom ter esta idade. Portanto, é imprescindível que toda esta energia deva ser gasta em alguma atividade esportiva. Até para que os pais consigam dormir calmamente à noite.

Que melhor atividade que o trekking? Fazer as pequenas mentes conhecer um mundo inteiramente novo, respirar ar puro e, principalmente, entender que o mundo é muito mais do que telas de tablets ou televisões gigantes. Que melhor ensinamento possa existir do que abrir as portas das possibilidades que existem em uma atividade de natureza a uma criança. Apesar de muitas pessoas enxergarem crianças como pequenos humanos de cristal, que devem ficar confinados e protegidos de tudo, realizar um trekking, ou mesmo um hiking, pode fazer com que até mesmo os próprios pais ensinem a este pequeno indivíduo que o mundo é muito grande para ser pequeno.

Mesmo com os filhos considerados bem pequenos, é possível utilizar uma mochila ergonômica, conhecida como porta-bebês, para que consiga acostumá-lo a caminhadas ao ar livre, sentindo neste momento aromas que não existe em casas e apartamentos. Este período de caminhadas leves, tanto para os pais quanto para os bebês, é o ideal para que ele comece a acostumar a sair de casa.

Porém, já com um ano de idade (12 meses), os bebês já conseguem caminhar por si mesmos, alem de poder ser levados com relativa facilidade no braços. Caminhando com um bebê pequeno em um hiking sem muita dificuldade, desenvolvem mais liberdade de movimento e começam a praticar a sua inteligência espacial. Quase qualquer coisa é motivo de festa: pedras, terra, etc. Este, portanto, é o momento que convém aos pais estimular a sua curiosidade. Desta maneira irá permitir que ele descubra a natureza por si mesmo.

Com o passar do tempo, geralmente a partir dos três anos de idade, é notável a autonomia e independência do bebê. As crianças nesta etapa desenvolvem ainda mais curiosidade e capacidade de criar brincadeiras. Nesta etapa os pais poderão deixar grande parte do peso que carregava por ele em casa. isso porque já com três anos de idade, não há mais tanta necessidade de carregar tanto equipamento de auxílio no cuidado do bebê.

Porém, a presença dos pais é indispensável, pois o processo de descobrimento da natureza por parte do filho(a) deve ser feito sempre com segurança. Pode parecer demasiadamente romântico, mas tanto os pais, quanto os filhos, neste momento descobrirão detalhes no trekking, ou hiking, que irá criar laços afetivos ainda maiores.

Principais conselhos

Foto: Morgan Brechler | https://www.instagram.com/morganbrechler/

  • Ritmo

Os pais e adultos precisam entender que as crianças possuem seu próprio ritmo. Toda a fascinação pelo descobrimento pelo mundo novo apresentado, necessita ser processado. Este processamento faz parte do que entende-se de aprendizado. Por isso, cada detalha irá chamar mais, ou menos, atenção.

Portanto, é um bom conselho de que desfrute testemunhar a criança descobrir cada detalhe. Deixando o mais natural possível, sem forçar nem acelerar nenhum processo. Portanto, segurar os instintos de filmar excessivamente nem tirar tantas fotos, pode ajudar a que os momentos sejam mais valorizados por ambos.

Procure portanto, buscar lugares bastante divertidos para crianças, que possibilitem que todo um descobrimento aconteça. Lembrar de que é imprescindível que ele brinque com liberdade e que tenha a curiosidade estimulada ao máximo, é muito importante. A liberdade é que irá determinar o ritmo de aprendizado da criança.

  • Cuidados

Apesar de ter a necessidade de dar liberdade à criança, é importante planejar tudo com bastante cuidado. Portanto, não improvise! Procure leva-lo a um lugar de acordo com a sua idade. Portanto, tome alguns cuidados necessários, como sair de casa com o telefone celular totalmente carregado, gaste o mínimo com fotos e filmagens (porque descarrega o aparelho).

Procure consultar a previsão do tempo, quantidade de pessoas que visitam o trajeto escolhido, escolha as roupas adequadas para a atividade (esqueça moletons e jeans em casa!), leve um estojo de primeiros socorros, não esqueça de levar água para hidratação, etc. O segredo é ser atento, mas não ficar em pânico nem histérico por qualquer motivo. Isso além de estressar criança, irá também incomodar todos ao seu redor.

Foto: https://hikeitbaby.com

  • Responsabilidade

A partir dos três anos de idade, as crianças estão mais capacitadas a ter a sua própria mochilinha. Por isso, nas primeiras vezes que fizer a atividade, procure colocar pouco peso e, à medica que for ficando mais “experiente”, este volume de peso irá aumentando. Assim ele irá acostumar-se a manter um ritmo com uma mochila, ao mesmo tempo que aprende a controlar o centro de gravidade em subidas e decidas.

Com o passar do tempo, irá ficar mais independente. Portanto, procure deixa-lo a decidir algumas decisões simples. Esta atitude fará com que ele aprenda o valor das decisões corretas e erradas.

  • Modelo

Lembre-se de que você é o modelo inicial de seu filho. Tudo o que fizer, disser, pensar e realizar, servirá de modelo para a criança. Se jogar um lixo no chão, ou mesmo não recolher algo, estará ensinando algo errado (mesmo sem querer) a uma pessoa. Portanto, prepara-se para ser um exemplo perfeito no trekking para seu filho, pois seu comportamento é o que fará com que ele aprenda algo de bom (ou ruim).

Por isso, é muito importante que os pais, desde o início, ensinem a seus filhos nestas atividades a respeitar a natureza e as pessoas.

  • Histórias

Quando visualizar um caminho, ou mesmo uma via de escalada, procure pensar menos como um adulto e mais como uma criança. Uma das chaves para uma boa atividade de trekking, ou hiking, com seu filho(a) é agregar ingredientes “misticos” no caminho. Poder agregar histórias reais, ou mesmo fantasiosas, pode ser agradável para a criança.

Além de conhecer um caminho novo, irá também ter todo um imaginário mágico criado em sua cabeça. Claro que não “viaje” na suas histórias, apenas procure dar um tempero, sem inventar muito. Porque mais tarde, uma história fantasiosa demais descoberta como mentira, pode fazer com que desinteresse pela atividade.

There are 2 comments

  1. Ubiratã Jr

    De fato , pertinente a grande realidade em que vivemos .Eu em minha atuaçao profissional levo os meus alunos a vivenciarem no ambito praticoteorico
    Tais atividades ( chamo de um modolo bimestral esporte radicai e aventura.
    E o mínimo que nos profissionais de ed. Física devemos fazer
    . esta materia por exemplos sera trabalhada em sala de aula para uma reflexao , quais os papeis do governo , quais os nossos e dos pais e midias afins ..
    Desde ja parabens ao blogdescalada pela as materias..

Comente agora direto conosco

Comment moderation is enabled. Your comment may take some time to appear.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.