Quais são os mitos de nutrição que praticantes de trekking não deveriam acreditar

O que é um mito? O termo “mito” é utilizado de forma pejorativa para se referir às crenças comuns e vistas apenas como histórias de um universo puramente maravilhoso. Portanto, alguns conceitos não verdadeiros acabam sendo absorvidos como verdade, especialmente por quem é leigo no assunto. Uma espécie de concretização da prática que “uma mentira contada mil vezes, acaba tornando-se verdade”.

Praticamente toda prática esportiva possui um conjunto de mitos e lendas que muitas pessoas acreditam de maneira dogmática. Dentre os praticantes de trekking, a alimentação é talvez a disciplina que mais contém ideias e argumentações que aparentam verossimilhança, mas que comete involuntariamente incorreções lógicas.

Como cada pessoa é responsável por preparar os próprios alimentos de trilha, é fundamental para a própria saúde dela buscar bons conselhos sobre nutrição e entender porque alguns mitos, aceitos como verdade, não fazem sentido. Os melhores conselhos sobre nutrição devem ser obtidos por uma nutricionista. Com base em estudos científicos, o profissional de nutrição é quem pode indicar as melhores maneiras de se alimentar corretamente em uma trilha.

Após consultar vários profissionais, os quais cada um segue uma linha diferente dentro da nutrição, conseguimos reunir alguns conselhos para os praticantes de trekking.

Carboidratos simples

Claro que dietas sem carboidratos ou cetogênica podem ajudam a perder peso temporariamente, mas o corpo precisa dos três macronutrientes (carboidratos, proteínas e gorduras) para funcionar com eficiência. Os carboidratos são o melhor combustível para os músculos e fornecem uma fonte de energia pronta para uso. O desempenho na trilha pode deixar de desejar caso não haja carboidratos suficientes armazenados nos músculos e fígado.

Entretanto, é necessário entender que existem quatro tipos de carboidratos: simples, refinados, não refinados e complexos.

Portanto, antes de fazer um trekking, evite, ou diminua, a ingestão de carboidratos complexos refinados. São eles: pães e massas e açúcar. Consuma regularmente carboidratos complexos não refinados, como arroz integral, batata-doce, legumes, nozes e sementes.

Mas se precisar de energia rápida, consuma quantidades limitadas de carboidratos simples não refinados, como mel ou melaço. Carboidratos simples não refinados reabastecem os estoques de glicogênio nos músculos após o exercício, mas não causam picos de açúcar no sangue.

Isso quer dizer que posso consumir todo tipo de carboidrato? Não, o que quis dizer é que cada pessoa deve escolher o tipo de carboidrato a ser consumido antes, durante e depois da trilha. Conversa com um profissional da nutrição e ele irá estabelecer as quantidades e horários.

Dietas de detox

A dieta detox baseia-se no consumo de frutas, hortaliças, água, sucos e chás, misturas de sucos e chás. Pelo menos em teoria, com uma alimentação balanceada e saudável, seu corpo desintoxica por si só, e remédios à base de plantas costumam fazer mais mal do que bem à saúde. Existem diversos tipos de dietas detox, sendo que a maioria propõe redução da quantidade de calorias consumidas e algumas outras alguns dias com uma dieta a base de líquidos.

Entretanto, alguns desses regimes são muito extremos, fazendo com que o indivíduo consuma pouquíssimas calorias ou fique dias à base de líquidos. Dietas exageradas podem ter o efeito contrário do que o detox propõe. Além disso, a eficácia de qualquer dieta detox é questionada por alguns profissionais da saúde.

A quantidade de calorias de uma dieta detox é extremamente baixa, ficando muito abaixo da necessidade energéticas de um indivíduo adulto. Portanto, apostar em realizar um trekking durante este período de dieta detox, poderá passar mal com episódios de mal-estar, fraqueza, tonturas, dores de cabeça, indisposição ou até mesmo desmaio. O praticante de trekking irá passar mal por causa da reduzida quantidade consumida de carboidratos.

Isso quer dizer que não deva fazer uma dieta detox? Não, o que quis dizer é que verifique o que irá realizar antes, durante e depois que iniciar uma dieta detox. Não vá sem estar alimentado adequadamente em uma atividade de trekking.

Bebidas energéticas

Close-up of a man’s hands opening a soft drink can

Se você tem o costume de consumir bebidas energéticas, procure repensar este hábito. As evidências científicas apontam que bebidas energéticas não são saudáveis ​​e, às vezes, perigosas. Muitos dos prejuízos associados às bebidas energéticas têm a ver com sua alta quantidade de cafeína, uma substância estimulante. Existe um limite estabelecido para seu consumo, e a ingestão de uma latinha já pode ultrapassá-lo.

As bebidas energéticas como Monster e Red Bull, apenas para citar duas, estão ligadas a problemas cardíacos, nervosos e estomacais, dizem os pesquisadores da McGovern Medical School, no Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas, nos EUA.”Esportes exigem fluxo sanguíneo máximo para que o oxigênio possa chegar rapidamente às células” afirmou John Higgins que é professor de medicina na McGovern Medical School. “As bebidas energéticas que reduzem o diâmetro dos vasos, na verdade, restringem o fluxo sanguíneo e o fornecimento de oxigênio”, explicou Higgins .

O estudo incluiu 44 estudantes de medicina saudáveis ​​e não fumantes, na faixa etária dos 20 anos. Os pesquisadores testaram o efeito de uma bebida energética uma lata comum nas células que revestem os vasos sanguíneos, chamadas células endoteliais. Após 90 minutos, o diâmetro interno dos vasos sanguíneos testados era drasticamente menor, em média, do que antes, segundo os pesquisadores. Esse efeito negativo nos vasos sanguíneos pode estar relacionado aos ingredientes da bebida energética: cafeína, taurina, açúcar e outras ervas. O artigo cientifico foi publicado na MedScape e na Science Daily em novembro de 2018.

Em um outro estudo, este publicado em maio de 2019, no Journal of American Heart Association descobriu que as bebidas energéticas com cafeína alteravam a atividade elétrica do coração e aumentavam a pressão sanguínea. Mas especialistas em saúde como a Organização Mundial da Saúde dizem que “podem representar perigo para a saúde pública”.

Grandes quantidades de cafeína, no entanto, podem afetar não apenas seu corpo, mas também seu cérebro.

Comida orgânica

A alimentação orgânica está na moda e isso é inegável. Porém, este tipo de alimentação também esconde um lado não tão glamoroso. A agricultura orgânica demanda a utilização de mais terras por causa de seu baixo rendimento em relação à convencional, o que levaria à degradação de outros ecossistemas como as florestas nas zonas tropicais em uma eventual expansão dos agricultores orgânicos.

Mas qual o problema disso: Quando se aborda o assunto do efeito estufa, a primeira imagem que vem à mente é a de uma megalópole superpovoada, congestionamento a perder de vista e grandes chaminés de uma indústria. Sim esta imagem está certa. Entretanto, a produção agrícola também tem seu papel nas emissões.

Uma pesquisa publicada na Nature em 2012 concluía que a produção de agricultura orgânica produz entre 5% e 34% menos que a convencional. Para satisfazer as necessidades da crescente população, é necessário maior área de cultivo. Além disso, há um outro detalhe: “o rótulo orgânico só diz que os que se utilizou é natural, mas não que seja melhor nem pior”.

A afirmação é do doutor em Bioquímica e Biologia Molecular pela Universidad de Valencia José Miguel Mulet, e que já escreveu dois livros sobre o assunto. A uma entrevista ao jornal espanhol El País, Mulet ainda completa que um produto orgânico “só faz referência ao fato de ter sido produzido de acordo com as normas, mas nada sobre o impacto ecológico, como o rastro de carbono (o montante de CO2 emitido em todas as fases de criação de um produto)”.

Isso quer dizer que comida orgânica é ruim? Não, o que quis dizer é existe a necessidade de saber como é a produção de todo alimento orgânico que estou consumido. Existem alimentos orgânicos “do bem”, mas também “do mal”. Fique atento se está sendo enganado somente porque tem escrito no rótulo “orgânico”.

There is one comment

  1. ijulosen

    Dietas detox podem não fornecer a quantidade de nutrientes adequadas em X período de tempo, porém é valido lembrar que quanto menos reserva de glicose temos no fígado mais nosso corpo tem tempo para purificar-se. Vulga a eficácia de jejuns, seja ele feito com ingestão de sucos, água ou completa abstinência.
    Com certeza treinar sem ingestão de liquido é danoso.

    Sobre alimentos orgânicos. Sim, eles produzem menos QUILOS de alimentos do que uma lavoura cheia de pesticidas etc. que vão diretamente pra natureza. Apoiar o movimento orgânico é estar a favor da redução de impacto. Não há discussão sobre isso. E sim, monoculturas de orgânicos são melhores que monoculturas de agrotóxicos e afins. Temos muito solo na Terra pra cultivar e mesmo com eficiência ~20% menor do que culturas de venenos, ainda assim conseguiríamos alimentar o planeta…
    Vegetarianismo entra na questão, já que produção de carne é ridiculamente danosa e cara comparando-a vegetais.

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