Pesquisa avalia se o consumo de maconha afeta o treinamento físico

O consumo de maconha é ilegal no Brasil e em boa parte de toda a América do Sul. O consumo desta droga também é ilegal em diversos países da Europa e Ásia. Este é um fato que não é possível contornar. Portanto, este artigo, que relata pesquisas científicas a respeito do consumo de maconha e a prática de exercícios, não é um incentivo a ninguém desobedecer a lei vigente onde quer que esteja. No dia de hoje a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) votará propostas preliminares sobre o cultivo de maconha no Brasil.

Serão discutidas na Anvisa a liberação do cultivo da Cannabis sativa para fins medicinais e científicos. Mesmo assim, a liberação para estes fins precisará passar por consulta pública. Incluindo uma audiência pública para debater o tema, ainda sem data marcada. Pacientes que sofrem de diversas doenças podem ser beneficiados com a mudança nas regras, entre eles os que têm esclerose múltipla, autismo e dores crônicas oncológicas. Para quem usa a droga como efeito recreativo, deve esperar um pouco mais o debate sobre o consumo. As propostas a serem avaliadas nesta terça não preveem a liberação do cultivo, nem do consumo de maconha, para fins recreativos.

Foto: http://herb.co

Diferentemente do Brasil, alguns países já liberaram a droga para uso recreativo. Por ser um dos países mais ricos do mundo, os EUA, que já possui 10 estados que já liberaram a substância, o consumo de Cannabis sativa e seus efeitos já estão sendo estudados por cientistas. Um destes estudos fez uma avaliação dos efeitos da droga em atletas e pessoas que praticam esporte regularmente. O objetivo deste recente estudo é entender qual o impacto no rendimento físico de um atleta, seja ele positivo ou negativo, e qual a dosagem mínima e máxima.

Na Revista Blog de Escalada, já foi publicado os resultados de uma pesquisa feita diretamente com montanhistas, em especial com escaladores, sobre o consumo da droga. A pesquisa manteve os nomes em segredo. Grande parte das pessoas que responderam positivamente sobre o uso da substância, complementaram dizendo que foi usada como “ferramenta de recuperação”. Todos concordaram que por conta da ação ergolítica, ou seja, pode acabar comprometendo o desempenho físico, não era usada durante o ato de escalar.

Da mesma maneira que consumir bebida alcoólicas durante uma escalada, ou mesmo para conduzir o carro, a maconha produziria o mesmo efeito e causaria acidentes. Parte dos escaladores que responderam a esta pergunta afirmaram que a Cannabis sativa melhorava seu sono e a recuperação após um dia de escalada, reduzia a ansiedade e ajudava a esquecer de fatos negativos, como quedas ruins e assim por diante.

Nova pesquisa

Uma nova pesquisa conduzida pela Universidade do Colorado, em Boulder, procurou fazer conexão existente entre a maconha e o exercício, para entender se a substância ajudava, ou atrapalhava, o rendimento de pessoas que praticavam exercícios regularmente. No estudo, constatou-se que 82% dos consumidores de maconha, no estado do Colorado e nos estados os quais o consumo de maconha é legal, a usam dentro de uma hora antes ou quatro horas depois do treino.

A pesquisa apurou que 8 dos 10 usuários de maconha em estados norte-americanos onde a Cannabis sativa é legalizada, dizem que usam a da droga pouco antes (aproximadamente uma hora) ou depois do exercício (aproximadamente quatro horas), e a maioria relata que isso os “motiva a treinar”, ajudando-os a aproveitar mais do exercício e melhorando a recuperação. O documento completo foi revista Frontiers in Public Health, está entre os primeiros a explorar a complicada interseção entre o uso de Cannabis sativa e a atividade física.

Na pesquisa, descobriu-se que pessoas que combinavam maconha com exercícios, eram mais propensos a usá-la depois do que antes. Entretanto, 67% disseram que já fizeram as duas coisas. Entre aqueles que utilizam esporadicamente, 70% disseram que aumentaram o prazer do exercício, 78% disseram que impulsionaram a recuperação e 52% disseram que aumentaram a motivação.

Apenas 38% disseram que aumentaram o desempenho. Participaram do estudo, 630 pessoas (dos quais 281 eram mulheres) com idade média de 37,5 anos. O levantamento sugeriu que os participantes que combinavam Cannabis sativa com exercícios eram mais jovens, mais propensos a serem do sexo masculino e com menor IMC do que aqueles que não usavam Cannabis sativa com exercícios.

Para ler o estudo completo: https://www.frontiersin.org

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