O que é e como são feitos os resgates em áreas remotas

Nos últimos anos, vem aumentando significativamente o número de pessoas que frequentam regiões remotas, de difícil acesso, localizadas nas montanhas, matas, florestas, rios, cavernas e outras semelhantes.

Estas pessoas estão cada vez mais usufruindo destas áreas ao ar livre (outdoor). Seja para simplesmente descansar, realizar pesquisas acadêmicas, ou para realizarem atividades de turismo ou esportes de aventura.

Com isto, cresceu bastante também o número de ocorrências de acidentes que acontecem nestes locais.

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Foto: Sergio Netto

Entretanto, para resgatar aqueles que se acidentam, ou se perdem, nestas regiões de difícil acesso, é necessário dispor de equipes de busca e salvamento bem treinadas, e com conhecimentos específicos. Que são indispensáveis em salvamentos nestes ambientes naturais, nos quais as condições para o resgate são adversas e hostis.

Não que se deva encarar os elementos naturais com uma espécie de rivalidade. Numa postura desafiadora contra as intempéries e obstáculos encontrados nestas áreas. A natureza está ali, seguindo seu ciclo e, no máximo será indiferente à presença humana.

Talvez essa indiferença, por assim dizer, seja o traço mais assustador da mãe natureza.

Esteja a pessoa em desespero, ferida ou transbordando de entusiasmo, a natureza estará ali, impassível, indiferente a estas emoções. A tempestade não se afastará, e a temperatura não deixará de continuar baixando, diante do grito agonizante de uma vítima.

Por isso, é absolutamente indispensável que os integrantes de equipes de busca e salvamento em áreas remotas, estejam capacitados a negociar com os elementos naturais. Não para lutar contra a natureza, mas sim para se integrar a ela, tendo a resiliência necessária para se adaptar a esse contexto.

Uma equipe de socorristas acostumados a resgates na região urbana, provavelmente terá bastante dificuldades se tiverem de realizar um salvamento na mata, floresta, caverna, ou montanha.

Os conhecimentos de APH (atendimento pré-hospitalar), ou mesmo mais básicos de primeiros socorros, terão pouca utilidade se os integrantes da equipe não tiverem experiência em ambientes naturais.

De nada adiantará fazer a contenção de uma hemorragia, e uma imobilização padrão da vítima, se os membros da equipe de busca e salvamento não tem habilidades em montanha, e retardem, ou mesmo impossibilitem, a progressão da equipe para a extricação da vítima.

Carregar uma maca montanha abaixo, ou mata adentro (mesmo que seja uma maca especial, como as do fabricante BONIER, da linha Mamute), não é tarefa fácil. A jornada será extenuante física e mentalmente, e desafiadora para os menos experientes.

Um resgate em altura (vertical) em uma estrutura existente na cidade (como um prédio de vários andares), será bastante diferente daquele realizado numa aresta montanhosa. A começar pela constatação de que, geralmente, será inviável levar para a montanha toda a quantidade de equipamentos e ferragens que são utilizadas para um resgate em altura em estruturas urbanas.

Literalmente, o resgatista de montanha terá que fazer mais com menos. Terá que atuar dentro dos padrões de segurança, mesmo sem dispor de todo o equipamento que seria o ideal, se comparado com um resgate urbano.

Grupos Resgatistas

Algumas unidades do Corpo de Bombeiros Militares de alguns estados, possuem pessoal qualificado para a realização de resgates em áreas de difícil acesso.

Como é o caso do Grupo de Operações de Socorro Tático do Paraná (GOST), e a Força Tarefa dos Bombeiros Militares de Santa Catarina (FT).

Também alguns grupamentos policiais estão habilitados para essas missões, como é o caso do Comandos de Operações Especiais (COE) da Polícia Militar de São Paulo.

Foto: Sergio Netto

Foto: Sergio Netto

Entretanto, nem todos os estados da federação dispõem de equipes especialmente treinadas para esta finalidade. E mesmo que existam, estas equipes costumam ser pequenas, e não conseguem atender a todas as ocorrências para as quais são acionadas, em diferentes localidades.

Não por outra razão, o próprio Ministério do Turismo, vem incentivando a criação dos denominados Grupos de Voluntários de Busca e Salvamento (GVBS). Tendo elaborado, inclusive, um importante manual que orienta como se montar e manter o grupo com estas características.

O manual pode ser visualizado em: http://www.turismo.gov.br

Podem ser mencionados, como exemplos de GVBS que seguem este modelo, na região sul, os seguintes grupos:

  • Corpo de Socorro em Montanha (COSMO/PR)
  • Grupo de Resgate GERAR/SC
  • Grupo de Resgate em Montanha (GRM/SC)

O Grupo de Resgate em Montanha (GRM), sediado em Joinville/SC, equipe da qual sou membro-fundador, vem realizando um importante trabalho na região, já tendo sido acionado para inúmeras operações de busca e salvamento terrestre.

Áreas Remotas

Mas, afinal, o que se deve entender por áreas remotas?

Não existe uma definição específica, e alguns cenários até dispensam maiores considerações. Por exemplo, a região de floresta, ou de montanha, inquestionavelmente são consideradas áreas remotas.

Pois, dentro de um senso comum daquilo que significa esta expressão, estas regiões estão distantes dos centros urbanos, ou afastadas de locais habitados, e possuem acesso difícil.

Mas existem outras situações que também podem ser alcançadas por este conceito, e também serem consideradas áreas remotas. Muito embora não estejam distantes da civilização.

Foto: Sergio Netto

Foto: Sergio Netto

Recentemente, no dia 14/03/2015, o Grupo de Resgate em Montanha de Joinville (GRM), foi acionado para prestar apoio a uma missão de resgate.

Que envolveu a queda de um ônibus por uma encosta do trecho de uma rodovia estadual, localizada na chamada Serra Dona Francisca, em Joinville-SC.

Mesmo tendo o acidente ocorrido nas proximidades da cidade, este ônibus despencou da serra, numa encosta montanhosa coberta por densa vegetação. Lamentavelmente, 51 pessoas perderam a vida neste acidente.

Foi o maior acidente automobilístico da história de Santa Catarina (em número de vítimas).

Ou seja, o conceito de área remota, para fins de operações de busca e salvamento, pode variar, dependendo de vários fatores.

O resgate de um escalador ferido, na Pedra da Gávea, ou no Morro do Pão de Açúcar, ambos na cidade do Rio de Janeiro, inquestionavelmente seria um resgate em área remota.

Noutras palavras, se a missão tiver que ser realizada em local de mata/floresta ou montanha, em local de difícil acesso, o resgate, conceitualmente, será realizado em área remota, independente de estar ou não nas proximidades da civilização.

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