Nanospinning: O que é o processo que fabricou o revolucionário “Futurelight”

Publicado em primeira mão pela Revista Blog de Escalada em janeiro deste ano, a tecnologia de tecidos técnicos Futurelight, desenvolvida pela empresa norte-americana The North Face, vem sendo considerada revolucionária e, segundo afirmam vários especialistas, tornará o Gore-Tex obsoleto. Quando anunciada na Consumer Electronics Show em Las Vegas, EUA, a nova tecnologia estava apenas sendo exibida em uma barraca futurística e em algumas peças de exibição. Neste mês de outubro a empresa está lançando jaquetas de várias de suas linhas com o Futurelight.

A The North Face começará lançando 22 produtos com Futurelight ainda em 2019 e mais uma dúzia em 2020. O conceito da nova tecnologia é uma resposta às expectativas específicas dos atletas da empresa em relação ao aumento da respirabilidade e conforto do uso de roupas impermeáveis. Procurando a solução certa, a marca decidiu redefinir os padrões dessa categoria de produtos, antes vistos como desconfortáveis, pesados ​​e rígidos.

Futurelight

Futurelight

O objetivo deste projeto de longo prazo (foram necessários três anos de pesquisa e testes extensivos em laboratórios) que criou o Futurelight era elaborar um material inovador que não fosse apenas macio, leve, flexível e confortável, mas também durável e projetado de acordo com os princípios do desenvolvimento sustentável.

O material foi desenvolvido graças a um processo de nanotecnologia chamado nanospinning. A nanotecnologia se dedica ao estudo da manipulação da matéria numa escala atômica e molecular, manipulando estruturas entre 1 e 1.000 nanômetros. A título de comparação, em 1 metro há 1 bilhão de nanômetros e uma folha de jornal tem cerca de 100.000 nanômetros de espessura.

Um dos princípios básicos da nanotecnologia é a construção de estruturas e novos materiais a partir dos átomos. O que o método desenvolvido pela The North Face faz é produzir nanofibras, que são fios de um material com apenas algumas centenas de nanômetros de diâmetro. Estas nanofibras são usadas para fazer tecidos tão finos que permitem apenas a passagem de partículas em nanoescala, possibilitando filtrar a água e liberar os vapores.

Nanospinning

Futurelight

Futurelight

O Futurelight é o resultado real e concreto de nanotecnologia em um processo que a The North Face chama de nanospinning. O processo utiliza uma solução de poliuretano e através de um processo de extrusão em nanoescala que transforma essa solução em fibras e membranas através de um outro processo de cura e separação. Em termos gerais, a estrutura criada pelo processo de nanospinning na produção do Futurelight fez com que a membrana atingisse um nível alto de respirabilidade, pela primeira vez na história de tecidos para o universo outdoor.

No tecido, centenas de milhares de orifícios foram criados no nível de nanoescala, que permitem uma porosidade sem precedentes do material, mantendo uma resistência total à água. Mesmo com a resistência total à água, o ar pode fluir livremente, proporcionando mais ventilação do que qualquer outra peça de indumentária outdoor já criada.

A nanospinning também deu aos projetistas da marca norte-americana The North Face a capacidade de controlar peso, alongamento, respirabilidade, durabilidade, desempenho e textura durante o processo de fabricação. Este nível de detalhe permitiu que o material seja adaptado à sua aplicação específica como, por exemplo, tipo de atividade, requisitos do consumidor e condições climáticas.

Futurelight

Futurelight

Dessa maneira, a marca consegue no mesmo tecido aumentar a respirabilidade das roupas para treinamento aeróbico ou aumentando a proteção em condições climáticas adversas e úmidas. A capacidade de ajustar esses parâmetros durante o processo de produção ultrapassa os limites da inovação na categoria de roupas, equipamentos e acessórios. A capacidade da membrana de ficar tão fina e leve quanto três gramas por metro quadrado (a média geralmente é de 20 gramas) permite que a empresa aumente a durabilidade do tecido.

Para convencer o público de que realmente é impermeável, a The North Face procurou o Underwriter Labs, uma agência de pesquisa independente com 120 anos de história, a qual faz a certificações de produtos e sua segurança, para testar o Futurelight. O laboratório certificou o Futurelight como totalmente impermeável, usando um teste que excedeu os padrões dos bombeiros ao despejar 235 litros de água por hora na peça.

Além da resistência comprovada pelo Underwriter Labs, o material também apresentou o mais alto nível de fluxo de ar e a maior taxa de transmissão de vapor de umidade de qualquer tecido à prova d’água já testado. Isso significa que, embora impermeável, a The North Face também resolveu o problema da respirabilidade.

Investimento na sustentabilidade

Com a introdução do Futurelight, a The North Face também estabeleceu um novo padrão na indústria de equipamentos outdoor no campo do desenvolvimento sustentável no processo e de produção de materiais.

As inovações implementadas permitirão à marca produzir roupas de três camadas, cujas duas camadas externas são feitas de 90% de materiais reciclados.

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