Montanhista húngaro faz ascensão “do mar ao cume” no Mont Blanc em 7 dias

Embora praticado por poucas pessoas, a ascensão “do mar ao cume” (Sea to Summit) é uma opção interessante para quem deseja desafiar a si mesmo. Que o diga o montanhista húngaro Gábor Rakonczay, que chegou ao cume do Mont Blanc (4.808 m) saindo do nível do mar em Gênova, Itália. Todo “ataque ao cume” percorrendo 363 km em sete dias.

Além do terreno, o húngaro enfrentou temperaturas que variaram de 40 °C ao nível do mar até abaixo de zero nos Alpes. Rakonczay não facilitou o desafio, pois em um dia muito quente, o primeiro, correu 96 km durante quase 11 horas. No terceiro dia, subiu a trilha que os ciclistas do Tour de France fariam no dia seguinte.

Foto: Gábor Rakonczay

Gábor Rakonczay chegou à base do Mont Blanc no quarto dia de “ataque ao cume”. Resistindo a tempestades de raios, chuva torrencial e neve na altura do joelho, finalmente chegou ao topo após 7 dias.

Ao todo, o atleta húngaro queimou mais de 10.000 calorias por dia e bebeu seis litros de água, três litros de refrigerante, três bebidas energéticas e duas bebidas isotônicas diárias. Além de suas refeições, comia várias bananas, biscoitos, fatias de pão de frutas e pão.

Foto: Gábor Rakonczay

A título de curiosidade, uma pessoa sedentária possui um gasto médio 2.500 calorias por dia.

Rakonczay tem relativamente pouca experiência de escalada, mas admitiu a veículos de imprensa europeus que seu segundo dia foi mais difícil do que qualquer dia na montanha. O calor e o tráfego de automóveis tornaram os 105 km particularmente difíceis.

Desafio “do mar ao cume” virou nome de marca na Austrália

O nome Sea to Summit virou marca de equipamentos outdoor na Austrália. Os motivos que fizeram a empresa adotar o nome esconde também uma interessante história, que começou em 1984. Na época, o co-fundador da marca Tim Macartney-Snape escalou o Monte Everest (8.848 m) sem oxigênio suplementar. Um feito que menos de 200 montanhistas já conseguiu (e atualmente chancela o mérito esportivo de ascensões no Himalaia).

Pouco depois da façanha, seu amigo e desenhista Michael Dillon não ficou impressionado. O amigo afirmou que “já que a montanha é medida a partir do nível do mar, para escalá-la corretamente, você precisa subir a partir do nível do mar”. Ambos estavam em um pub na Austrália uma noite após seu retorno de sua primeira ascensão do Everest. De fato, O Campo Base do Everest no Nepal fica a 5.364 metros de altura acima do nível do mar, Como o Monte Everest tem 8.848 metros acima do nível do mar, Tim “somente” subiu 3.484 metros.

Seis anos depois, Tim Macartney-Snape retornou ao Everest para subi-la, mas a maneira que seu amigo o desafiou. A ascensão começou com um mergulho na Baía de Bengala, na Índia, percorreria mais de 1.100 quilômetros através da planície Indo-Gangética, pelos contrafortes do Himalaia e subiria cada um dos 8.848 metros do Everest. A aventura começou em 5 de fevereiro de 1990.

Depois de caminhar 804 km por quatro semanas, chegou à fronteira da Índia com o Nepal. Mas a passagem da fronteira em que ele chegou foi fechada. Para chegar ao campo base, ele fez o impensável: ele correu quase 320 km ao longo de cinco dias para chegar ao próximo posto de fronteira. Ele chegou ao Acampamento Base do Everest no início de abril e teve de esperar de quatro a cinco semanas de aclimatação antes de fazer um esforço para o Cume.

O plano original era subir pela face oeste. O tempo não ajudou e o montanhista teve de abortar essa opção tendo de realizar a rota mais popular do Everest

Às 9:45 da manhã de 11 de maio de 1990, ele chegou ao topo.

Ao longo da jornada, ele usou equipamentos artesanais feitos na Austrália por seu amigo e parceiro de escalada, Roland Tyson. Aproveitando a notabilidade que ganhou de sua expedição, Tim e Roland Tyson decidiram abrir uma empresa chamada Sea to Summit. A marca, que atua no Brasil e seu nome homenageia a primeira e única subida do Monte Everest em sua totalidade.

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