Vamos falar de menstruação em ambiente outdoor? Guia básico com alternativas para mulheres que estão “naqueles dias”

Cada vez mais as mulheres tem conquistado seu espaço no mundo. E por que não almejar os topos do mundo também? O público feminino tem crescido em diversos esportes, entre eles o montanhismo, e seja por questões culturais ou fisiológicas, acabamos por lidar com particularidades no desempenho dessa atividade.

Você agendou aquela travessia dos sonhos com os seus amigos e se deu conta de que justamente naquela data vai estar em seu período menstrual? Ou então nem estava previsto o início do ciclo, mas por questões psicológicas ou emocionais, ele acabou vindo de maneira antecipada? E agora?

Será mesmo necessário cancelar a tão esperada trip ou então ter que passar por desconfortos pontuais para não perder a experiência? E se eu disser que nenhum nem outro?

Foto: Guilherme Buzzo

A seguir discorreremos acerca do período menstrual e sobre quais alternativas podemos recorrer para driblar os possíveis incômodos dessa condição biológica feminina.

Se assim como eu, você também gosta de ter fácil acesso aos itens usados com maior frequência, sugiro colocar os dispositivos utilizados dentro de uma necessaire ou num saco estanque (encontrado em lojas do segmento outdoor e que além do armazenamento, oferecem também proteção contra a água), devem ser guardados preferencialmente em partes da mochila como o seu topo (bolso superior) ou nos compartimentos frontais e laterais. Lembrando que se faz importantíssimo manter a higiene das mãos no manuseio desses itens para não haver o risco de nenhuma infecção, portanto também deixe separado lenços umedecidos e álcool em gel.

Feito tudo isso, vamos às opções!

“Você já ouvir falar do…”

Coletor menstrual (também conhecido como “copinho” menstrual)

Foto: Getty Images

Ainda pouco conhecido entre as mulheres, é uma excelente opção para ser usado inclusive no dia a dia na cidade.

Trata-se de um dispositivo de silicone (hipoalergênico) que, por ser de material e estrutura maleáveis, é inserido no interior da vagina ficando preso através de suas paredes. Como um cálice fica encarregado de receber e armazenar o sangue menstrual. O conteúdo do coletor deve ser descartado, em média, a cada 8 horas. Se usado durante as viagens, o sangue também pode ser depositado na terra. Entretanto, para isso, é necessário cavar um buraco com cerca de 30 centímetros, depositá-lo e depois enterrar. O motivo é para que não se afete a fauna e flora da região onde estiver. O sangue também pode ser despejado em algum recipiente, como uma garrafa envelopada com silver tape ou alguma fita adesiva similar, caso julgue necessário.

Essa é uma opção que além de econômica também agrega, e muito ao meio ambiente, uma vez que o dispositivo é reutilizável e tem durabilidade de até 5 anos. Dessa maneira, produz menor impacto ambiental, reduzindo a produção de resíduos gerados durante o ciclo. O coletor menstrual custa em média R$ 90,00 a unidade e pode ser encontrado em farmácias e em empresas do segmento farmacêutico.

Vale observar que o uso do coletor menstrual exige uma fase de adaptação. Portanto, se pretende usar em alguma de suas próximas viagens, use o coletor no ciclo anterior para adquirir prática.

“Já uso o absorvente interno há tempos… também é indicado?”

Absorvente interno

Foto: Getty Images

O absorvente interno é uma opção já bastante conhecida e utilizada. Sua colocação é similar ao do coletor menstrual citado acima. As posições mais confortáveis para colocá-lo são de cócoras ou de pé (com uma das pernas flexionada).

Deve-se então puxar o fio de segurança, mantendo-o por entre os dedos e inserir lentamente o absorvente dentro da vagina. De formato cilíndrico, sua presença não deve ser sentida. Caso haja qualquer incômodo, é sinal de que a colocação não foi bem executada.

Após colocado, o fio deve permanecer para o lado de fora da vagina, o que possibilitará a posterior retirada do absorvente, que deve ser trocado em media a cada quatro horas. É importante ressaltar que seu uso prolongado pode causar alteração da flora vaginal, uma vez que o sangue parado muito tempo na região pode contribuir para a proliferação de bactérias.

O absorvente interno é vendido em farmácias e possui diversos tipos e tamanhos. O critério para escolha ideal se dá principalmente pela intensidade do fluxo menstrual.

Essa alternativa pode ser usada por pessoas que possuem o DIU (dispositivo contraceptivo inserido no útero) e na maioria dos casos também por mulheres virgens. Isso porque a colocação se dá em regiões diferentes, tanto do útero quando da película que forma o hímen. Importante observar que algumas mulheres possuem essa película que forma o hímen um pouco mais resistente, impossibilitando assim a colocação do absorvente interno. Portanto, nessa hipótese, é necessário a visita a um ginecologista para confirmar a possibilidade de uso.

Após o uso, o descarte dos absorventes também pode ser feito em uma garrafa envelopada. Também é recomendável que no interior do recipiente seja colocado aspirina triturada, ou alguns grãos de café, para a neutralização do odor gerado entre o contato do sangue com os aditivos químicos presentes no absorvente.

“Minha ginecologista sugeriu o DIU, é uma boa opção?”

DIU

Foto: Getty Images

Falando em DIU, a opção hormonal também é uma alternativa para quem deseja diminuir o fluxo menstrual (ou dependendo do organismo até mesmo cessá-lo durante o período em que está sendo utilizado).

Sua colocação se dá em clínicas ginecológicas e/ou hospitais. O DIU pode ser usado por até 5 anos ininterruptos. Podem ser colocados gratuitamente tanto no SUS (Sistema Público de Saúde) e em hospitais particulares. Entretanto, deve-se consultar a rede de atendimento credenciada.

O DIU também exige uma fase de adaptação, pois até cerca de três meses após sua colocação, podem ocorrer cólicas e escapes menstruais.

Nesse caso, o hormônio fica concentrado no útero, tendo sua circulação no organismo de apenas 1%. Essa é uma das opções hormonais que traz menores efeitos colaterais e tornam quase zero a incidência de menstruação.

“A tão famosa pílula…”

Pílula contraceptiva

Foto: Getty Images

Ainda no quesito contraceptivos hormonais, existem mulheres que se utilizam da ingestão ininterrupta da pílula, para que não haja ciclo menstrual durante determinada viagem, eu mesma já fiz isso. Essa é uma maneira imediatista para se resolver o problema, porém o uso contínuo de métodos hormonais podem acarretar em muitos efeitos colaterais e o pior: problemas de saúde, como o risco de trombose.

Os hormônios presentes na pílula alteram a circulação sanguínea, interferindo na coagulação do sangue e na dilatação dos vasos sanguíneos. No caso do montanhismo, que é um esporte de altitude, há o agravamento dessa questão pois a alteração cardíaca gerada nessa atividade aumenta o número de glóbulos vermelhos. Esse aumento deixa o sangue mais espesso, aumentando ainda mais o risco de trombose, avc, entre outras coisas.

Um outro efeito colateral bastante negativo da pílula contraceptiva é o da queda do rendimento nas atividades físicas. Essa queda é gerada pela diminuição da testosterona no organismo, causada pelos hormônios que ela possui.

E aí, qual a melhor opção para você?

Claro que em cada uma das alternativas existem prós e contras. Mas antes de decidir qual método será escolhido, pense com muito carinho no meio ambiente e principalmente na sua saúde.

Com planejamento e os devidos cuidados, podemos curtir nossas viagens sem grandes preocupações e empecilhos.

Bora pensar no próximo destino?

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