Maureen Beck: A garota que não tem uma mão e escala vias de 8a

Se você tivesse nascido sem uma das mãos, ainda assim se dedicaria a uma atividade esportiva como a escalada? Para muitas pessoas, a resposta seria negativa. Mas não para a norte-americana Maureen Beck. A escaladora norte-americana ganhou destaque quando protagonizou o filme “Stumped” o qual documentou sua vida, carreira e, consequentemente, sua ascensão em uma via com dificuldade 5.12a norte-americano (8a brasileiro).

Nascida sem a mão esquerda, Maureen Beck é uma das maiores vencedoras de paraescalada de seu país e quando não está competindo, está gerenciando a equipe de paraescalada do USA Climbing (entidade responsável por organizar competições em território estadunidense).

 

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A escaladora pode ser vista constantemente incentivando os recém-chegados ao esporte a se juntarem à crescente comunidade de paraescaladores. Muito mais do que querer criar uma turma, a escaladora ambiciona algo maior e mais social, preferencialmente que fique para as pessoas desfrutarem no futuro.

Como também compete, Maureen Beck ganhou quatro títulos norte-americanos, ouro no Campeonato Mundial de Paraescalada de 2014 e o título do IFSC Paraclimbing World Championship em 2016. Além de competir, constantemente procura projetos pessoais na escalada em rocha. Por conta deste espírito destemido, Maureen Beck é reconhecidamente um dos exemplos da escalada feminina mundial.

Como tudo começou?

 

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Como dito acima, Maureen Beck nasceu sem uma das mãos. Sua família sempre a tratou de maneira especial e também a ensinou a não se intimidar com qualquer declaração, ou amedrontar-se diante de qualquer desafio. Sua deficiência não a afastou de qualquer atividade desde a infância. Por ter este espírito, seus pais também não colocaram barreiras para que fizesse qualquer atividade.

Maureen desde a infância frequentava acampamentos de escoteiros e foi lá teve seu primeiro contato com a escalada (tanto indoor quanto na rocha). Quando quase foi preterida de experimentar uma parede de escalada artificial, não se intimidou e encontrou uma maneira de desfrutar a atividade. Foi assim que apareceu seu amor por escalar com apenas 12 anos de idade.

 

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“Eu estava no acampamento de escoteiras e tentei escalar apenas por diversão”, lembra Maureen. “Fiquei instantaneamente fascinada e comecei a comprar livros e revistas sobre montanhismo. Eventualmente, comecei a guardar meu dinheiro que ganhava trabalhando como babá, para poder pagar um guia de escalada uma vez por ano em um parque próximo da minha cidade natal” completa Beck.

Para Maureen Beck, a escalada passou de uma atividade de fim de semana para algo muito maior, quando ela estava na faculdade. Frequentemente encontrava tempo entre as aulas para ir escalar. No ano de 2012 mudou-se para o estado norte-americano do Colorado, o que permitiu que ficasse perto das maiores concentrações de escalada de qualidade dos EUA. Não à toa que no estado moram escaladores do calibre de Lynn Hill, Tommy Caldwell, Margo Hayes, entre outros.

Morando no Colorado

 

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Quando Maureen Beck chegou ao Colorado para participar de um evento de escaladores, encontrou uma situação completamente diferente do que estava acostumada. Em outros lugares, Maureen era a única escaladora com limitações físicas. No evento, encontrou vários veteranos do exército norte-americano sem membros, olhos ou pernas, se esforçando para escalar as paredes de 30 metros e conectar-se com outras pessoas com deficiência. Aquilo abriu uma espécie de portal para ela.

Dali para as competições, foi consequência natural. No ano de 2013, amigos de Beck a levaram para competir no GoPro Mountain Games, tradicional competição realizada na cidade de Vail, também no estado norte-americano do Colorado. Naquele ano foi a primeira edição que houve competições para a categoria de escalada adaptável (paraescalada). Beck competiu, mais por solidariedade do que por interesse, somente com o desejo de sair com os amigos. Apesar de ela não ter ganho nenhuma medalha, o fracasso a motivou para treinar de maneira mais dedicada.

 

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No ano seguinte, em Atlanta, os EUA realizaram seu primeiro campeonato nacional de paraescalada. Beck foi a única participante de sua categoria (Female Upper Limb) e venceu apenas por aparecer, pois não tinha concorrência. Beck sentiu-se animada com a medalha que a qualificou para ir à Espanha para competir no Campeonato Mundial. Na competição, Beck se tornou a primeira mulher norte-americana a ganhar um Campeonato Mundial da International Federation of Sport Climbing (IFSC).

Hoje, Beck tenta passar quatro dias por semana na academia e diz que está constantemente trabalhando em maneiras de provar que é tão boa quanto qualquer outro escalador. “Eu meio que tenho esse complexo que imagino as pessoas dizendo ‘sim, ela é boa, mas está recebendo toda essa atenção porque é uma escaladora de uma mão só'”, diz Maureen Beck.

Escalada em rocha

 

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Para provar que não é uma escaladora que ganhou competições adaptadas, Maureen também se esforça para superar-se na escalada em rocha. Até agora, a via mais difícil que ela subiu é avaliada em 5.12a norte-americano (8a brasileiro). Atualmente, Beck está de olho em um 5.12c nrte-americano (8c brasileiro) nas proximidades da cidade de Boulder. A recomendação da via veio de ninguém menos que Alex Honnold.

No ano passado, Maureen Beck ganhou destaque na mídia norte-americana (que lhe valeu uma premiação como “aventureira do ano”) ao escalar, junto de seu companheiro Jim Ewing (também paraescalador), a Lotus Flower Tower (2.570 m) no Canadá.

Neste ano a escaladora pretende ir para Yosemite pela primeira vez na vida e experimentar a escalada no local. Quando perguntada qual é o limite (uma pergunta até clichê que jornalistas leigos adoram fazer a escaladores), ela responde “Eu não sei qual é o limite real, acho que não encontrei ainda”.

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