Livro da Semana: “Era necesario morir?” – César Pérez de Tudela

Há um componente em montanhismo, especialmente de alta montanha, que ainda levanta muitas discussões. As mortes e os perigos assumidos pelos montanhistas, escaladores e alpinistas. Até onde é necessário arriscar-se na natureza para desfrutar de glórias e do desejo de exploração. Destas discussões são criadas as polêmicas e disputas em torno da questão suscitando muitas divergências entre as pessoas.

Como é sabido de quem acompanha notícias sobre montanhismo, onde deveria haver um debate de ideias, acaba acontecendo uma bate-boca sem fim com comparações estapafúrdias para cada lado justificar o seu ponto de vista. Isso porque há no universo do montanhismo de maneira geral, a certeza de que se está certo todo o tempo e cada vez menos concentração do espírito sobre si próprio, suas representações, ideias e sentimentos.

Foto: https://www.libertaddigital.com

O montanhista espanhol César Pérez de Tudela faz parte do montanhismo com uma carreira longa vida e esportiva cheio de sucessos, mas também falhas. Portanto para levantar a voz para que pessoas leigas entendam e reflitam sobre a prática esportiva de subir montanhas. É o que no passado alguns resumiram, de maneira até superficial, o “direito ao risco”.

A abordagem usada pelo autor para fazer com que todos se acalmem e reflitam foi a filosofia transcendental através do pensamento de filósofos como José Ortega, Henri Bergson e, acima de tudo, Friedrich Nietzsche. Da mesma forma, Tudela reúne as histórias de eventos trágicos do montanhismo mundial, e também de alguns fatos históricos do passado, para tentar responder a eterna questão de por que os homens são expostos a situações extremas.

Há um motivo bem especial que explique porque César Pérez de Tudela, se motivou a escrever a obra. Integrante da seleção espanhola de alpinismo desde os anos 1960, realizou ascensões de destaque internacional, como o cume em Aconcágua em solitário duas vezes no início dos anos 1970, escalada invernal no Naranjo de Bulnes (2.519 m) e Cerro Torre.

Por seu destaque, acabou sendo convidado para ser apresentador de programas e comentarista de montanhismo e alpinismo em televisões da Espanha. O destaque lhe valeu grande popularidade e permitiu que ele mesmo fizesse uma reflexão a respeito do montanhismo a cada acidente ou tragédia que comentasse. Há quem afirme que César Pérez de Tudela é o alpinista mais conhecido da Espanha.

Na sua carreira não há somente vitórias, mas também vários episódios que quase morreu. Na lista extensa de infortúnios, há dois infartos, sendo um no Monte Everest (8.848 m) em 1992 e outro na Gulab Kangri (5.900 m), no Tibet, em 1997. Tragédias pessoais também fazem parte de sua vida, como a morte de sua mulher em 1971 durante uma expedição ao Himalaia em que ele mesmo liderava.

Com mais de 30 livros publicados, César Pérez de Tudela é a voz da razão e de profundidade analítica não passional do mundo do montanhismo. Colabora para a visão que contempla várias esferas que fazem parte do montanhismo, Tudela também é advogado e é autor pioneiro de livros sobre direito e montanhismo.

Ficha técnica

  • Título: Era necesario morir? Comentario y reflexiones sobre el alpinismo contemporáneo
  • Autor: César Pérez de Tudela
  • Edição:
  • Ano: 2015
  • Número de páginas: 208
  • Editora: Ediciones Desnivel

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