Livro da semana: “Queen of the Mountaineers” – Cathryn J. Prince

Uma biografia é a descrição de fatos particulares da vida de uma pessoa, podendo conter fotos e relatos de pessoas que testemunharam os acontecimentos. De certa maneira é um documento que relata a trajetória de vida de uma personalidade. Para ter uma qualidade aceitável, deve ter dados precisos, incluindo nomes, locais e datas dos principais acontecimentos. Como via de regra são feitas biografias de figuras públicas que deram uma contribuição importante para o mundo.

Este é o caso de Fanny Bullock Workman, a maior montanhista de todos os tempos. Muito antes de alpinistas sociais, modelos e apresentadoras de TV chegar aos cumes do Himalaia em excursões pagas, Fanny já estava praticando montanhismo e cunhando os primórdios do esporte como conhecemos hoje. A norte-americana foi pioneira em tudo o que se refere a uma mulher enfrentar regras sociais para viver o sonho de sentir-se livre nas montanhas. Fanny não contou com expedições caras, muito menos com sherpas e guias de montanha par a carregar montanha acima. Fez história por mérito próprio.

Foto: https://www.newstimes.com | Ned Gerard / Hearst Connecticut Media

Fanny Bullock Workman era uma mulher complicada e inquieta, que desafiava a rígida moral vitoriana (moral das pessoas que viveram na época do reinado da rainha Vitória no o Reino Unido de 1837 a 1901), a qual considerava tão restritiva quanto um espartilho. A moral vitoriana pode descrever qualquer conjunto de valores que englobe restrição sexual, pouca tolerância para o crime e um código social de conduta pública rigoroso. Atualmente, ao observar as regras da moral vitoriana, algumas chegam a ser absurdas nos dias de hoje. Workman enfrentou tudo isso com coragem e tenacidade. O que atualmente as feministas brigam por espaço na sociedade, Fanny há mais de 100 anos atrás já fazia.

Partindo do princípio de fazer uma reconstrução da rebeldia de Fanny Bullock Workman que a jornalista Cathryn J. Prince escreveu o livro “Queen of the Mountaineers: The Trailblazing Life of Fanny Bullock Workman”. Na obra, a autora procurou transportar os leitores para uma época em que os exploradores atravessavam continentes em iaques e barcos, quando as montanhas ainda não eram mapeadas e não eram sequer medidas, quando os montanhistas enfrentavam a natureza com equipamentos rudimentares.

Workman não apenas explorou, mas também escreveu sobre suas viagens e estabeleceu vários recordes de altitude. Ao todo publicou oito livros de viagens com o marido. Durante suas expedições no Himalaia ao longo de 14 anos, ambos percorreram uma distância de 6.500 km sobre o gelo e a neve, escalaram 20 montanhas ao longo de 4.850 metros de desnível vencidos.

Suas viagens foram feitas sem o benefício de equipamentos modernos e leves, alimentos liofilizados, protetores solares ou rádios. Em cada expedição, eles exploravam, pesquisavam e fotografavam. Como era uma região inexplorada, relatavam suas descobertas em livros e artigos jornalísticos e criavam mapas, os quais à época sequer existiam.

Em 1891, Fanny tornou-se uma das primeiras mulheres a escalar o Mont Blanc (4.810 m) e também foi uma das primeiras mulheres a escalar o Jungfrau (4.158 m) e o Matterhorn (4.478 m). Com a idade de 47 anos em 1906, Fanny subiu o Pinnacle Peak (6.930 metros), que é considerada sua maior conquista no montanhismo.

Fanny Bullock Workman também ganhou medalhas de honra de 10 sociedades geográficas europeias e acabou sendo eleita membro do American Alpine Club, da Royal Asiatic Society, do Club Alpino Italiano, Deutscher und Österreichischer Alpenverein e Club Alpin Français.

A biografia de Fanny Bullock Workman é muito bem pesquisada e escrita por Cathryn J. Prince, trazendo detalhes pouco conhecidos das realizações pioneiras da norte-americana para a nova geração de montanhistas (homens e mulheres). Para conseguir o nível de detalhamento em sua obra, a autora vasculhou jornais, manuscritos e fotos originais para revelar mais detalhes sobre uma mulher cujas ambições quebraram os limites para os montanhistas em geral e as mulheres em particular.

Ficha técnica

  • Título: Queen of the Mountaineers: The Trailblazing Life of Fanny Bullock Workman
  • Autor: Cathryn J. Prince
  • Edição:
  • Ano: 2019
  • Número de páginas: 320
  • Editora: Chicago Review Press

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