Tudo o que você precisa saber sobre a escalada nos Jogos Olímpicos

A Olimpíada de 2020 em Tóquio, Japão, será a estreia definitiva da escalada como esporte olímpico. A escalada, entretanto, já teve a sua estreia como esporte olímpico há um ano, nos Jogos Olímpicos da Juventude, em Buenos Aires. Este evento que teve a cobertura completa da Revista Blog de Escalada.

Mas o que é necessário saber para iniciar qualquer conversa sobre o esporte? Este é o objetivo deste artigo, explicar de uma maneira simples, mas objetiva, o que já se sabe dos jogos olímpicos.

A escalada, como esporte nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, é relativamente simples, mas há detalhes que devem ser esclarecidos como o porquê do formato, quem já está classificado, quais são as classificatórias, como é a pontuação para passar às finais e a melhor estratégia para vencer.

Por que este formato?

Foto: Eddie Fowke / IFSC

O formato olímpico da escalada consiste no seguinte: cada escalador deve competir, obrigatoriamente, nas provas de velocidade, boulder e via guiada. Quem melhor sair colocado em cada uma das disciplinas, é o vencedor.

O motivo de ser o formato desta maneira, o qual é odiado e criticado por todos, é relativamente simples: a disponibilidade de medalhas e espaço na vila olímpica. O comitê olímpico deu apenas um conjunto de medalhas para a escalada (ouro, prata, bronze) por gênero, em vez de um conjunto de medalhas por disciplina.

Portanto, para ser o mais justo possível, a International Federation of Sport Climbing (IFSC) decidiu implementar o que chamou de “formato combinado” para evitar a exclusão de qualquer disciplina. Na época, o interesse primordial da IFSC era incluir a escalada na Olimpíada. Para a próxima Olimpíada, na França em 2024, este formato será remodelado.

Classificatória

Foto: Eddie Fowke / IFSC

Na olimpíada a fase classificatória terá 20 homens e 20 mulheres (no máximo 2 escaladores de cada país) que competirão em três disciplinas de escalada: velocidade, boulder e escalada guiada. Necessariamente nesta ordem.

Cada um dos 20 atletas terá:

  • 2 tentativas na via da velocidade
  • 5 linhas de boulder, com 5 minutos disponíveis para escalar cada linha. O objetivo é chegar ao topo no menor número de tentativas possível.
  • 2 vias principais que os atletas poderão visualizar com antecedência

Através de uma multiplicação feita pela classificação de cada disciplina, os atletas serão ranqueados de 1º a 20º. Por exemplo:

  • 1º em velocidade x 3º no boulder x 7º na via guiada = resultado marca 21
  • 3º em velocidade x 3º no boulder x 3º na via guiada = resultado marca 27
  • 10º em velocidade x 8º no boulder x 6º na via guiada = resultado marca 480

Portanto, a classificação é pela ordem do menor valor ao maior valor. Os 8 melhores atletas de cada gênero com os multiplicadores mais baixos avançarão para as finais.

Finais

Foto: Eddie Fowke / IFSC

Nas finais os oito principais atletas de cada gênero competirão novamente nas três disciplinas (velocidade, boulder e via guiada).

  • Velocidade: Os atletas competirão frente a frente nas quartas de final, nas semifinais e nas finais, com o vencedor de cada um avançando para a próxima rodada.
  • Boulder: Os atletas escalarão quatro linhas de boulder com quatro minutos para escalar cada linha no menor número de tentativas possível. O atleta que conseguir chegar no ponto mais alto em todas as linhas boulder, com o menor número de tentativas, será o vencedor nesta disciplina.
  • Via Guiada: Os atletas escalarão uma única via e o que subir mais alto vence esta disciplina.

Da mesma forma que na fase classificatória, os atletas serão classificados de 1º a 8º em cada disciplina acima (velocidade, boulder e via guiada), e seus rankings serão multiplicados. O escalador com o menor valor na pontuação receberá o ouro olímpico.

Seletiva Olímpica para escalada

Foto: IFSC/Eddie Fowke

O Japão, como país anfitrião, tem a garantia de um atleta de cada gênero. No entanto, apenas dois atletas, de cada sexo, podem se qualificar por país.

Pelas regras estabelecidas pela IFSC, uma primeira competição foi realizada para classificar Sete mulheres e sete homens. A competição foi a edição extra do Campeonato Mundial Combinado em Hachioji no Japão em agosto de 2019. Haverá ainda um outro evento, ainda em 2019, em Toulouse, França para classificar seis homens e seis mulheres. O evento será em 28 de novembro.

Além destas duas classificatórias, as quais foram abertas a atletas de todos os países, o vencedor de cada campeonato continental se qualificará entre fevereiro e maio de 2020. Cada país pode competir com cinco atletas por sexo total.

Comissão Tripartite selecionará um atleta masculino e feminino adicional para competir.

Quem já está classificado?

Foto: Eddie Fowke / IFSC

Entre as atletas mulheres estão classificadas:

  • Janja Garnbret (Eslovênia)
  • Akiyo Noguchi (Japão)
  • Shauna Coxsey (Grã-Bretanha)
  • Aleksandra Miroslaw (Polônia)
  • Petra Klingler (Suíça)
  • Brooke Raboutou (EUA)
  • Jessica Pilz (Áustria)

Entre os atletas homens estão classificados:

  • Tomoa Narasaki (Japão)
  • Jakob Schubert (Áustria)
  • Rishat Khaibullin (Cazaquistão)
  • Mickaël Mawem (França)
  • Alexander Megos (Alemanha)
  • Ludovico Fossali (Itália)
  • Sean McColl (Canadá)

Brasileiros ou latino-americanos possuem chances?

Valentina Aguado em Meirigen | Foto: René Oberkirch

Sim, os brasileiros, assim como todos os atletas latino-americanos, possuem chances de se classificar e participar da olimpíada. Porém a chance é muito pequena. Analisando o rendimento dos atletas nas duas últimas temporadas, os atletas latino-americanos que possuem maior chance de classificação é Carlos Granja (Equador), Valentina Aguado (Argentina) e Alejandra Contreras (Chile).

Mas e os brasileiros? Pelos resultados apresentados nos últimos dois anos no circuito internacional, para os brasileiros sonharem com a classificação, terão de ter o melhor rendimento atlético da história do esporte e superar, em muito, o que foi apresentado. O brasileiro com melhores resultados internacionais nos dois últimos anos é o paulista Cesar Grosso.

Com base nos resultados internacionais apresentados nos últimos mundiais e etapas da Copa do Mundo de Escalada, os latino-americanos possuem chances se:

  • Atletas canadenses se classificarem no evento de Toulouse, França, em 28 de novembro e preencher a cota de dois atletas por país
  • Atletas norte-americanos se classificarem no evento de Toulouse, França, em 28 de novembro e preencher a cota de dois atletas por país
  • Nenhum atleta da comissão tripartite ser selecionado

Qual a melhor estratégia para vencer?

Foto: Eddie Fowke / IFSC

Como a classificação dos atletas será uma multiplicação de resultados, eles devem buscar os multiplicadores mais baixos possíveis. Na hipótese de uma pontuação baixa (20º em velocidade), mas duas pontuações fantásticas (ex. 1º em boulder e 2º em vias guiadas) resultaria em uma pontuação geral melhor.

  • Pela hipótese o atleta teria a seguinte pontuação: 20 x 1 x 2 = 40

Na hipótese de um atleta for “mediano”, ficando em 4º em cada disciplina (4 x 4 x 4) sua pontuação seria de 64. Ou seja, mesmo ficando em 4º em todas as provas, mas um outro competidor ficando nas primeiras colocações, não é suficiente de subir ao pódio.

Portanto, os principais escaladores de vias guiadas e boulder devem se concentrar em tentar subir ao pódio nessas duas disciplinas, mas não dedicar esforço na classificação de velocidade. Como o nível de atletas é muito alto (afinal estamos falando de uma Olimpíada), pode ser que as posições tenham poucas modificações em boulder e vias guiadas.

E é aí neste detalhe, o ranking de velocidade, que decidirá quem ganha o ouro e quem recebe a prata. Conclui-se que o treinamento de todas as disciplinas é mandatório e será justamente ele que será o “fiel da balança” nas Olimpíadas.

Haverá escalada novamente em Paris 2024?

Foto: IFSC/Eddie Fowke

A escalada foi aprovada previamente pelo comitê local para também fazer parte dos Jogos Olímpicos de Paris 2024. Mas ainda depende de uma última reunião para ter a certeza. Para a edição de 2024, a escalada receberia dois conjuntos de medalhas por gênero nas Olimpíadas de 2024.

Dessa maneira, esta quantidade de medalhas permitirá que a escalada seja dois eventos separados: escalada de velocidade e um novo formato de combinado (boulder + escalada guiada). Além disso, mais atletas serão convidados para os jogos, com 20 homens e 20 mulheres qualificados no formato combinado e 16 atletas de cada gênero competindo em velocidade (total de 72 atletas em vez de 40).

No entanto, esse formato é apenas provisório. A decisão final de incluir a escalada nos jogos de Paris 2024 será tomada em dezembro de 2020, após os jogos do verão de 2020 em Tóquio.

Vai ser televisionado?

Foto: Eddie Fowke / IFSC

Usualmente, o IFSC transmite por streaming todas as semifinais e finais da Copa do Mundo de Escalada e do Campeonato Mundial de escalada em seu canal de vídeos do YouTube. Esta transmissão é gratuita e sem a necessidade de aquisição de um pacote premium de TV por assinatura. A partir da venda dos direitos de transmissão para alguns continentes, como Ásia, EUA e Europa, essa mesma transmissão é “atrasada” (sofre um delay determinado tempo) ou até mesmo bloqueada (dependendo do caso).

Na Europa o maior canal esportivo de TV por assinatura, a Eurosport, já transmite a seus assinantes as imagens geradas pelo IFSC. O mesmo acontece na Ásia e EUA. Como nenhuma rede de televisão latino-americana comprou os direitos de transmissão do IFSC, o público pode acompanhar pelo canal de vídeos do YouTube.

Todas as competições que envolve olimpíadas, o Olympic Channel, serviço de streaming e geração de imagens do Comitê Olímpico Internacional, libera os sinais para quem for parceiro. No Brasil, desde janeiro de 2019, o COI anunciou uma parceria com a Claro TV e a Claro Video para distribuir a programação do Olympic Channel em seu canal linear e serviço de streaming de vídeo da Claro Sports.

Esta liberação vale não somente para o Brasil, mas também para todos os países latino-americanos.

Lembrando que o horário do Japão tem uma diferença de 12 horas em relação ao horário oficial brasileiro e 9 horas em relação ao Meridiano de Greenwich. Portanto, para o horário das provas acrescente estes valores para saber que hora serão as provas. Nas Olimpíadas as provas de escalada, que acontecerão no Aomi Urban Sports Park em Tóquio, serão nos seguintes dias:

  • Terça-feira, 4 de agosto 17:00 – 22:40 (Horário do Japão)
    • Qualificação combinada masculina
  • Quarta-feira, 5 de agosto 17:00 – 22:40 (Horário do Japão)
    • Qualificação combinada feminina
  • Quinta-feira, 6 de agosto 17:30 – 22:20 (Horário do Japão)
    • Final combinada masculina e cerimônia de premiação
  • Sexta-feira, 7 de agosto 17:30 – 22:20 (Horário do Japão)
    • Final combinada feminina e cerimônia de premiação

Comente agora direto conosco

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.