Alguns cuidados que praticantes de trekking devem ter com os pés para evitar lesões e bolhas

Praticar trekking é sem dúvida apaixonante e uma atividade cada vez mais em expansão. O aumento do interesse da população em geral se reflete na quantidade de novas marcas, novas lojas e, claro, novos praticantes que aparecem a cada semana.

Mas essas atividades não estão isentas de lesões, que podem ser causadas pela influência de inúmeros elementos externos como terreno, clima, calçados e meias, etc. Quanto maior o peso que se carrega, ou mesmo a distância que se percorre, há a necessidade constante de cuidar bem dos pés. Paradoxalmente, 9 em cada 10 pessoas terão problemas com seus pés antes dos 30 anos.

Quando os pés não recebem a atenção de que necessitam, podem desenvolver problemas crônicos que possivelmente incomodarão a pessoa durante anos.

Profissional de podologia

Os praticantes mais experientes procuram os serviços de um profissional de podologia para fazer a “manutenção dos pés”. Os podólogos tratam de problemas mais específicos dos pés e nem tanto relacionado com a estética. Problemas como unhas encravadas, calosidades e outros incômodos que uma simples visita à manicure não consegue tratar completamente, é um podólogo que consegue resolver.

Uma outra diferença entre podólogo e manicure é a regulamentação dos dois ofícios. O podólogo precisa de uma formação mais estruturada (curso de 1200 horas) para exercer o ofício e a profissão é reconhecida desde 1968 no Brasil. Mas qual a relação entre podologia e os praticantes de trekking? Cientificamente falando, muita.

Recentemente, foi publicado um artigo científico no International Journal of Low Extremity Wounds, revista acadêmica revisada por pares que publica trabalhos quatro vezes por ano no campo das Ciências Médicas, que analiso a evolução de 109 praticantes de trekking que fizeram uma rota de 29,6 km. No estudo foi levado em conta dos voluntários as patologias podológicas e os fatores de influência antes do início da rota, assim como a aparência dos pés e das lesões após a metade do caminho percorrido e no final da via.

Foram analisados os pés dos voluntários para saber a incidência da criação de bolhas, tendinites, feridas, entorses, dor, entre outras enfermidades. Os resultados mostraram que alguns fatores físicos preexistentes dos participantes, como sexo, doença sistêmica existente, ceratose preexistente, dermatoses, onicopatias traumáticas e não traumáticas e deformidades nos dedos dos pés, predispõem significativamente ao desenvolvimento de lesões cutâneas.

Devido à influência de fatores físicos preexistentes, como ceratose preexistente, dermatoses e deformidades nos dedos dos pés, no desenvolvimento de lesões nos pés em caminhantes, o estudo conclui que é importante, além de ser aconselhável verificar a existência destes fatores antes de um trekking para reduzir a incidência de problemas nos pés. Portanto, antes de uma grande travessia um trekking de longa distância ou mesmo uma caminhada exigente, uma visita ao podólogo de confiança é uma decisão inteligente.

Meias

As meias não técnicas, aquelas de algodão e que são vendidas em supermercados e lojas de departamento, são compostas por 98% de algodão e 2% de elastano. Estas meias são a pior escolha que um praticante de trekking pode fazer. Para fazer um trekking é fundamental para a saúde dos pés usar meias para trekking (também conhecidas como meias técnicas).

Em um outro estudo, este publicado na International Journal of Environmental Research and Public Health, periódico científico de acesso aberto revisado por pares publicado pelo Molecular Diversity Preservation International (MDPI), estudou a importância do tipo de meia no desenvolvimento de lesões nos pés. Este estudo foi o primeiro a examinar lesões podológicas desenvolvidas em caminhantes de acordo com o tipo de meias usadas.

Os resultados mostram a importância de escolher um tipo adequado de meia de acordo com o sexo do caminhante, já que no estudo constatou-se que as mulheres se machucavam antes dos homens. O estudo concluiu que a escolha de uma meia adequada, reduziria a incidência de lesões durante a atividade esportiva. O estudo fornece informações mais detalhadas e com embasamento científico para aconselhar corretamente sobre a escolha das meias ideais para um esporte específico.

Meias de trekking são recomendadas para esses tipos de caminhadas longas com mochilas nas costas, pois reduzem o desenvolvimento de lesões nos pés e mantêm a temperatura do pé mais estável.

Uma dos hábitos que precisam ser evitados, é de usar uma meia por mais de dois dias. Usar uma meia suja, ainda mais se for de suor, irá acelerar o aparecimento de lesões nos pés. Como meias de trekking secam rapidamente, procure lavá-las e as deixe para secar. No dia seguinte isso irá preservar mais seus pés.

Limpeza e Hidratação

Pode parecer óbvio, mas lavar bem os pés é fundamental para que um trekking de longa distância seja o menos doloroso possível. Não basta deixar água escorrer durante o banho. É preciso passar sabonete e esponja entre os dedos.

Depois do banho é importante secar muito bem os pés, pois a umidade acumuladas nas meias pode dar origem a micoses. Uma rotina de hidratação é importante para proteger os pés contra os agressores externos, evitar inflamações na pele e neutralizar odores indesejáveis.

Uma boa estratégia é à noite, lavar os pés (se possível, claro) e deixa-los secar. Loco que secar, utilizar algum gel hidratante e suavizante. Este tipo de produto aumenta a tonicidade da pele e alivia tensões musculares. É indicado para obter alívio da sensação dolorosa causada pelo cansaço e traz relaxamento e refrescância aos pés.

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