Como amarrar cadarços de botas de caminhada

Uma das tarefas primeiras tarefas que aprendemos na infância é amarrar cadarços. Não se sabe ao certo quando o cadarço (conhecido em Portugal como atacador) surgiu, pois os sapatos e cadarços medievais eram feitos de materiais que se deterioraram rapidamente quando largados na natureza. Mas existem alguns registros arqueológicos que comprovaram que os cadarços já eram usados pelo homem primitivo da idade do Bronze (3.000 a.C. – 1.200 a.C.).

Quanto aos sapatos, no modelo em que nós os conhecemos hoje, o Museu de Londres tem exemplos de calçados medievais do século XII que demonstram claramente que já existia nesta época, cadarços passando por uma série de ganchos ou ilhoses na frente ou lateral do sapato.

Há entretanto um artigo completo aqui na Revista Blog de Escalada que aborda a história dos calçados de montanha. Nele é possível verificar que em muitos dos modelos no início do século XX, o cadarço era predominante. Ötzi, homem que viveu cerca de 3000 a.C., mostrou justamente uma forma de calçado feito de couro e “cadarços” feitos de corda, além de também utilizar um aparelho que também é considerado uma das primeiras mochilas do mundo.

Os cadarços mais antigos eram feitos de couro, algodão, juta, cânhamo ou outros materiais usados ​​na fabricação de cordas. O cadarço se tornou muito popular apenas no século XX. Entretanto, dentro da história do design de calçados, é considerado erroneamente que o inventor do cadarço moderno foi o inglês Harvey Kennedy em 1790. Entretanto, Harvey inventou um determinado tipo de cadarço, mas ele não “inventou cadarços”. A invenção do norte-americano é simplesmente aquela afinação com ponta de plástico nos cadarços, para passar o cadarço pelos ilhós.

O que Harvey fez foi facilitar a vida de quem usava cadarços. Os primeiros cadarços eram difíceis de usar porque eram simplesmente fios e tinham que ser forçados através de buracos estreitos nos sapatos. A grande invenção, porém, foi o ilhós. O primeiro cadarço com um ilhós foi introduzido em 1791. Como o alargamento do buraco, além do cadarço possuir a pinta afinada (esta sim, a invenção de Harvey), calçados com cadarço se tornaram mais populares.

Cadarços modernos geralmente incorporam várias fibras sintéticas, que geralmente são mais escorregadias e, portanto, mais propensas a serem desfeitas do que as feitas de fibras tradicionais.

Sistemas de amarração

Quando um cadarço é preso com um nó, o tecido é dobrado ou esmagado. Isso é o que impede que o laço se desfaça. Portanto o tipo de cadarço faz toda a diferença para o nó ser desatado ou não. Quanto mais atrito o cadarço tiver, menos ele irá afrouxar. Hoje, a maioria dos cadarços são feitos de materiais sintéticos como poliéster e náilon para evitar a deterioração do atrito.

Usar o calçado de montanha ajustado (mas não apertado) é uma estratégia fundamental para que um trekking, ou qualquer atividade de montanha, seja prazerosa. Como cada pessoa possui um formato de pé diferente, a maneira que é realizada a amarração do calçado é fundamental para a otimização do equipamento. Poucas pessoas sabem, mas existem vários padrões de amarração de cadarços.

Os padrões de amarração de cadarços podem ajudar a adaptar o encaixe de uma bota, o que é particularmente útil se para quem tiver pés muito estreitos ou largos. Técnicas de amarração de cadarço específicas podem ajudar a fazer com que suas botas de caminhada se sintam mais confortáveis, mantenha os calcanhares firmemente no lugar e até mesmo pare com que os cadarços se soltem tão facilmente.

Mas uma coisa é importante ressaltar: Não há maneira certa ou errada de amarrar cadarços. Pesquisadores apontam que existem até 6 maneiras diferentes de fazer o nó de cadarço. A preferência pessoal e a facilidade de amarrar é que dita a preferência do usuário.

O ilhós é a peça de metal que preserva o buraco de onde o cadarço passa. Com o avanço do design de produto, os calçados para trekking acabaram adotando um padrão, que não necessariamente é seguido por todos os fabricantes, que é da quantidade de ilhoses de um calçado de trekking:

  • Tênis de trekking: 10 a 14 ilhoses (cadarços de 110 a 130 cm)
  • Botas de trekking: 12 a 16 ilhoses (cadarços de 130 a 180 cm)
  • Coturno: 12 a 16 ilhoses (cadarços de 160 a 200 cm)
  • Coturno cano longo: 16 a 20 ilhoses (cadarços de 200 a 220 cm)

As botas projetadas para trekking são um bom exemplo de que o padrão de amarração faz toda a diferença. Pois este tipo de calçado precisa de uma amarração mais firme que o tênis e que com o tempo não folgue nos pés, o que poderia ocasionar numa torção.

Para a escalada a mesma filosofia se aplica, pois como o calçado tem de ser bem justo, a amarração pode fazer toda a diferença. Como regra geral, após amarrar seus sapatos, você deve ficar com cerca de 25 cm para amarrá-los. Qualquer excesso de comprimento pode ser facilmente disfarçado ao amarrar comum nó duplo, mas certifique-se de que pode desamarrá-lo.


Padrão cruzado

Este é o padrão de quase todas as botas de caminhada. O motivo é simples: este padrão reduz o desgaste dos olhais, pois há menos fricção entre o cadarço e os orifícios, pois o próprio atrito entre os cadarços diminuem este esforço.

Um outro motivo para este padrão ser tão popular e ser quase onipresente em todas as botas é porque ele é mais rápido para apertar e é mais eficiente. Para quem usa sapatilhas de escalada, este é o laço mais indicado para dar maior pressão ao calçado.


Padrão militar

O padrão militar é usado por algumas das forças armadas no mundo, como Austrália, EUA e Inglaterra. Este tipo de padrão é usado principalmente por soldados que tem de fazer marcha militar durante muito tempo. Este padrão é ideal para quem tem pés mais grossos, ou para quem os tem inchado (como no Caminho de Santiago).

Este padrão tem uma leve desvantagem: É difícil de apertar, pois é construído por um sistema de laços que se mantém. Portanto é necessário apertar uma a um.

Porém ele não laceia facilmente e é indicado para quem necessita de um calçado mais justo.


Padrão de bloqueio do nó

Se o seu cadarço vive desamarrando, o padrão que bloqueia o nó é o ideal.

Ele na verdade é uma variação do padrão sobreposto, com apenas uma modificação no final. Além disso, também possibilita um travamento maior do tornozelo, prevenindo torções.

Para trekking com muitas subidas e descidas, é um padrão interessante.


Super dedão (aliviar dores da unha encravada)

Se os dedos dos pés estiverem com muita dor, por causa de alguma topada, machucado ou bolha, esta amarração serve de medida temporária. Esse truque funciona aliviando a pressão na caixa do dedo do pé.

Mas atenção: Se os dedos dos pés sempre doem quando você caminha, é hora de trocar de calçado.

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