Após retirada de 10 toneladas de lixo, limpeza do Everest é finalizada

De acordo com o jornal The Himalayan Times, a campanha de limpeza do Monte Everest (8.848 m), que durou mais de um mês, foi concluída com a coleta de mais de 10 toneladas de lixo. Esta foi uma das campanhas de limpeza mais ambiciosas da história do montanhismo no Monte Everest, por conta da dificuldade. A campanha foi realizada pelo governo nepalês e agências governamentais pela primeira vez em sua história.

Somente nos primeiros quinze dias da campanha, uma equipe de 14 voluntários já tinham conseguido retirar um volume de quase quatro toneladas de lixo. O trabalho continuou até poucos dias atrás e foi executado no Campo Base do Everest, Camp II e Camp IV. Uma tarefa considerada delicada e difícil, já que a altitude dificultava o trabalho das equipes. O custo da campanha foi de aproximadamente 23 milhões de rupias nepalesas (aproximadamente R$ 1,3 milhões).

Na montanha de lixo coletada, os voluntários encontraram barracas, equipamentos de escalada, tanques de oxigênio, latas, fezes humanas e quatro cadáveres de montanhistas. Todos estes dejetos foram deixados, em grande parte, pelos turistas que se autoproclamam “montanhistas” e foram ao Monte Everest apenas para ostentar a conquista, não como prática esportiva.

O ministério da Cultura, Turismo e Aviação Civil do Nepal, o Ministério do Meio Ambiente nepalês, o Exército do Nepal, a Associação de Montanhismo do Nepal, O comitê de controle de contaminação de Sagarmatha, o Município Rural de Khumbu Pasang Lhamu e a comissão de Turismo do Nepal, trabalharam em conjunto nesta campanha e todas confirmaram que o trabalho continuará pelos próximos anos.

Governo Nepalês sob acusação

Apesar da limpeza do Monte Everest ser uma boa notícia para a comunidade mundial, ela não alivia a pressão que o governo vem sofrendo desde o crescimento do número de mortes em decorrência da superlotação. Alguns veículos, inclusive, aproveitaram para publicar estatísticas sobre o número de mortes equivocadas, baseada em dados não correspondentes, para corroborar a teoria do governo do Nepal que a superlotação do cume da montanha mais alta do mundo não é a principal causa da morte de montanhistas este ano. Especialistas em análise de dados criticaram as estatísticas, que possuem com erros grotescos e primários de interpretação e uso de dados.

Mesmo depois que 11 pessoas morreram, as autoridades do governo nepalês já anunciaram que não tem intenção de restringir o número de licenças emitidas. Esta recusa encoraja ainda mais turistas e montanhistas a ir ao Nepal “tanto por prazer quanto por fama”, afirmou Mohan Krishna Sapkota, secretário do Ministério do Turismo, Turismo e Aviação Civil à imprensa local.

Como foi analisado em um artigo publicado pela Revista Blog de Escalada, o qual explicou com números a dependência financeira que o governo Nepalês possui do turismo, o Nepal não pretende tomar decisões. Na análise de dados realizada, ficou evidente que a situação é mais política e financeira.

O Nepal é um dos países mais pobres do mundo e depende da indústria de escalada para trazer US$ 300 milhões por ano ao país. Para atingir este número, o governo nepalês não limita o número de permissões emitidas ou controla o ritmo, ou o tempo, das expedições. Estas exigências são escolhas dos operadores turísticos e guias.

Entretanto, o crescente volume de mortes, junto das imagens chocantes de um “engarrafamento” no topo da montanha, fez com que vários veículos de mídia tradicionais, sobretudo nos EUA e Europa, subir o tom das críticas à exploração do Monte Everest.

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