Adam Ondra é campeão mundial de dificuldade e Janja Garnbret faz história no Japão

As vias guiadas foram a segunda disciplina disputada na edição extra do Mundial de Escalada IFSC, que acontece entre os dias 11 e 21 de agosto em Hachioji no Japão.

Os resultados das finais moldaram um ranking com o qual os atletas possam entrar na competição combinada. Quem estiver na modalidade “combinada” (ou formato olímpico) pode começar a fazer cálculos e ter esperanças reais de participar da olimpíada, pois dois 20 classificados, sete estarão nas olimpíadas.

Foto: Eddie Fowke

O público presente (além de quem acompanhou o streaming gratuito do IFSC) pode assistir a uma final nem tão emocionante, mas histórica. Depois de testemunhar uma semifinal emocionante, as finais tinham uma configuração que tinha tudo para coroar dois dos melhores escaladores da atualidade em vias guiadas: Janja Garnbret e Alex Megos. Talvez a única mancha tenha sido marcada pelo fatod e haver uma parede de dificuldade mais curta que o normal, com apenas 12 metros. Esta altura limitante foi pela altura da Arena Esfort, local onde está sendo realizado o evento.

Lembrando que o local no Japão, onde serão realizadas as Olimpíadas, será aberto e nas mesmas configurações que foram utilizadas nos Jogos Olímpicos de Juventude de Buenos Aires 2018. Quem acompanhou o evento sabe que este tipo de detalhe faz toda a diferença.

Quem escala em ginásio é fraco na rocha?

Foto: Eddie Fowke

Faz parte do repertório dos detratores de campeonatos de escalada que quem se dedica a ginásios de escalada, não escala tão forte na rocha. Para estes detratores, uma má notícia: é necessário procurar outro motivo. Entre os finalistas do sexo masculino, quatro dos atletas que entraram nesta fase são escaladores que escalam 9b francês (12b brasileiro) ou mais.

São eles Adam Ondra (que já encadenou a via “Silence” graduada em 9c francês/13a brasileiro); Alex Megos e Stefano Ghisolfi (que encadenaram “Perfecto Mundo” graduada em 9b+ francês/12c brasieiro) e Jakob Schubert (que encadenou “Stoking The Fire” graduada em 9b francês/12b brasileiro).

As mulheres, os dados de escalada em rocha dos finalistas também não são ruins: Janja Garnbret (encadenou o 9a francês “Natural Selection”), Julia Chanourdie (encadenou três vias graduadas como 9a francês), Jessica Pilz (que já encadenou 8c e 8c+ francês) e Chaehyun Seo (que recentemente encadenou um 9a francês).

A final feminina

Foto: Eddie Fowke

A escaladora eslovena Janja Garnbret se tornou a primeira mulher a vencer as competições de boulder e vias guiadas no mesmo Campeonato Mundial, em Hachioji, no Japão. No ano passado Garnbret tinha feito desempenho semelhante e assombrou o mundo com a conquista. Janja Garnbret ganha novamente o título de campeã mundial de dificuldade, que recebe pela segunda vez. Em sua estreia na categoria adulta, no Campeonato Mundial de 2016, em Paris, quando tinha apenas 17 anos, Janja pendurou ganhou o ouro em vias guiadas.

Para esta edição extra do Campeonato Mundial de Escalada IFSC, a eslovena provou com todas as letras que é a melhor escaladora de competições da história do esporte. Depois de uma impressionante vitória no boulder, onde ela liderou com um “top extra”, escalando quatro posições além do ponto alto das vias guiadas para ganhar seu segundo ouro. Garnbret é agora, junto com Angela Eiter, a melhor competidora em escalada esportiva de todos os tempos.

Com uma dificuldade bem ajustada, as competidoras alcançaram pontos altos praticamente de forma sucessiva. Uma das favoritas, Chaehyun Seo, não leu bem a linha na parte intermediária e perdeu suas opções no pódio. Este não foi o caso de Ai Mori, que apesar de não ter escalado muito eficientemente, o terceiro lugar no pódio literalmente caiu no colo dela.

Já a eslovena Mia Krampl mais uma vez deu um show, subindo de maneira sólida e marcando a maior pontuação do dia. Porém faltava uma pessoa: a sua compatriota Janja Garnbret. A eslovena flutuou com determinação empolgante que parecia que tinha certeza que chegaria ao topo. Um desempenho suficiente para levá-la à vitória.

A final masculina

A primeira pessoa a vencer o Campeonato Mundial em boulder e vias guiadas no mesmo ano foi Adam Ondra em 2014. Este ano ele mesmo, depois de uma atuação atípica e desastrosa em boulder, ganhou com sobras nas vias guiadas.

Em uma entrevista com o IFSC, Ondra disse: “Honestamente, esta noite eu não esperava ganhar. Me senti cansado. Não importava o quanto tentasse fingir que não estava cansado depois da final de boulder. Me sinto definitivamente sortudo por ter vencido”.

Como na categoria feminina, os homens escalaram uma via de resistência, embora mais dinâmico e bastante boulderística. Os route setters optaram por disponibilizar seções de volumes em dupla textura em torno do movimento 28 que colocou muitos dos competidores em dificuldades.

Depois do escalador checo, Tomoa Narasaki, Sean McColl e Alex Megos tiveram a oportunidade de entrar no pódio, algo que apenas Megos foi capaz de fazer. O alemão ficou nervoso, ciente de que o campeonato foi disputado, e lutou contra todos os movimentos desde aproximadamente 25, caindo a apenas um passo do ponto marcado por Ondra.

Sul-americanos

Foto: Eddie Fowke

A edição extra do Campeonato Mundial de Escalada IFSC, em Hachioji teve boa presença de sul-americanos. Havia quatro brasileiros, dois argentinos e uma chilena participando das competições. O resultado mais expressivo foi da chilena Alejandra Contreras, que foi a única a chegar a uma semifinal das disciplinas de vias guiadas, ficando em 17ª.

O resultado obtido por brasileiros mostrou que ainda há muito o que evoluir e refletir sobre a preparação de atletas para o esporte. O brasileiro melhor colocado em vias guiadas foi César Grosso, que ficou em 56º (de um total de 99 atletas) em vias guiadas e 69º (de um total de 102 atletas) em boulder. A brasileira melhor colocada foi Bianca Magalhães de Castro que ficou em 59ª (de um total de 92 atletas) em vias guiadas.

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