A luz artificial engorda: Como evitar o impacto na saúde proporcionado pela modernidade

A luz elétrica é um dispositivo que produz luz visível a partir da corrente elétrica. É a forma mais comum de iluminação artificial e é essencial para a sociedade moderna. Quanto tempo por dia você passa sob luz artificial? A invenção da luz elétrica no final do século XIX, prolongou artificialmente o dia. O resultado foi excelente para a economia dos países, gerando riqueza e aumentando consideravelmente o PIB. Mas nem tanto para o nosso organismo.

Desde a década de 1950, vários ambientalistas documentaram como a crescente iluminação artificial afeta o equilíbrio do mundo animal. A duração dos períodos de luz afeta os comportamentos de acasalamento, migração e alimentação.

O estudo que detectou este tipo de distorção nos comportamentos foi publicado em um artigo na revista Nature em 2018. A Nature é uma revista científica interdisciplinar britânica, publicada pela primeira vez em 4 de novembro de 1869. Não bastasse isso, um outro estudo concluiu que animais que vivem em áreas com mais iluminação artificial têm uma saúde debilitada. Como somos animais, nossa saúde também sofre (detalhe).

Ritmo circadiano e luz artificial

O ritmo circadiano regula todo o funcionamento do corpo humano e de outros seres vivos. Ele é influenciado pela luz, temperatura, movimento das marés, ventos, dia e noite. O ritmo circadiano regula a atividade física, química, fisiológica e psicológica do organismo, influenciando a digestão, estado de vigília, o sono, a regulação das células e a temperatura corporal.

Hoje passamos a maior parte do dia em ambientes fechados, com exposição a uma intensidade de luz muito menor que a do sol e permanecemos expostos a esta iluminação por muito tempo mesmo depois do anoitecer. O resultado é uma profunda incompatibilidade de nosso ritmo circadiano. Fatores externos que interferem no ritmo circadiano costumam ser a exposição à luz azul de aparelhos eletrônicos como celulares e computadores em horários inadequados, drogas e cafeína.

A melatonina, hormônio que induz ao sono, tem um importante papel epigenético, regulando a expressão de um grande número de genes. Por esse motivo, a luz artificial afeta o sistema imunológico e, se o sistema imunológico se deteriorar, aumenta o risco adquirir doenças.

Em geral, existe uma associação entre o nível de iluminação artificial em cada país e suas taxas de obesidade. Também na revista Nature, um estudo confirmou que a luz artificial é um fator que contribui para o excesso de massa corporal em humanos. Portanto, o aumento da exposição à luz artificial à noite pode influenciar a massa corporal, suprimindo a produção de melatonina e interrompendo os ritmos diários, resultando em mudanças fisiológicas ou comportamentais no corpo humano, podendo, assim, tornar-se uma força motriz por trás do sobrepeso.

Entretanto, alguns estudos em humanos mostram que uma mesma dieta e rotina de treinamento têm resultados muito diferentes dependendo das horas de sono. Em um estudo feito pela University of Chicago, aqueles que dormiam mais de oito horas, perderam duas vezes mais gordura e menos músculos do que aqueles que dormiam menos de seis.

Porém, vale lembrar que nem todas as luzes artificiais são igualmente problemáticas à noite. A lâmpada original era incandescente, com um tom mais semelhante ao do fogo. O fogo foi durante muito tempo nossa iluminação noturna ancestral. Nos últimos 10 anos, esta luz não economizava energia e foi substituída pelo LED. O LED é uma excelente opção durante o dia, mas à noite possui alto pico de luz azul, que é prejudicial à saúde. Embora existam luzes LED “quentes”, elas são menos usadas.

Esse problema de alto pico de luz azul recebe pouca atenção das autoridades de saúde, mas já é reconhecido pelas principais agências de saúde, inclusive pela American Medical Association.

Mas fica a pergunta: Como administrar o uso de luz artificial e escapar da obesidade?

  • Durma em um ambiente escuroAo dormir, procure a escuridão completa. Se você está acostumado a acampar, não se preocupe, pois a luz da lua está muito fraca para interferir no descanso. Se estiver na cidade, não durma ao lado do seu celular (ou pelo menos vire a tela para baixo).
  • Use o mínimo de telas à noite: A televisão, computador, tablet e smartphone disputam audiência das pessoas. Usualmente é comum ver pessoas assistirem TV consultando a tela do celular. O ideal é que, ao menos à noite, diminuir o número de telas ligadas ao nosso redor.
  • Iluminação circadiana: Já existem luzes, como a tecnologia Philips Hue que emite diferentes tons de luz, de acordo com a proximidade do usuário. A lâmpada permite a alteração de cores e criação padrões de ativação à distância, além de perfis de iluminação que podem ser ativados com um toque em aplicativo de smartphone.
  • Não coma logo antes de dormir: Comer antes de dormir pode interferir com nossos relógios periféricos. Mantenha uma certa regularidade nos horários para facilitar a sincronização circadiana. Jante pelo menos 1h30min antes de dormir
  • Exponha-se mais à luz natural durante o dia: Quanto maior a diferença de luz entre o dia e a noite, melhor será o seu ritmo circadiano. Da mesma maneira que receber muita luz artificial, é igualmente prejudicial receber pouca luz natural durante o dia.

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