Vida Sustentável

Por Krishnaprem

Os recursos naturais que o planeta gentilmente nos oferece são escassos. No atual modelo industrial linear, em que apenas uma pequena parte do que é descartado retroalimenta o sistema de produção industrial (reciclagem), cabe a nós consumidores atuarmos para que as grandes corporações sejam forçadas a mudar. Sim, cabe a nós, pois quem é que patrocina a degradação ambiental? Todos nós, os consumidores.

Nas grandes cidades, os vilões da natureza são a construção civil, transporte, consumo inconsciente e o manejo inadequado de resíduos sólidos.

Vizinhança Responsável

Se cada um de nós se comprometer a tornar-se um consumidor mais consciente, podemos juntos diminuir a degradação ambiental. O primeiro passo é conectar-se! O movimento Transition Towns (Cidades em Transição) está começando a penetrar de forma mais atuante no Brasil.

Conecte-se com vizinhos e amigos e discuta os problemas de sua área.

Transporte Consciente

Rodízios de caronas podem ser programados, a ‘pegada’ (rastro) de carbono do transporte é enorme porque a maioria das pessoas quer dirigir seu carro sozinha até o trabalho. Segundo o livro Apocalipse Motorizado, a fabricação de um único veículo gera 28 toneladas de dejetos e um total de 1 bilhão de metros cúbicos de poluição durante o processo de extração mineral e produção do veículo. E quem cai na armadilha do carro 0 km acaba entrando de vez no sistema, tendo que trabalhar muitas vezes com algo que não gosta e não está de acordo com a sua vocação, para poder receber seu salário e quitar a prestação do carro, IPVA, combustível e seguro.

Manter um carro no Brasil é caro. Logo, cabe a cada um de nós se organizar para depender o mínimo possível de veículos particulares. Não compre um carro zero, organize-se, more perto do trabalho, participe de rodízios de caronas, utilize o transporte público, tente optar por ‘home office’ quando possível e use a bicicleta!

Prioridades

Ainda tocando no aspecto do consumo consciente, pense muitas vezes antes de comprar qualquer coisa. Para que trocar de smartphones a todo momento? A maioria das pessoas não hesita em pagar R$ 1.500 por um iPhone, iPad ou TV de plasma, porém hesita em pagar um pouco mais caro por alimentos orgânicos produzidos localmente.

Alguns se importam mais com a qualidade da gasolina que colocam em seus carros do que com o ‘combustível’ que colocam em suas bocas!

Da boca para dentro

Todos nós devemos dar preferência a alimentos orgânicos, produzidos localmente, pois desta forma paramos de patrocinar empresas que destroem culturas e países inteiros. Na Índia, em 2007, o número de agricultores que cometeu suicídio chegou a marca de 100 mil após a “revolução verde” ter chegado ao país e esmagado a cultura de cultivo orgânico que era parte da cultura védica milenar.

No Brasil, temos diversas opções de bons produtos orgânicos não-transgênicos. A maioria das cidades possui as feiras orgânicas nas quais é possível comprar hortaliças, frutas e legumes orgânicos.

No Rio de Janeiro, temos diversas feiras em Botafogo, Copacabana e a famosa Feira da Glória. Comprando mais alimentos orgânicos, produzidos localmente, melhoramos nossa saúde e de nossa família, produzimos menos lixo (embalagens, caixas etc.), diminuímos nossa ‘pegada’ (rastro) de carbono, pois esses alimentos não viajam milhares de quilômetros. Além disso, usamos nosso dinheiro para patrocinar pessoas do bem que estão comprometidas com a preservação da água e de nossas matas.

E, já que tocamos no assunto do lixo, temos que aprender a lidar com nossos resíduos. Resíduos orgânicos (cascas de frutas, legumes etc.) podem ser compostados em casa, na cozinha ou na área de serviço, sem trazer mau odor e moscas para dentro de nossas casas.

Existem diversas soluções para o que chamamos de compostagem urbana, que é parte de um conceito mais amplo de Permacultura Urbana. Produzindo nosso composto, diminuímos os acúmulos em aterros sanitários, onde nossos resíduos orgânicos são misturados a resíduos sólidos, causando danos enormes à natureza. Além disso, nosso composto pode adubar flores e ser utilizado em hortas verticais, o que nos permite cultivarmos verduras e até alguns legumes e frutas dentro de nossas casas e apartamentos. É impressionante o que se pode produzir em apenas um metro quadrado de varanda, até mesmo dentro de apartamentos.

Nossos resíduos sólidos devem, obrigatoriamente, ir para reciclagem. Se em seu bairro ou condomínio ainda não tem coleta seletiva, organize-se junto ao seu síndico, subprefeitura ou vizinhos para que o lixo seco seja separado do orgânico e que ambos tenham a destinação correta.

Parte do conceito de asteya (não roubar) nos yamas e niyamas é não tomar para si mais do que precisa, logo precisamos tomar responsabilidade sobre nossos resíduos. Adotando o consumo consciente e manejo consciente dos nossos resíduos e direcionando nossa energia material de riqueza para pequenos produtores ou empresas ambientalmente e socialmente responsáveis, estamos praticando ahimsa (não violência) com o planeta Terra e alimentando a corrente do bem.

Fonte : http://www.yogapelapaz.com.br/blog/?p=3408

Sobre o Autor

Luciano Fernandes

Luciano Fernandes

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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