Crítica do filme “Vanlifers: Portrait of an Alternative Lifestyle”

VanlifersPrimeiramente para entender o fundamento do filme “Vanlifers: Portrait of an Alternative Lifestyle” é essencial antes saber o que significa o termo. Tanto socialmente quanto como estilo de vida (especialmente para quem vive). Muito embora seja uma explicação pasteurizada, que é bem diferente em termos filosóficos, há que afirme que é o movimento hippie do século XXI.

Em termos gerais, vanlife é a escolha de viver em um veículo de carga, em geral um furgão, por opção e não por falta de recursos, e, preferencialmente, viajar o tempo todo. Uma espécie de nômade moderno. Paralelamente a isso, muitos destes “vanlifers”, como se autodenominam, trabalham como freelancers em atividades ligaras à internet, ganhando valores que garantem o sustento deste estilo de vida. Muito deste estilo de ida há vários princípios de minimalismo e de um outro movimento (que segue a mesma linha do vanlife) chamado Tiny Houses.

Parece complicado explicar para quem nunca teve contato com uma pessoa que vive neste estilo? E é. Para entender melhor basta procurar em plataforma de vídeos, como o YouTube, e atestar várias webséries sobre o assunto.

Os tópicos vão desde diários de transformação do veículo até vlogs (video blogs) de seus moradores. A qualidade obviamente varia muito, sendo necessário uma boa curadoria para escolher o canal a seguir.

Considerados como dos mais influenciadores dentro da comunidade de vanlifers da Europa, o italiano Armando Costantino e a americana Melony Candea, por meio de sua produtora Westfalia Digital Nomads resolveram coletar várias histórias. Com estas histórias, buscaram criar um documentário que apresentasse, sem qualquer tipo de glamorização, o estilo de vida de personagens que eles, como seguidores do estilo de vida, encontram pelo caminho. Assim nasceu “Vanlifers: Portrait of an Alternative Lifestyle”, uma produção com vários tipos de vanlifers diferentes, que constitui desde ativistas digitais, até mesmo surfistas e viajantes errantes em anos sabáticos.

Desde o início a produção procura mostrar cada personagem mesclando com uma narração de fundo apresentando o tópico abordado nas entrevistas. Durante toda a exibição do filme a busca por uma explicação racional é feita pelos produtores. Há várias divagações filosóficas, mas poucas explicações efetivas dos reais motivos que levam uma pessoa a “abandonar” tudo e ir morar em uma van, sem ao menos possuir um endereço fixo nem emprego formal.

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Há em cada uma destas divagações um irresistível romantismo, que oferece um charme inconteste à “Vanlifers: Portrait of an Alternative Lifestyle”. Quem conhece pessoas que vivem em anos sabáticos e estão na vida de vanlife por opção, mas não para virar web-celebridades, se apaixona pela produção desde o princípio.

Com boa qualidade de imagem, além de uma edição diferenciada, os produtores buscaram construir com a reunião de vários perfis diferentes, uma definição comum de vanlifer. Pois claramente desde o início a produção seria apresentar o estilo de vida, não somente fazer uma propaganda. Entretanto a quantidade excessiva de personagens, que durante muitas declarações soavam repetitivas nas afirmações, lembrou muito as respostas prontas de jogares de futebol em entrevistas. Todos os clichês repetidos à exaustão por vanlifers é facilmente visto no filme, chegando a ser caricato em algumas passagens.

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Esta repetição de declarações, assim como de captação de imagens, por volta da metade há percepção de que é uma coletânea de potenciais capítulos de uma websérie. Isso porque não há apresentação detalhada dos veículos, muito menos dos projetos. Esta ausência de detalhamento, junto com um ritmo acelerado de imagens e declarações repetidas, deixou o filme relativamente incompleto e confuso.

Por serem muito semelhantes as declarações de muitos de personagens, próximo do meio da exibição há uma evidente “barriga”. Isso porque fica latente a falta de ritmo na condução do documentário. Próximo ao final o raso aprofundamento nos contratempos e problemas dos vanlifers decepciona. Não houve ainda qualquer abordagem em como amigos e familiares se relacionam com cada um dos personagens (antes e depois de viverem em um veículo), que poderia entregar uma carga emocional considerável.

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“Vanlifers: Portrait of an Alternative Lifestyle” é um interessante documento do estilo de vida vanlifer, especialmente para quem deseja ter mais conhecimento sobre ele. Mas em muitas passagens pareceu muito como uma propaganda de uma cultura e menos um documentário.

A uma ausência de vanlifers em outros lugares o mundo, especialmente para quem vive em qualquer lugar fora da Europa. Inegavelmente o filme emociona, mas ainda permanece distante da realidade de quem vive tanto nos EUA, ou mesmo na América do Sul.

Nota Revista Blog de Escalada:

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Vanlifers

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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