Universidade desenvolve técnica que replica vias de escalada na rocha em academias indoor

Dartmouth College, universidade dos EUA fundada em 1769 no estado americano de New Hampshire, mais precisamente na cidade de Hanover, afirma ter desenvolvido uma técnica de rastreamento de imagens que consegue replicar fielmente vias de escalada existentes na rocha, em academias indoor.

No estudo os pesquisadores observaram como escaladores interagiam com a rocha e, a partir disso, conseguiram construir modelos geométricos de agarras que quando usadas e disponibilizadas da maneira correta replicavam fielmente o crux da  via.

Muitos escaladores buscam treinar em ginásios de escalada para uma determinada via procurando simular a maneira que seu projeto possui. Muitas vezes algum fator não é semelhante e por isso não chega a ser 100% fiel ao que é a realidade. O projeto desenvolvido na Dartmouth College consegue replicar inclinação, disposição das agarras e a distância entre elas.  A pesquisa foi batizada de TATAN (acrônimo para Things As They Are Now).

A técnica desenvolvida consiste em filmar atletas escalando o crux de cada via na rocha. Estudando o vídeo os pesquisadores escaneiam em 3D as partes as quais os escaladores usam as mãos e pés. Os dados coletados com este escaneamento são convertidos para modelos 3D e posteriormente em agarras de escalada indoor.

Na fabricação das agarras de escalada usaram uma impressora 3D e uma máquina router CNC (sistema que permite o controle de máquinas utilizado em tornos e centros de usinagem). Posteriormente o vídeo é usado para saber as distâncias exatas que existem entre as agarras assim como a inclinação da parede.

A partir do formato das agarras e da distância exatas, assim como a inclinação da parede, a via é replicada.

Aparentemente, segundo os escaladores que participaram do estudo, o treinamento com as vias estudadas fizeram a diferença para que atletas conseguissem encadenar seus projetos mais rapidamente. O estudo pode ser visto com mais detalhes no vídeo no topo do artigo.

O uso da escalada tem um motivo simples : a líder da pesquisa Emily Whiting, que é professora assistente em Dartmouth College também é escaladora. A pesquisadora ainda afirmou : “estamos conseguindo fazer algo que se encaixa entre fabricação de larga escala e pequena escala. Fabricando apenas peças chaves, como superfície de uma rocha, também podemos recriar outros tipos de artefatos que simulam o ambiente outdoor sem necessitar colocar tudo do mesmo tamanho sem ter nenhum tipo de padrão”.

O estudo e suas conclusões estão disponíveis para leitura (baixe o estudo aqui). Os pesquisadores apresentaram o trabalho na feira Computer Human Interface na semana passada.

Mais detalhes : http://vcl.cs.dartmouth.edu

Sobre o Autor

Luciano Fernandes

Luciano Fernandes

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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