7 truques de orientação que todo praticante de trekking deveria saber

Por: Daniel Ballesteros

Como localizar-se ou reconhecer o espaço à sua volta na montanha se não contamos com as ferramentas necessárias como GPS, bússola ou mapas?

A resposta é bem simples: da mesma maneira que nossos antepassados. Nossos antepassados se orientavam observando e usando os meios naturais que tinham a seu alcance.

A palavra orientação vem de “oriente”, ou seja, o ponto cardeal Leste, no qual nasce o sol. Aprender a observar a natureza, o céu e as constelações, assim como saber algumas dicas, nos permitindo encontrar “o oriente”, é importante para qualquer atividade de natureza.

Na verdade, pode até mesmo nos salvar de uma situação não planejada durante alguma intempérie.

Dica 1: Graveto e sua sombra

Este método de orientação somente será útil com a luz do dia e com boa incidência do sol. No caso de estar nublado, a precisão pode ser bastante comprometida.

Mesmo assim, é bastante simples e consiste em encontrar os pontos cardeais de acordo com a sombra projetada em um graveto, graças aos raios solares que incidem nele. A técnica é relativamente fácil de executar:

  1. Crave um graveto relativamente reto o mais vertical possível no solo. Recomenda-se que tenha por volta de 50 cm. Deixe que os raios do sol incidam sobre ele.
  2. Verifique onde termina a sombra projetada pelo graveto e faça uma marca no chão. Esta marca servirá de referência
  3. Espere que um certo tempo passe (em torno de 1 hora), e marque novamente o final da projeção da sombra
  4. Faça uma linha entre as duas marcas

Pronto! Já temos os passos necessários para poder tirar alguns conclusões importantes. Para isso, temos de saber a seguinte regra:

A linha traçada nos indica:

  • Primeira marca: Oeste
  • Segunda marca: Leste

Sabendo isso, podemos deduzir o Norte e Sul. Também é possível desenhar uma linha perpendicular à que traçamos, e desta maneira tem-se uma bússola desenhada no chão.

Dica 2: Ponteiros de um relógio

Se nos dispomos de um relógio analógico é o ideal!

Caso não seja o caso, não se preocupe, que podemos desenhar um relógio no pulso e colocarmos a hora atual. Este tipo de artifício será igualmente útil para este método de orientação.

Para isso, façamos o seguinte:

  1. Devemos ajustar o relógio para a hora solar (desconsidere o horário de verão)
  2. Mantenha o relógio na posição horizontal e aponte o ponteiro das horas para o ponto do horizonte que se encontra o sol.

Devemos saber que as conclusões dependem do hemisfério no qual nos encontramos. Portanto, abaixo estão as duas soluções:

  • Hemisfério Norte: O sul é indicado pela bissetriz do ângulo formado pelo ponteiro das horas e a linha imaginária das 12:00
  • Hemisfério Sul: O norte será indicado pela bissetriz do ângulo formado pelo ponteiro das horas e a linha imaginária das 12:00

Dica 3: Com a lua

Para nos guiarmos por este método, temos de saber que a hora mais confiável é 00:00 (horário solar – portanto esqueça o horário de verão). Do contrário é melhor abortar esta alternativa se falta, ou já passou mais de uma hora de pois das 00:00.

A partir destas observações a respeito da limitação, vamos ao que interessa. A lua nos indicará aproximadamente o Leste e o Oeste da seguinte maneira:

  • Se a lua está em quarto crescente sua forma é um “D”. Nesta situação as “pontas” apontam para o Leste
  • Caso esteja em quarto Minguante, sua forma é de um “C”, com suas “pontas” apontando para o Oeste

Dica 4: Estrela Polar

A estrela polar pode ser vista em todas as regiões acima da linha do Equador. Porém, no caso do Brasil, como a extremidade norte do país está pouco acima do Equador, significa que ela só pode ser vista poucos graus acima do horizonte. Nos guiando pela Ursa Maior, traçamos uma linha imaginária entre as duas estrelas da constelação.

Esta linha imaginária, devemos prolongá-la em linha reta aproximadamente umas 5 vezes a distância entre as duas estrelas que temos como referência.

O final da linha prolongada coincidirá com a estrela polar e, se não for assim, se aproximará nos indicando a localização da ursa menor. A estrela polar é justamente a última, e esta localizada na “ponta” da Ursa Menor. Esta estrela é que nos indica o norte.

Lembrando novamente que este método somente nos é útil se estamos no hemisfério norte. Para o hemisfério sul, que é o caso do Brasil e praticamente toda a América do Sul, é usada o Cruzeiro do Sul.

Dica 5: Cruzeiro do Sul

O Cruzeiro do Sul é uma constelação que desde o início da navegação foi utilizada para localizar o Sul e orientar os navegadores.

Da mesma maneira que para a estrela polar, esta orientação somente é útil quando se está no hemisfério sul. Para localizar-se, prolongue o “mastro” do cruzeiro umas 4,5 vezes o seu tamanho e, nesta prolongação estará o sul.

Dica 6: Três Marias

Três Marias é o nome popular dado a um asterismo de três estrelas que formam o cinturão da constelação de Órion.Órion é uma constelação com forma de caçador. A forma mais fácil de encontrar esta figura é com o cinturão de Órion.

  1. Busque a estrela no “ombro direito do caçador” (Betelgeuse, a segunda estrela mais brilhante na constelação de Órion) e a estrela azulada Riguel (pé esquerdo do caçador e estrela mais brilhante da constelação)
  2. Quando a localização tiver sido feita, trace uma linha reta e imaginária de Betelgeuse a Rigel, prolongando-a também em linha reta até o horizonte

Onde elas se cruzam as linhas imaginárias no horizonte, nos indicará aproximadamente o sul geográfico.

Dica 7: Vegetação

Um dos melhores conselhos que se pode dar a um praticante de trekking é que seja ao máximo um observador.

Caso alguém tenha levado este conselho ao pé da risca, durante uma caminhada podemos apreciar as montanhas que nos rodeiam um fenômeno natural a quase 100% de onde se encontram os pontos cardeais. Devido à umidade, a face norte de todas as montanhas possui uma vegetação mais densa ou bosques com árvores em abundância. Repare que esta face irá de distinguir por um verde mais chamativo que a face sul.

Portanto, observando aquilo que nos rodeia, podemos ver onde fica o norte e onde o sul está somente observando de que lado possui mais vegetação. Em lugares onde existem montanhas, podemos nos fixar nas rochas, troncos e/ou qualquer local onde haja musgo ou cogumelos. Aplicando a mesma lógica, nos bosques com árvores, há uma parte do tronco mais verde e outra que outra. Desta maneira é uma característica presente em vários detalhes que nos ajudam a concluir onde está a “face” norte e sul. Sabendo que na superfície dos troncos com mais musgo, estão a direção da face norte.

Tradução autorizada: https://freeman.com.mx

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There is one comment

  1. Roger Gailland

    Só uma nota que talvez tenha faltado na primeira e na última dica. Na primeira o desenho vale pro hemisfério norte e seria invertido aqui no hemisfério sul. E na última dica, essa lógica da vegetação é invertida aqui no hemisfério sul, i.e., face norte é mais seca enquanto a sul é mais humida e com vegetação mais abundante.

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