Trekking com chuva: O que fazer (e o que não fazer) quando o céu desaba

No Brasil a estação das chuvas (também conhecida como estação chuvosa) é a época do ano que ocorre a maior parte da precipitação média anual de uma região. Segundo a classificação climática de Köppen-Geiger, para o clima tropical, um mês da estação das chuvas possui média climatológica superior a 60 mm. Tradicionalmente a primavera e o verão são as estações mais chuvosas nos países tropicais.

Uma das características da primavera é a irregularidade climática, pois é um período de transição entre o inverno (seco) e o verão (chuvoso), permitindo o início na mudança do regime de chuvas e temperaturas. Já no verão há uma maior quantidade de radiação solar favorecendo o aumento das temperaturas, precipitação, umidade relativa do ar e nebulosidade.

Por isso alguns trekkings praticados nesta época do ano correm o perigo de encontrar chuva na atividade. Esta é uma realidade que todos têm de levar em conta quando sair de casa. Por mais importante que seja, ainda há praticantes que não se preocupam com os quesitos básicos para enfrentar uma chuva durante o trekking. Estar preparado para um trekking com chuva não é simplesmente adaptar sacolas de lixo.

Jaqueta impermeável

Trekking com chuva

Foto: https://www.outdoorresearch.com

Parece óbvio falar sobre isso, mas todo praticante de trekking, não importa o nível de experiência, deve possuir uma jaqueta impermeável. Um dos primeiros equipamentos comprados deve ser, além da mochila, uma jaqueta que o ajude enfrentar uma chuva. Quanto mais especificações técnicas uma jaqueta tiver, melhor o usuário deve se informar a respeito dela.

Preferencialmente a jaqueta impermeável não deve possuir nenhum furo. Por isso os cuidados com o equipamento após o uso são tão importantes quanto a aquisição da sua jaqueta. Procure observar se as costuras são seladas (vedadas para a entrada de água). Jaqueta que possui capuz embutido é mais útil para evitar que gotas de água entrem quando o usuário estiver com a cabeça encharcada.

O praticante de trekking acostumado com o conceito de uso de camadas, para aquecimento e conforto térmico, deve encarar a jaqueta impermeável sempre como a “primeira camada” (ou a camada externa).

Respirabilidade

Trekking com chuva

Foto: https://www.iamlivingit.com/

Nada é mais incômodo em um trekking do que sentir-se sufocado. Esta sensação se deve pela pouca, ou nenhuma, respirabilidade de uma jaqueta impermeável. Uma jaqueta “respirar” significa que mesmo isolando a água, os vapores corporais evaporam facilmente pela jaqueta. Por isso mesmo que utilizar um saco plástico, não é o mesmo que uma boa jaqueta impermeável.

Existem diversas tecnologias de películas aplicadas às jaquetas que permitem uma boa respirabilidade. A mais conhecida é a Gore-tex, mas atualmente no mercado há outras tecnologias similares e que conseguem obter o mesmo resultado.

Utilizar uma jaqueta genérica, com respirabilidade ruim, ou mesmo nenhuma, apenas irá tornar a atividade uma verdadeira tortura. O estilo e o visual de uma jaqueta impermeável nada tem a ver com a sua qualidade. Por isso o principal erro do praticante principiante é prestar atenção somente no aspecto visual do equipamento e, por isso, adquirir uma peça para trekking em uma loja não especializada em equipamentos outdoor.

A mesma regra se aplica às outras vestimentas: calças, camisetas, botas, meias. Todas elas devem ser preparadas para evaporarem o suor, não acumular água e, claro, ideais para o trekking. Aquele que escolhe fazer trekking com roupas inadequadas, não importando o clima, está pedindo para sofrer.

Mochila

Trekking com chuva

Foto: https://www.chronic-wanderlust.com/

Um dos aspectos que muitas pessoas esquecem no momento de realizar um trekking é a impermeabilização da mochila. Uma mochila molhada, além de pesar muito mais, pode comprometer todo o equipamento carregado pelo praticante. Equipamentos sensíveis à água como saco de dormir, roupas, meias, comidas, etc. Portanto são boas práticas de um praticante experiente comprar mochilas para trekking que já venham com uma capa de chuva.

Alguns fabricantes acabam “esquecendo” deste aspecto, por isso há algumas capas de chuva para mochilas. Um praticante de trekking prevenido procura adquirir este equipamento para ter de reserva para qualquer situação.

Mochilas de qualidade, também possuem uma impermeabilização no material de revestimento da mochila, assim como realiza selagem das costuras.

Uma boa prática de um praticante de trekking é também utilizar um saco de estanque para que a comida fique guardada à salva dentro dele. Muitos praticantes também adotam a estratégia de guardar meias e roupas em pequenos sacos plásticos para se prevenirem de qualquer intempérie surpresa.

Abrir e fechar

O comportamento do praticante de trekking também deve ser alterado durante atividades na chuva. O principal comportamento que deve ser evitado é a de abrir e fechar a mochila todo o tempo.

Por isso, durante a atividade, quem estiver fazendo um trekking deve prestar atenção em colocar o que considera essencial, como canivete, cantil e comida, dentro dos bolsos da jaqueta.

Prudência

Foto: http://goeast.ems.com

A principal qualidade de um praticante de trekking é a prudência. Portanto deve sempre avaliar a sua segurança diante de uma tempestade e, diante de uma situação crítica, buscar abrigar-se para esperar o tempo se firmar.

Por mais resistente que seja o equipamento, um conjunto de escolhas erradas pode fazer com que ele não funcione. Portanto em um trekking com chuva, procure raciocinar com o máximo de razão possível e, se possível, deixe para ser passional e instintivo em trekkings sem chuva.

Por isso não saia correndo de maneira intempestiva, muito menos vá se abrigar sob árvores em dias de tempestades com alta incidência de relâmpagos.

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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