Saiba quais são os mais conhecidos trekkings de longa distância do mundo

Recentemente o Brasil assinou o projeto Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade, formalizando assim a intenção do país em criar circuitos de trekking extensos. Para se ter uma ideia, nos EUA recebem 307 milhões de visitas, faturando aproximadamente US$ 17 bilhões com os parques florestais por ano. Atualmente o Brasil fatura pouco mais de R$ 2 bilhões com os aproximadamente 10 milhões de visitas nos parques nacionais em todo o território nacional.

O projeto da Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade, chamado pelos idealizadores de “Rede Trilha” pretende conectar os diferentes biomas do Brasil, possibilitando a interligação das mais diferentes paisagens e ecossistemas brasileiros. Toda esta ligação será realizada em quatro rotas de trekking distintas. Ao todo serão aproximadamente 18.000 km de trilhas implementadas nos próximos 20 anos. As quatro rotas, chamadas de circuitos pelo ICMBio serão:

  • Litorâneo (ligando o Oiapoque no Amapá ao Chuí no Rio grande do Sul)
  • Coloniais (Rio de Janeiro-RJ à Cidade de Goiás-GO)
  • Caminho Goyases (Cidade de Goiás-GO à Chapada dos Veadeiros-GO)
  • Peabiru (Parque Nacional do Iguaçu ao Litoral do estado do Paraná)

Cada uma destas rotas, chamadas de circuitos pelo ICMBio, terão pontos de interesse turístico, como pontes, mirantes e locais de pernoite. De todo o percurso planejado, ao menos 1900 já estão prontos, contabilizando 4 das 132 trilhas que vão compor todo o circuito.

Mas o praticante de trekking que deseja viajar para o exterior, onde ele poderia encontrar uma rota de trekking de longa duração e quais são as mais conhecidas? Grande parte destas rotas, como não poderia ser diferente por causa da extensão territorial, é na América do Norte.

Mas além de lá, existem outras localidades e outros locais. As rotas de trekking abaixo foram escolhidas por serem das mais conhecidas. Itens como dificuldade, periculosidade e outros fatores, não foram incluídos.


GR10

Foto: https://www.macsadventure.com/

Exigindo aproximadamente 52 dias para ser percorrida, o GR10 é um desafio para poucos. Exige dos praticantes de trekking um excelente preparo físico, tolerância ao desconforto e muita autonomia na montanha. Não é um percurso para quem não possui experiência.

Esta trilha percorre toda a extensão da cordilheira dos Pirineus, desde o Oceano Atlântico até o Mar Mediterrâneo, ao longo da fronteira franco espanhola, no lado francês. Durante todo o percurso, os praticantes de trekking podem esperar vencer elevações de mais de 48.000 m (no total), ao longo de seus 866 km.

Foto: https://www.macsadventure.com/

Há muitos lugares para ficar ao longo da GR10, incluindo hotéis, casas de campo e refúgios de montanha muito básicos. A trilha é bem marcada com placas pintadas de vermelho e branco. Acampar só é necessário por duas ou três noites na parte de Ariège . Alguns caminhantes fazem uma parte da trilha por vez, completando a rota durante várias visitas. Fazer tudo de uma vez só, somente quem tem determinação (além de tempo).

A rota espanhola GR11 é uma similar, mas é realizada do lado espanhol da fronteira. A melhor época para fazer o GR10 é no final da primavera, início do verão, final do verão e início do outono.


Te Araroa Trail

Foto: https://dirtbagrunners.com

Se você aprecia o filme Senhor dos Anéis (Lord Of the Rings) e procura o mesmo cenário, a melhor pedida é ir ao local que foram feitas as filmagens: Nova Zelândia. No país de pouco mais de 4 milhões de habitantes, existe uma trilha de 3.000 km: Te Araroa.

Na língua dos habitantes locais, “The Araroa” significa “O Caminho Longo” que passa ao longo do comprimento de duas ilhas principais do país “Cape Reinga” a “Bluff”. Ele é composto por uma mistura de trilhas e caminhos mais antigos, novas trilhas e seções de ligação ao longo das estradas.

Foto: https://www.gustofrenzy.com/

Percorrer toda a extensão da trilha geralmente leva de três a seis meses. Não é uma tarefa fácil.

Com exceção da parte curta da pista “Queen Charlotte”, nenhuma licença nem taxa é necessária para fazer a Te Araroa. No entanto, o Te Araroa Trust pede uma doação de US$ 500 por pessoa percorre a trilha completa. Para quem fizer por trechos, a doação é de US$ 250.


Rim of Africa trail

Foto: https://worldtrailsnetwork.org

Com uma extensão de 650 km, que requer do praticante de trekking no mínimo 55 dias para terminar o trajeto, a “Rim of África Trail” é muito mais que uma simples trilha, é uma espécie de jornada pela história de um continente ainda pouco explorado em termos de turismo.

A trilha começa em altitude no Cederberg Wilderness Area, ao norte da África do Sul e termina no noroeste nas Montanhas Outeniqua, passando por toda Garden Route (outra trilha famosa do país).

O trekking segue por caminhos antigos, rotas existentes e linhas remotas sem indicação, usando usa uma série de “nove travessias” em regiões remotas e muitas vezes inacessíveis das Montanhas do Cabo.


Tōkai Shizen Hodō

Se você acredita que o Japão é um país pequeno, talvez a o trekking Tōkai Shizen Hodō (trilha natural de Tōkai) fará você mudar de ideia. Com aproximadamente 1.697 km, mas consideradas bastante “suave”, que sai de Tóquio e chega a Osaka, passando por 11 cidades ao longo do caminho.

O trekking passa pelo Monte Fuji (3.776 m), além de muitos outros lugares culturais, pertencentes ao patrimônio cultural do Japão. Inicialmente, este trajeto foi idealizado para passar por áreas escondidas de turistas nacionais e internacionais.

Os praticantes de trekking podem esperar passar por jardins imperiais japoneses, repletos de flores de cerejeira e outras árvores, encostas férteis, paisagens típicas de pinturas japonesas e profundos cânions de rios com água potável.


Appalachian Trail

Foto: Eric Grunwald | http://ericandnoelle.blogspot.com.br

Das trilhas que fazem parte do “Triple Crown” do trekking americano (Pacific Crest Trail, Appalachian Trail e Continental Divide Trail), a Appalacian Trail, com seus 3.515 km que cruzam 14 estados norte-americanos é uma das mais famosas e icônicas do mundo.

A trilha passa por oito florestas nacionais norte-americanas, dois parques nacionais norte-americanos. Não é um trajeto isolado, pois atravessa estradas todo tempo, permitindo o praticante de trekking acessar numerosas cidades ao longo do caminho.

Aqui na Revista Blog de Escalada, há um dos relatos mais completos feitos a um veiculo de comunicação brasileiro sobre a Appalachian Trail.

Todo o trajeto é cuidado pela Appalachian Trail Conservancy e é percorrida anualmente por dois milhões de pessoas. Criada em 1921, foi somente completada pela primeira vez em 1937.


Great Divide Trail

A Great Divide Trail é um trekking épico e selvagem que se estende de norte a sul pelas Montanhas Rochosas canadenses. A trilha cruza a divisão de EUA e Canadá pelo menos 30 vezes, fazendo um trajeto exigente.

Começa no Waterton Lakes National Park, na fronteira entre o Canadá e os EUA (onde se conecta com a Continental Divide Trail dos EUA) e termina no Kakwa Provincial Park, ao norte do Jasper National Park.

Ao todo são 1.130 km com elevações que variam de 1.000 a 2.590 metros. A trilha foi estabelecida em 1966 e não é muito popular, por isso é bastante vazia, sendo perfeita para quem planeja realizar trekkings sem muitas pessoas por perto.

A trilha é oficialmentereconhecida e mantida pela Parks Canada, autarquia responsável pela manutenção de parques no país.


Ruta de los Parques de la Patagonia

Esta é uma das rotas mais novas nesta lista, tendo sido inaugurada oficialmente em setembro de 2018. A “Ruta de los Parques” abrange 2.800 km da cidade de Puerto Montt até o Cabo Horn.

A trilha foi a ideia da Tompkins Conservation, fundação criada pelo falecido bilionário norte-americano Douglas Tompkins e sua esposa Kristine.

Um site para a nova rota diz que abrange três rotas cênicas existentes – o Caminho do Sul, os canais da Patagônia e a Rota do Fim do Mundo.

O site inclui conselhos sobre transporte, acomodação e mais de 50 percursos rastreados por GPS.


Great Himalaya Trail

Se o praticante de trekking procura desafios, este talvez seja um dos maiores: Great Himalaya Trail.

Ainda incompleta, esta será uma das maiores trilhas de longa distância do mundo através da mais alta cordilheira do mundo. Atualmente, apenas uma pequena parcela das seções do Nepal e do Butão tem sido continuamente ampliada e documentada.

No entanto, a trilha ininterrupta planejada é uma rede de caminhos existentes que, juntos, formarão a “Great Himalaya Trail”.

Este tem tudo para ser o desafio supremo dos trekkings de longa distância.


E1

Com o menor nome nesta lista, é um dos mais longos, que liga Noruega, Suécia, Dinamarca, Alemanha, Suíça e Itália em 4.960 km.

O nome completo deste trekking é “E1 European Long-Distance Path”. Quanto tempo leva? Ninguém sabe ainda, pois pouquíssimas pessoas a realizaram e quem a fez, optou por não divulgar.

Oficialmente, ninguém completou a mais longa trilha de caminhada na Europa, o caminho E1, um dos 12 caminhos de longa distância designados pela European Ramblers’ Association.

Estende-se de Nordkapp na Noruega e vai até a Sicília.


Greater Patagonian Trail

A “Greater Patagonian Trail” é um conjunto de circuitos de trekking no território da patagônia entre o Chile e Argentina, formando um trajeto de 1.311 km. Segundo dados oficiais, foi ralizada pela vez em 2014.

A “Greater Patagonian Trail” (Grande Trilha Patagônica em português) foi proposta de ser estabelecida como um caminho conhecido por Jan Dudeck no final de 2013. No percurso há etapas realizada a pé, cavalo e caiaques, que cruzam vales remotos em trilhas abertas por montanhistas locais e habitantes locais.

Não se trata de uma trilha reconhecida por governos.

Foto: https://www.kickstarter.com

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

Comente agora direto conosco

Comment moderation is enabled. Your comment may take some time to appear.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.