As tendências dos campeonatos de boulder – Quais são as habilidades físicas fundamentais para a Olimpíada

Nesta semana o técnico responsável pela equipe alemã de boulder, Udo Neumann divulgou um texto na página do Campeonato Mundial de Escalada. O próximo Campeonato Mundial de Escalada, que acontece de quatro em quatro anos, acontecerá na região austríaca do Tirol em 2018. O evento está sendo considerado uma prévia dos Jogos Olímpicos de Verão de 2020.

No texto publicado, o alemão explanou sobre o início da temporada de competições na Copa do Mundo de Escalada e foi analítico em relação ao estilo que vem sendo desenvolvido nas competições, segundo os organizadores em nome do “espetáculo”, sendo crítico ao que, em sua opinião, é um distanciamento entre realidade e competições. Além disso, Newmann também analisou com detalhes e em profundidade, quais habilidades físicas serão necessárias, e fundamentais, para os competidores até a olimpíada. O técnico alemão no seu texto também deixou claro que muitos técnicos estão preparando os atletas paras as competições do passado, mas não para as do presente ou o futuro.

Junto com seu texto, amplamente compartilhado nas redes sociais, também publicou uma análise em vídeo do rendimento de atletas em competições de boulder. no evento ocorrid na Alemanha em março. O vídeo é um complemento ao seu texto e pode ser assistido no topo do artigo.

Udo Neumann é um estudioso do repertório de movimentos dos atletas escaladores e, por isso, é merecedor de exercer o cargo de técnico da seleção alemã de boulder desde 2009.

Quem é Udo Neumann?

Udo “udni” Newmann é formado em ciência do esporte e autor de livros considerados mandatórios para quem procura saber mais sobre performance em escalada em Rocha, além de numerosos vídeos sobre treinamento tanto para escaladores em vias guiadas como boulder. O alemão é uma das maiores, senão a maior, autoridade no assunto em repertório de movimentos e treinamento para escaladores.

Seu livro mais recente, “The Art & Science of Bouldering” de 2013, é referência entre treinadores de todo o mundo. Muitos das seleções que se destacam em competições de escalada, como Chile, México, Equador e Argentina, utilizam a obra como referência para a elaboração de treinamentos específicos de lapidação do gestual e técnica dos atletas.

Foto: Anderson Gouveia

Recentemente o técnico alemão participou do Training Camp en Sud América, uma espécie de conservatório de treinamento de escalada, que teve o objetivo de difundir as principais técnicas de escalada existente na atualidade, para desta maneira facilitar a divulgação de técnicas e filosofias e subir o nível dos treinadores e atletas na América do Sul.

O Brasil esteve representado no evento por Anderson Gouveia, hoje responsável pelo time brasileiro de escalada. No início de março Anderson vai assumiu a seleção, quando assina contrato com a liga independente que organiza campeonatos de escalada e COB como team manager (gerente de equipe).

Copa do mundo de escalada

Foto: Eddie Fowke | http://www.thecircuitclimbing.digital/

O evento competitivo Studio Bloc Masters, foi a última grande competição realizada pela equipe de Udo Neumann antes da primeira etapa da Copa do Mundo do IFSC que será realizada na cidade suíça de Meiringen neste final de semana.

A única presença sul-americana é da escaladora argentina Valentina Aguado, considerada a maior esperança do continente de estar presente nos jogos olímpicos de 2020 em Tóquio. Os resultados do último Master de Boulder do Chile, considerado uma das principais competições de escalada da América do Sul, evidenciou na prática quem são os atletas que podem sonhar em fazer parte das olimpíadas.

A última competição da temporada de escalada esportiva foi realizada em agosto de 2017. Para a edição de 2018 espera-se a temporada mais competitiva da história do esporte, apontada como a mais imprevisível de todas. Esta imprevisibilidade deve-se ao fato de que todos atletas estão nivelados e no auge da forma. Maiorias das seleções europeias investiram pesado na formação de técnicos e na preparação adequada de atletas. A argentina Valentina Aguado, por exemplo, treina na Áustria desde o final do ano passado. As vencedoras da temporada 2018 da Copa do Mundo de Escalada foram a britânica Shauna Coxsey e a japonesa Kokoro Fujii.

Mais de 200 atletas estão inscritos para a primeira etapa. As favoritas são a campeã Shauna Coxsey, a eslovena Janja Garnbret, a japonesa Akiyo Noguchi, a suíça Petra Klinger (atual vencedora do campeonato mundial), a servia Stasa Gejo (atual campeã europeia).

No masculino estão como favoritos os japoneses Tomoa Narasaki (atual vencedor do campeonato mundial), Kokoro Fujii, Kay Harada, Rei Sugimoto, Keita Watabe. O japão possui atualmente o maior número de escaladores de elite do mundo. O país contatará com 21 escaladores neste ano participando da copa do mundo de escalada. Quem pode ofuscar a dominação japonesa estão os alemães Jan Hojer e Alex Megos, o canadense Sean McColl, os eslovenos Jernej Kruder e Anze Peherc e o austríaco Jakob Schubert.

O alto nível de dificuldade, que irá exigir bastante de cada atleta, deve-se ao fato dos pesos pesados escalados para serem route setters: o francês Laurent Laporte, o britânico Jamie Cassidy e o também francês Marc Daviet. Laporte possui mais de 20 anos de experiência em trabalhar como route setter em campeonatos europeus e de escalada. Atualmente é o chefe da equipe de route setters do IFSC.

A temporada da Copa do Mundo de Escalada acontecerá a partir de hoje, sexta-feira 13, e amanhã. Todo o evento será transmitido por streaming gratuito a partir do site do IFSC.

Mudanças no peso das pontuações

Fotos: https://www.innsbruck2018.com/

Segundo Udo Neumann, a competição foi exaustiva e a primeira grande modificação para as competições de 2018 é o número de zonas (anteriormente conhecida como bônus) e o aumento de sua importância em relação ao número de tentativas e tops alcançados (para entender a pontuação do IFSC para boulder acesse aqui).

De acordo com o técnico alemão, esta mudança de peso na pontuação não teve influência no pódio, tanto masculino quanto feminino. Segundo sua análise, a grande atração para o público é a quantidade de módulos incluídos nas paredes. Isso porque, atualmente as paredes mais modernas do mundo utilizam vários módulos, fazendo com que uma única parede com várias inclinações serem consideradas um conceito antigo e obsoleto.

As paredes com inclinação única, mas repleta de módulos, favorecem a elaboração de movimentos mais acrobáticos, além de baratearem as estruturas montadas para os campeonatos. De acordo com a análise de Udo Neumann atualmente é imprescindível para o atleta ter rapidez mental e física, favoreceram o aparecimento de um perfil físico mais forte e atlético. Atletas com perfil bem magro já não fazem a diferença nestas competições.

Truques de circo

Fotos: https://www.innsbruck2018.com/

O excesso de acrobacias e estilo muito espetaculoso recebeu críticas de Udo. Atualmente as escaladas em boulder “na vida real” em nada tem a ver com o que é executado nos campeonatos. Na opinião do técnico a escalada indoor e na rocha estão tornando-se dois esportes distintos, rumando a direções opostas.

O técnico segue na sua análise, apontando que a parte superior do corpo do atleta em um campeonato deve ser muito mais forte do que um escalador de rocha. Na opinião de Neumann há muitos saltos (que são impossíveis na escalada em rocha), tornando a modalidade “truques de circo”.

O técnico alemão segue a sua análise das tendências, analisando a tridimensionalidade e distância entre os pontos de apoio. Faz um paralelo das competições comparando como era o estilo 10 anos atrás e o que é exigido atualmente. Udo Neumann em nenhum momento o técnico tocou no assunto de agarras móveis, ou paredes instáveis, que foram introduzidas nas competições no Brasil na mesma época como “novidade europeia”, mas ainda sem evidência de ter sido usada em campeonatos do IFSC.

Coordenação e adaptabilidade

Fotos: https://www.innsbruck2018.com/

Udo Neumann explica ainda que a atual coordenação exigida é a cooperação harmônica dos órgãos sensoriais, sistema nervoso periférico e central e do sistema locomotor.

Estas habilidades de coordenação, segundo a análise do técnico, permitiriam impulsos dentro do movimento que são bem “coordenados” em termos de tempo, força e escopo.

As linhas de boulder mais modernas, segue o técnico alemão, exigirão dos atletas soluções que sejam eficientes. Por funcionar, Neumann sugere que a solução deva partir do atleta e que, para uma linha de boulder há diversas soluções para um mesmo problema. Solução que deve ser encontrada em quatro minutos.

Para os atletas, analisa Udo, é vantajoso concentrar-se na solução do problema, em vez de se distrair com o que eles imaginam ser as intenções dos roteadores. Coragem, autoconfiança e, acima de tudo, confiança na própria solução, decidem competições de boulder, conclui o técnico alemão.

Para ler o texto completo com a análise de Udo Neumann: https://www.innsbruck2018.com

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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