Tecidos técnicos: Quais são as propriedades fundamentais de uma roupa outdoor

Todo praticante de atividade outdoor, seja qual for ela, é necessário usar uma roupa adequada. Para identificar um praticante inexperiente, especialmente aquele que é candidato a ser notícia por ser resgatado e dar entrevistas em sites que exploram somente infortúnios, basta verificar que esta pessoa não se veste adequadamente.

Por vestir adequadamente entenda com roupa com tecidos técnicos, e este tipo de conceito em nada tem a ver com “a moral e bons costumes”. Na montanha não há espaço para este tipo de mentalidade, mas sim com a atitude pragmática do praticante de atentar-se à qualidade técnica de sua roupa.

Pessoas que insistem em aparecer nas trilhas com calça jeans, tênis e botas de solados inadequados, além de sequer se preocupar com as propriedades de sua indumentária, são sempre aquelas frequentemente apontadas como candidatos a “problemas”. Repare que em quase todos os locais de prática de montanhismo não há exigência de indumentária mínima, nem uma preocupação com a utilização de equipamentos inadequados. Uma preocupação que administradores de parques e locais frequentados sequer possuem. Estes reclamam quando há um desaparecido, mas se omitem pesadamente de restringir o acesso a quem não utiliza roupas técnicas.

Portanto, quem não quer fazer parte do noticiário a respeito de resgates de pessoas imprudentes, deve começar a se preocupar com as propriedades que a sua roupa de trekking possui. Ao contrário do que muitos pensam, há peças de roupas outdoor de qualidade razoável e preços acessíveis. O fator monetário não é limitante no momento de comprar uma roupa de trekking. O fundamental é saber as propriedades fundamentais de um tecido.

Transpirabilidade

Toda e qualquer roupa outdoor deve possuir três propriedades básicas: Transpirabilidade, isolamento e proteção. Muitos dos tecidos sintéticos, como o poliéster e outras malhas à base de microfibra, são excelentes opções como a camada mais externa, protegendo contra frio e vento. Além disso todos estes tecidos respiram livremente, não deixando sensação de sufocamento.

Os tecidos de algodão são muito cômodos e aconchegantes, mas possuem dificuldade de evaporação do suor. Além disso, quando estão encharcados tendem a ficarem mais pesados. Ficando mais pesados, a fadiga do usuário irá ser acelerada, tornando a prática mais agonizante e estressante. Portanto, todo e qualquer praticante de atividades outdoor deve evitar usar qualquer peça de roupa de algodão, especialmente se ficar implícito que irá realizar um trekking ou mesmo uma travessia.

Isolamento

Na prática de esportes de montanha, não há espaço para muita ideologia ou, em linguagem mais coloquial, “frescuras”. Nem sempre uma peça irá combinar com a outra, ou mesmo o forramento pode ser de um material que filosoficamente não lhe agrade. Para não fazer parte disso, simplesmente opte por não ir, mas respeite todos que tomam a decisão contrária a sua. Optar por constranger qualquer pessoa, como as patrulhas ideológicas de algo fazem todos os dias, é uma atitude de uma pessoa mesquinha e autoritária. Uma atitude que é tolerada nos ambientes urbanos, mas não na montanha.

Os tecidos conhecidos como fleece, além das jaquetas com forramento de penas de ganso ou pato, são excelentes para isolamento no caso de um frio intenso. O forramento sintético é relativamente eficiente, mas também possui uma limitação até certa temperatura. Sua compressibilidade não é tão eficiente quanto as plumas. Além disso, os materiais mais modernos, que tentam repetir as mesmas propriedades das plumas, também são caros e isso deve ser levado em conta.

Os forros de polietileno, obtidos da polimerização do etileno e um dos plásticos mais importantes da atualidade principalmente entre os termoplásticos, são mais leves e relativamente mais eficientes que a lã. Entretanto são mais caros.

Proteção

Como alguém que vai à montanha está propondo-se a sair da zona de conforto, sua integridade também está sendo colocada em xeque. Por isso deve-se optar por roupas que protejam de qualquer intempérie. Por isso a impermeabilidade e resistência à abrasão devem ser levadas em consideração no momento da escolha de uma capa de chuva, barraca e mochila. Cada um destes equipamentos possui um certo grau de resistência a ventos, água e abrasividade.

Portanto, cabe ao usuário analisar o local e frequência que será usado o equipamento. Um tecido para chuva torrencial e neve é muito mais caro que um para chuvas simplesmente. Cabe ao usuário pesar na sua balança, e no seu orçamento, o melhor produto com a melhor relação de custo benefício.

Além disso, para a produção de forramento sintético, é produzido muitos resíduos químicos, além de que, quando descartado, causa um impacto ambiental que poucos levam em consideração.

Argentina de nascimento e brasileira de coração, é apaixonada pela Patagônia e Serra da Mantiqueira.
Entusiasta de escalada, trekking e camping.
Tem como formação e profissão designer de produto e desenvolve produtos para esportes de natureza.

There is one comment

  1. ERIVELTO AMORIM

    Boa Tarde!
    Quero parabenizar o BLog Tenho sempre minhas dúvidas quanto as escaladas, e vejo que aqui é o canal certo , para melhor entender o que de fato precisamos fazer e,usar corretamente as ferramentas que são necessárias para uma escalada em segurança.

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