Sugestões para locais de escalada esportiva

Pictures+081610+063[1]Seguindo o caminho trilhado pelo post que foi criado para sugerir como seria uma solução para a escalada de campeonatos (se ainda não leu, leia aqui).

Este texto também visa o mesmo objetivo: Levantar perguntas sobre uma situação atual. De maneira nenhuma o que está escrito aqui é uma verdade absoluta, e nem deve ser levada como tal.

O objetivo de todas as sugestões é seguir o caminho que o próprio título sugere: sugestões.

Sugerir em nada tem a ver com “decreto lei”, e nem deve ser encarado como a única, e possível, solução. O “problema” em questão são as inúmeras e infinitas reclamações do péssimo comportamento de alguns frequentadores de locais de escalada no Brasil.

Há reclamações também de como a manutenção das vias e trilhas de muitos lugares de escalada e montanhismo em todo o Brasil.

1 – Vai escalar? Passe na catraca

catracas-mecanicas-em-estadio-de-futebol-paramirim[1]No momento é necessário rastrear os “escaladores problemas”.

Isso, sem dúvida, é uma tarefa ingrata para quem deseja solucionar. Uma sugestão seria a obrigatoriedade de que seja cobrada de escaladores e acompanhantes a entrada em locais de escalada.

Entrada esta que seria não somente cobrada como também registrada quem e quando foi realizada a entrada do escalador. Assim em caso de algum incidente aquele montante de escaladores seria encontrado o responsável.

Assim que identificado, sofreria as punições administrativas cabíveis.

O que seria uma punição administrativa?

O cidadão em questão ficaria proibido de frequentar este e outros lugares de escalada.

Simples assim.

Supondo que no estado do Rio de Janeiro os locais de escalada exigissem este sistema para escalar, e alguém “cavasse” uma agarra. Fato este ocorrido recentemente.

Identificado o escalador, este receberia uma suspensão de escalada em todos os locais do estado. Digamos que por quatro meses.

Injusto? Pode ser.

Porém mais injusto ainda é alguém cometer um ato de falta de ética como poluir um rio, ou defecar em uma trilha e não ter nenhuma punição. Por isso menos quem escala não teria o benefício do anonimato por poluir locais, depredar propriedades e assim por diante.

Quem determinaria esta punição? A federação responsável por cada estado. Caberia a eles determinar o tempo e gravidade da infração.

Quem fosse cadastrado na federação não pagaria contribuição para escalar, quem escolhesse não ser de “clubinho” ou de federação pagaria livremente para escalar (desde que não cometesse nenhuma infração). O dinheiro arrecadado ficaria destinado à manutenção de cada lugar.

Os escaladores de outros estados que já são federados, poderiam ter os mesmos benefícios que os federados locais. Os escaladores estrangeiros pagariam normalmente a taxa de entrada ao local de escalada, ou pagariam um valor referente a uma mensalidade à federação para estar disponível para escalar.

2 – Federação feita por clubes, pessoas e… academias

escalada-360x225[1]Faria parte das federações estaduais os atuais clubes de escalada, mas também escaladores individuais e também academias.

Todos com poder de voto na escolha dos representantes de seu estado. Exigências que na minha opinião são estapafúrdias, como exigir carta de recomendação de dois montanhistas reconhecidos devem ser revistas.

Federação de escalada e mestrado em Universidade são dois mundos distintos, e não deveriam ter as mesmas exigências como carta de recomendação e análise de curriculum. Há o conceito de que o que forma as federações são os clubes, pois bem, continuam existindo os clubes e associações. Porém entrariam neste conjunto as academias e muros.

Com isso TODOS que fazem parte de um muro comunitário, ou academia, ao se tornarem mensalistas também se tornariam federados. O valor pago à federação seria o mesmo dos clubes e associados individuais.

Cada proprietário de academia seria o representante perante o conselho da federação. Porém durante o processo de eleição de presidente de federação deve ser eleito por TODOS: integrantes de cada clube, integrantes de cada academia e associados individuais.

O voto feito de maneira facultativa.

Qual dia seria a eleição? Em uma confraternização de início de temporada, festival de filmes ou até mesmo em urnas espalhadas de forma itinerante. Algo que tornaria interessante seria a extensão da suspensão de escalador que desrespeitou de alguma forma a ética da escalada às academias.

Com isso supondo que um escalador escavou uma agarra (como no Rio de Janeiro), modificou uma via de escalada a marteladas (como em Analândia), ou roubou chapeletas de uma via (como na Lapinha) ficaria suspenso também de frequentar o muro durante a sua punição.

Não há multa, nem briga nem nada. Somente um período sem escalada para que o indivíduo pense na vida e em o que fez. Continua, claro, livre para correr na praça, ir ao shopping e seguir a vida.

3 – Objetivo

Foto: Brandon Jakobeit | http://www.tpwmagazine.com/

Um ponto importante a se definir é que o objetivo de controle de locais, e abertura de federação é não ter o lucro incessante, nem pagar férias na Europa para quem estiver em posse de algum cargo. O objetivo principal é conseguir rastrear escaladores que tenham má conduta e reeducá-los. Por reeducar entenda punir tirando a escalada de quem não valoriza ou não sabe se comportar em sociedade.

Como o volume de contribuições será muito grande, o interesse por representantes mais atuantes tende a crescer. Assim como a possibilidade de manutenção de vias de escalada, trilhas de trekking e abrigos de montanha também.

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

There are 3 comments

  1. Rafael Gribel

    Fala Luciano,

    Uma coisa que funcionou muito bem aqui em BH foi a atuação do clube Montis, como um clube de escalada de lazer que reune aqueles amantes da escalada esportiva. Eles fizeram uma parceria com a academia Rokaz, inclusive com descontos na academia para os filiados, e fazem reuniões periódicas dentro da academia.

    abs,

    rafael

    1. Luciano Fernandes

      Rafael

      Foi muito inspirado na exeriência da Rokaz + Montis que elaborei a sugestão. Acho o comportamento do Montis exemplar, e não foi à toa que considerei um dos detaques da escalada de 2012.

      Apesar da proposta escrita parecer mais capitalista do que outra coisa, acredito sim que se começarmos a monitorar todo e qualquer escalador conseguiremos reeducar.

      Repare que não falei em nenhum momento expulsar, separar ou alo do gênero. Somente fazer como se faz em qualquer lugar civilizado : haver uma punição ao infrator e ponto.

      Mas claro, na teoria tudo é lindo…. Ao menos o Montis mostrou que é possível sim.

      A tempo : Achei a Lapinha exemplar também, apesar do horário de saída (4:30pm) meio cedo demais. Mas regra é regra e cumpri sem ficar batendo boca.

      Abs

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