Seven Summits: O que é (e o que não é) e quais são as informações relevantes sobre esta conquista

Constantemente há a divulgação de que algum montanhista, profissional ou não, está tentando conquistar a marca de ter realizado os Seven Summits (também conhecidos como Sete Cumes). Por não incluir montanhas de alta dificuldade, levanta muita polêmica com montanhistas mais técnicos e fortes que se dedicam a outras montanhas não incluídas nesta lista.

O objetivo deste artigo é, antes de qualquer reclamação que por ventura possa existir, é elucidar sobre o que é de fato esta marca. Por isso não entrará aqui o mérito de chancelar se um montanhista que realizou os Seven Summits (Sete Cumes) é de fato dos melhores do mundo. Por isso, não haverá qualquer menção, a princípio, à dificuldade das montanhas em questão. O objetivo é tirar qualquer dúvida que possa ter surgido a respeito da conquista.

O que não é

Constantemente atribuído por jornalistas desinformados (ou que não sabem sequer usar o Google) é que os Seven Summits são as montanhas mais altas do mundo. Esta afirmação é tão errada quanto afirmar que a capital do Brasil seja Buenos Aires. Seven Summits (Sete Cumes) é nada mais que uma lista das montanhas mais altas de cada continente, adicionada do Monte Denali (6.190 m).

Há muitas controvérsias sobre a inclusão do Monte Denali, que vão desde as teorias conspiratórias da autoestima dos estadunidenses, até hipóteses geográficas falsas. Caso você considere que o Canal do Panamá de fato criou dois continentes diferentes, é possível aceitar o fato de existir uma américa partida.

O que é verdadeiro e inconteste é que fazem parte da lista dos Seven Sumits as montanhas mais altas de cada continente e um convidado de honra chamado Monte Denali (6.190 m). Nada mais que isso. Caso algum jornalista, meio de comunicação ou o padeiro da sua esquina afirmar que são “as montanhas mais altas do mundo” procure corrigi-lo.

De maneira alguma alguém ter escalado as montanhas dos Seven Summits (Sete Cumes) o chancela a ostentar como montanhista de elite. Realizar esta conquista é uma satisfação pessoal de cada um, e em nada tem a ver com promoção ou escalada para a fama. Mesmo não sendo das montanhas mais difíceis do mundo, é necessário seriedade e perseverança por parte do montanhista. A conquista de um cume, de qualquer montanha é pessoal e em nada tem a ver com reconhecimento ou prêmios. Visar somente reconhecimento da sociedade sem sequer mostrar espírito de montanhismo pode custar a própria vida.

Exemplos de pessoas, como apresentadores de TV a cabo, que apenas por fama buscaram conquistar as montanhas da lista, mas tiveram de abandonar às pressas o projeto por algum acidente é muito mais comum do que se pensa. A montanha, para o bem ou para o mal, mostra a realidade que muitos não estão acostumados a encarar.

As montanhas que fazem parte dos Seven Summits (Sete Cumes) também não são nem de longe as mais difíceis do planeta. Para saber se uma montanha é difícil de ser escalada, o número o qual deve-se buscar é a taxa de fatalidades por quantidade de escaladores que subiram aquela montanha.

As montanhas montanhas mais difíceis do planeta são Dhaulagiri (8.167 m), Kanchenjunga (8.586 m), Nanga Parbat (8.126 m), K2 (8.611 m) e Annapurna (8.091 m).

História

Foto: https://www.skimag.com

A lista original dos Seven Summits foi criada por Richard Daniel “Dick” Bass, um empresário, fazendeiro e montanhista americano. Proprietário do Snowbird Ski Resort, no estado americano de Utah, estabeleceu o desafio de escalar as montanhas mais altas de cada continente.

Por ser americano, incluiu o pico mais alto de seu país, o Monte Denali (6.194 m), como parte da lista. Além disso, Richard Bass foi a pessoa mais velha do mundo, em 1985, a escalar o Monte Everest (8.848 m). O recorde de “pessoa mais velha” a subir ao Everest logo foi quebrado ao longo do tempo.

Como empresário, Richard aproveitou para enaltecer a “importância” de marcas como as que estabeleceu como o de “homem mais velho a subir o Everest” e “Seven Summits”. A importância dada a conquistar estas marcas deve-se á importância exagerada dada pela imprensa popularesca ao Guinness World Records. Bass, empresário habilidoso, soube aproveitar isso para que sua marca ganhasse relevância em detrimento de outras conquistas mais difíceis do montanhismo.

Listas oficiais Seven Summits

Oficialmente há duas listas de Seven Summits. Há a original, criada pelo empresário Richard Bass e as revisões realizadas por Reinhold Messner e William D. Hackett.

Têm-se como lista original de Richard Bass:

  • Monte Everest (8.848 m) – Nepal / China
  • Aconcágua (6.961 m) – Argentina
  • Monte Denali (6.194 m) – Estados Unidos
  • Kilimanjaro (5.895 m) – Tanzânia
  • Monte Elbrus (5.642 m) – Rússia
  • Monte Vinson (4.892 m) – Antártica
  • Monte Kosciuszko (2.228 m) – Austrália

A lista, entretanto, foi questionada por Reinhold Messner, que substituiu Monte Kosciuszko (2.228 m) e sugeriu que a montanha da Oceania deveria ser o Puncak Jaya (4.884 m) da Indonésia. Pela sugestão tratar-se do maior nome do montanhismo de todos os tempos, não houve discussão longa sobre o assunto, afinal a sugestão de Messner era a mais desafiadora e daria real importância à lista do ponto de vista do montanhismo.

Tida como uma das montanhas mais icônicas do mundo, o Mont Blanc (4.808 m) foi incluído em uma versão alternativa do Seven summits pela lista conhecida como Hackett version, que optou por incluí-la, substituindo o Monte Elbrus (5.642 m). Desta maneira há três tipos de lista de Seven Summits :

  • Seven Summits Versão Bass: Everest, Aconcagua, Denali, Kilimanjaro, Elbrus, Kosciuszko e Vinson
  • Seven Summits Versão Messner: Everest, Aconcagua, Denali, Kilimanjaro, Elbrus, Puncak Jaya e Vinson
  • Seven Summits Versão Hackett: Everest, Aconcagua, Denali, Kilimanjaro, Mont Blanc, Kosciuszko e Vinson

Há ainda quem defenda algumas dificuldades subjetivas aos Seven Summits, como realizar cada cume no inverno. Entretanto esta corrente radical e purista acabou não tendo sucesso, visto que até os dias de hoje ascensões invernais são difíceis e arriscadas. Sobretudo quando se pensa em ascensões invernais no Monte Vinson (4.892 m), que fica na Antártida, que já é conhecido por ser um lugar de clima extremo e o Monte Denali, que fica no Alasca e reconhecidamente como das montanhas de clima mais temperamental.

O corredor Kilian Jornet criou o projeto Summits of My Life, no qual subiu cada uma das montanhas correndo, estabelecendo em cada uma delas a ascensão mais rápida da história. Ao mesmo tempo o catalão também demonstrou que, mesmo com pouco equipamento (correndo no estilo light and fast) é possível realizar a ascensão das montanhas da lista. A façanha de Jornet, que foi finalizada em 2017, continua sem repetição.

Versão placas tectônicas

Como grande parte das montanhas foram formadas através de movimentos e acidentes geográficos, ocasionados na maioria das vezes por fenômenos vulcânicos e movimentações ocorridas entre as placas tectônicas situadas nas camadas internas da terra. Criou-se a partir disso a teoria de que, para ocorrer um “desempate”, o mais justo teria de ser por geologia de placas tectônicas.

Placa tectônica é uma porção da litosfera (camada sólida mais externa de um planeta) limitada por zonas de convergência, subducção e conservativas. A Terra atualmente possui 12 placas tectônicas principais e muitas mais sub-placas de menores dimensões. para realizar um Seven Summits de placas tectônicas foram levadas em consideração as seguintes placas:

  • Placa Africana – Principal placa tectônica do continente africano e abrange todo a África fazendo divisas com as placas Sul-americana, Caribeana, Eurasiática, Arábica, Indiana, Australiana e a Antártica
  • Placa da Antártica – Placa tectônica que abrange o continente da Antártida e seus oceanos circundantes
  • Placa Australiana – Grande placa tectônica que abrange os hemisférios sul e oriental
  • Placa Eurasiática – Placa que compreende grande parte da Eurásia, com exceção do subcontinente indiano, península arábica e parte da Sibéria
  • Placa Norte-Americana – Placa considerada das seis principais placas tectônicas do planeta
  • Placa do Pacífico – É a maior placa tectônica do planeta e abrange a maior parte do oceano Pacífico
  • Placa Sul-americana – Placa tectônica que abriga todo o continente da América do Sul e se estende até à Dorsal Mesoatlântica

Desta maneira, os Seven Summits mais purista, que leva em consideração as placas tectônicas seria:

  • Placa Africana -Kilimanjaro (5.895 m)
  • Placa da Antártica – Vinson (4.892 m)
  • Placa Australiana – Puncak Jaya (4.884 m)/ Kosciuszko (2.228 m)
  • Placa Eurasiática – Monte Everest (8.848 m)
  • Placa Norte-Americana – Denali (6.194 m)
  • Placa do Pacífico – Mauna Kea (4.207 m)
  • Placa Sul-americana – Aconcagua (6.961 m)

Seven Summits Hardcore

Monte K2

Como nenhum dos Seven Summits são considerados tecnicamente difíceis, foi criado por montanhistas uma versão da lista que contempla as montanhas mais técnicas de cada continente. Desta maneira criou-se um Seven Summits Hardcore, que cada vez mais ganha popularidade entre a comunidade de montanhistas profissionais.

Esta popularidade é explicada pelo fato de que, das montanhas contidas na lista, aventureiros de ocasião não arriscaria de escalar cada uma das montanhas. A lista é a seguinte:

  1. K2 (8.611 m)- Pakastan
  2. Ojos del Salado (6.983 m) – Chile
  3. Monte Logan (5.959 m) – Canada
  4. Dykh-Tau (5.205 m) – Rússia
  5. Monte Quênia (5.199 m) – Quênia
  6. Monte Tyree (4.852 m) – Antarctica
  7. Puncak Trikora (4.730 m) – Nova Guiné

Para maiores informações a respeito de preparação e expedições para os Seven Summits acesse: https://www.antisoutdoor.com/

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