Saiba qual a diferença entre Hiking e Trekking na prática do montanhismo

Na maioria das vezes que uma pessoa deseja referir-se de maneira pejorativa com relação ao montanhismo dize-se que é “apenas caminhar no mato” o que, obviamente, não é verdade. Dentro das atividades que fazem parte do montanhismo estão duas que são das mais praticadas: Hiking e Trekking. As duas palavras de origem inglesa se referem ao ato de caminhar na natureza mas possuem certas diferenças entre elas. São diferenças sutis mas que, analisadas detalhadamente, definem com exatidão o perfil de cada praticante.

Comumente no Brasil o termo trekking foi adotado largamente por todas as pessoas que praticam atividades de natureza como caminhadas ao ar livre. Já o termo hiking é pouquíssimo usado e, às vezes, é traduzido como uma simples caminhada urbana ou o próprio trekking. Este equívoco, muito comum em tradutores leigos no assunto e por jornalistas desinformados (além de igualmente leigos), tornou-se tão corriqueiro que quase não se toca no assunto em nenhum veículo de comunicação.

Hiking

Por definição o hiking é uma caminhada de curta duração, preferencialmente de poucas horas, e que não envolve nenhuma atividade de camping ou pernoite. Um hiking é, por exemplo, uma caminhada no estilo ” bate-e-volta” muito comum em parques e, à luz da razão, assemelha-se muito a um passeio contemplativo com o determinado compromisso de voltar ao ponto inicial no mesmo dia. Porém em parques que primeiramente os praticantes deixam os pertences em um refúgio, saem para caminhar e após algumas horas voltam a este mesmo refúgio é, necessariamente, um hiking.

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O grau de dificuldade, tanto do trekking quanto do hiking, não influi na definição das duas atividades. Por mais fácil, ou difícil, que seja um hiking o ato de sair do ponto A e algumas horas voltar a este mesmo ponto caracteriza um hiking. A escolha doa quantidade de paradas para comer ou descansar também não influi no conceito de hiking. Por sempre envolver deslocamentos relativamente curtos, para que possibilite a possibilidade de voltar ao ponto inicial, a atividade é considerada mais “segura”. Entende-se por segurança a noção de monitoramento da pessoa, ou do grupo, ao final da atividade. Alguém que não volta de um hiking em um determinado horário é procurada muito mais rapidamente.

Pelo menos em teoria em um hiking não é necessariamente os praticantes estarem com boa forma física. Porém na prática é sabido de todos que este tipo de teoria depende muito do grau de dificuldade do percurso a se realizar. Obviamente que uma pessoa com saúde debilitada, ou estado físico ruim, sentirá muita dificuldade em um hiking mesmo que seja curto e totalmente plano.

Foto: http://www.garminblog.it/

Foto: http://www.garminblog.it/

Na prática do hiking a quantidade de equipamentos a carregar é sensivelmente menor do que a de um trekking pois, como explicado, não haverá necessidade de pernoite e é sabido que os praticantes voltarão ao final da atividade ao mesmo local de saída. Por isso o equipamento mais comum de um praticante de hiking é a mochila de ataque, pois é leve e permite levar somente o essencial para uma atividade “bate-e-volta”.

Portanto se fosse possível fazer um resumo da atividade de hiking as melhores definições seriam:

  • Caminhadas “bate-e-volta”
  • Não há pernoite no percurso
  • Mochila de ataque (abaixo de 35 litros) pois há a necessidade de carregar pouco equipamento
  • Atividade contemplativa

Trekking

Para a prática do trekking fica implícito desde o início que o praticante irá acampar, ou dormir fora de casa (podendo ser em refúgios, albergues ou abrigos), durante o percurso que irá realizar. Por isso geralmente o percurso conhecido como trekking consiste em uma travessia como a da Serra Fina, Pedra da Mina, Caminho de Santiago, Caminho da Fé, etc.

Foto: http://lopota.ge/

Foto: http://lopota.ge/

Para um trekking é necessário que os praticantes estejam preparados para uma atividade física exigente. Não necessariamente é obrigatório que cada praticante esteja no pico de sua forma física, mas devem, pelo menos, possuir uma capacidade aeróbica boa. Por ser uma atividade que necessariamente exige pernoite em vários lugares diferentes, além da preparação de comida, o praticante irá carregar um volume de material muito grande.

Por isso é muito comum ver seus praticantes com mochilas cargueiras com alto número de litragem. Isso acontece porque o praticante de trekking carrega equipamentos para camping (barraca + saco de dormir + isolante térmico), alimentação (comida + fogareiro + panelas) e indumentária (casaco + gorro + luvas).

A prática de um trekking é geralmente feita por montanhistas mais experientes e que apreciam o contato com a natureza. Por isso é uma prática mais imersiva na natureza pois exige além da caminhada conhecimentos de navegação avançados e, obviamente, prática de camping e sobrevivência.

Portanto se fosse possível fazer um resumo da atividade de trekking as melhores definições seriam:

  • Caminhadas de travessias – geralmente realizada em vários dias
  • Há a necessidade de pernoite no percurso – muitas vezes camping
  • Mochila cargueira (capacidade acima de 50 litros) para carregar os diversos tipos dos equipamentos
  • Atividade imersiva

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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