Saiba quais são os segredos de uso de fogareiro em clima frio

Após uma longa jornada de trekking, ou qualquer outro esporte outdoor, é natural que a fome aperte e a ansiedade de cozinhar algo gostoso apareça.

Ainda mais se além de tudo estiver fazendo um tempo frio, a sensação é a de que a fome duplica, ou até triplica

A necessidade de cozinhar durante travessias como o Circuito W na Patagônia chilena, Serra Fina (considerada a travessia mais difícil do Brasil), Travessia Petrópolis-Teresópolis, etc, é inevitável o uso de fogareiro.

Nestes lugares há sempre um fator extra encontrado facilmente : o frio.

A logística para utilizar o fogareiro em regiões praianas é muito diferente para locais de montanha.

Por isso para fazer o fogareiro não falhar durante um clima frio, e no inverno rigoroso, pode resultar em uma aventura , ou um pesadelo.

Fatores como vento forte podem testar paciência de qualquer campista.

Para isso existem alguns segredos pode ser incorporados no ritual de cozinhar com fogareiro em clima frio que seguramente irá facilitar a vida no camping.

Lembre-se que para cada tipo de camping há um tipo diferente de fogareiro.

Proteção do vento

Ficar protegido detrás de grandes rochas, ou árvores, é a melhor opção para evitar com que o vento dificulte o funcionamento do fogareiro.

Caso esteja em algum lugar que esteja nevando, procure construir um pequeno muro com a neve neve.

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A barraca não é para cozinhar

Caso tenha a curiosidade de ler o manual de uso do fogareiro, qualquer modelo que esteja utilizando adverte do perigo de cozinhar dentro da barraca.

Por isso que as barracas mais adequadas para travessias e camping em lugares de clima severo possuem avanços, onde NA EMERGÊNCIA, deve ser feito o uso do fogareiro.

Fogareiro dentro da barraca deve ser a última opção de uso, pois o risco de acontecer acidentes é muito alto, e sempre há alguém desastrado no grupo.

As barracas, em geral, são fabricadas em materiais sintéticos altamente inflamáveis.

No caso que não haver outra opção, faça um pequeno buraco no avanço e verifique que tenha boa ventilação (além de incêndio há ainda o perigo de intoxicação por monóxido de carbono).

Nunca deixe de olhar para o fogareiro e procure um superfície estável.

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Escolha o melhor combustível

A melhor escolha para clima frio é o botijão de gás misturado com alta porcentagem de propano, muito menos evaporável em baixas temperaturas.

Ainda melhor se tem algum líquido como querosene, ou diesel se não tiver outra opção disponível.

Mas não esqueça de verificar se o combustível é compatível com seu fogareiro, e NUNCA despeje o seu combustível em qualquer lugar.

Um brasileiro fez exatamente isso : não verificou a compatibilidade do combustível com o fogareiro, e quando houve um revés no uso atirou combustível e fogareiro no rio. O resultado disso foi a irritação do proprietário e o fechamento do Valle Encantado (um dos melhores locais de escalada da América do Sul) na Argentina

Foto : http://www.getoutandtravel.net/

Foto : http://www.getoutandtravel.net/

Aproveita a neve

Nem sempre podemos carregar toda à água que precisamos, por isso derreter neve sempre é uma ótima opção para obter tanto água fria como quente.

Para isso (derreter neve) é necessário um recipiente largo e muita paciência. Quanto maior a panela que puder levar, maior a quantidade de água que poderá derreter.

Um detalhe importante : Quanto mais seca for a neve mais vai demorar para derreter.

Se for gelo, é recomendável quebrar em troços pequenos para acelerar o processo.

Lembre que beber muito liquido (portanto derreta muita neve) pois neste tipo de clima é fundamental se prevenir de congelamento e hipotermia.

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Poupe energia

Após derreter a neve nunca descarte o que não tenha sido usado.

Coloque a água em seu cantil e deixe-o protegido do frio.

O que você economizar pode ser usado na próxima refeição e se continuar quentinho o cantil, pode ser utilizado para esquentar a parte inferior do saco de dormir e seus pés.

Sobre o Autor

Luciano Fernandes

Luciano Fernandes

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

There are 2 comments

  1. Ricardo Teixeira

    O artigo tem um erro. Referem que o propano é “muito menos evaporavel em baixas temperaturas” o que não é verdade pois o ponto de ebulição do propano é inferior ao do isobutano e ao do butano.

    Podiam também ter feito uma distinção um pouco melhor relativamente aos fogões de combustíveis gasosos, aos de combustíveis líquidos e aos que funcionam com os dois.

    De referir também que derreter gelo rende mais água que derreter neve, visto que esta é cerca de 70% ar.

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