Saiba quais são os 5 piores filmes de escalada da historia

Existe um ditado pessimista que afirma : “Nada é tão ruim que não possa piorar”. Esta “pérola” de sabedoria pode ser aplicada a qualquer tipo de filme, música e outra forma de expressão artística. Hoje o que a população média considera de péssima qualidade em um futuro próximo pode vir a ser substituído por algo inimaginavelmente pior. Com os filmes de escalada não poderia ser diferente.

A Revista Blog de Escalada é reconhecida pelo público como a que mais se dedica à analisar, catalogar, classificar e divulgar as produções outdoor relevantes. Nesta dedicação inevitavelmente acabamos por encarar verdadeiras catástrofes em termos cinematográficos. Esta baixa qualidade não é “exclusividade” de nenhuma nacionalidade nem é medido por qualquer tipo de orçamento ou propaganda.

Limite Vertical

limite-vertical-1O filme “Limite Vertical” (Vertical Limit, 2000), estrelado por Chris O´Donnell e Bill Paxton, é quase insuperável de ruindade quando se o assunto é destacar o pior filme de escalada todos os tempos. Tanto seu roteiro quanto as suas tomadas parecem ter sido planejadas por ninguém menos que Ed Wood, cineasta americano considerado o pior de todos os tempos.

No filme o personagem de Chris O´Donnell é um jovem escalador que se afasta da sua irmã e do esporte após a trágica morte do pai.Três anos mais tarde a equipe de montanhismo da sua irmã fica presa no K2 e para salvá-los o personagem tem que organizar uma expedição de resgate.

“Limite Vertical” desafia a inteligência do espectador colocando um grande volume de situações estapafúrdias nas quais sempre faz questão de desrespeitar as leis da física, procedimentos de montanhismo e coerência de roteiro. O filme é tão fora da realidade que foi criado uma espécie de jogo entre os escaladores o qual consiste em encontrar o maior número de erros de procedimentos técnicos possível. “Limite Vertical” pode ser considerado como imbatível no quesito de ser ruim.

Um Lugar Solitário Para Morrer

Um-Lugar-Solitário-para-MorrerO filme “Um Lugar Solitário Para Morrer” (A Lonely Place to Die, 2011), estrelado por Melissa George, é um conjunto de alucinações roteirísticas com relação à psicopatia, escalada e bom senso.  O conjunto de bizarrices contidas no roteiro fez com que a produção nem passasse pelos cinemas.

A história procura contar as aventuras de um grupo de cinco montanhistas que estão no interior da Escócia e encontram uma menina presa em um poço. Ao libertar a menina o grupo acaba de provocar a fúria da máfia sérvia e inicia uma caçada humana implacável.

Rasgando o roteiro a cada minuto o filme é facilmente definido pela gíria “qualquer coisa”.  Pequenas regras que deveriam ter sido seguidas como respeitar a gravidade, geografia e técnicas verticais são ignoradas todo o tempo. O filme (que já foi avaliado aqui) é uma bofetada na cara de quem assiste e uma perda te tempo tão grande que faz o expectador odiar a si mesmo por ter optado por assisti-lo.

Caçadores de Emoção

cacadores-de-emocao-1O filme “Caçadores de Emoção” (Point Break, 2015)  é protagonizado por Edgar Ramírez e Luke Bracey e é uma refilmagem de uma produção de 1991 de mesmo nome. Se é possível realizar um elogio a respeito desta produção é que consegue manter-se fiel à qualidade da produção original, a qual é igualmente ruim, com o mesmo nível de besteirol hollywoodiano.

“Caçadores de Emoção” conta a história de um jovem agente do FBI que se infiltra em um time de bandidos especializados em esportes de ação. O grupo realiza roubos sofisticados com fugas espetaculares e o agente tem de impedir os roubos.

Para qualquer pessoa que tenha ficado incomodado com o desperdício dinheiro nos estádios na copa do mundo de 2014, é recomendável que não assista a “Caçadores de Emoção”. A produção hollywoodiana é, em poucos adjetivos, um completo desperdício de dinheiro e, ironicamente utiliza de metalinguagem em uma cena que os personagens literalmente queimam uma contêiner de dólares no ar. Perto desta produção os filmes recentes de Adam Sandler parecem mais introspectivos e culturais. O filme, já foi avaliado aqui.

Risco Total

cliffhangerO filme “Risco Total” (Cliffhanger, 1993), estrelado por nada menos que Sylvester Stallone, funcionou durante muito tempo como vitrine para jovens musculosos que procurvavam um esporte diferente.

A produção conta a história de Gabe (Sylvester Stallone) que afastou-se do esporte por se sentir culpado por um acidente de escalada. Posteriormente um outro acidente faz com que ele seja convocado para um resgate na montanha nos qual os envolvidos são bandidos terroristas.

“Risco Total” é mais um besteirol protagonizado por Stallone e escrito pelo escalador John Long (escalador famoso em Yosemite), que ficou riquíssimo com o dinheiro que recebeu e posteriormente foi “viver de renda” em Yosemite. A produção é mais um filme que abusa das “liberdades artísticas” e abusa do fato de que a gravidade seja um conceito idiota o qual é válido somente em situações convenientes.

A história é risível e previsível do primeiro ao último frame. Seguramente os verdadeiros heróis são os espectadores que aguentaram até o fim esta produção totalmente dispensável.

Escalado para morrer

eigerO filme “Escalado para morrer” (The Eiger Sanction, 1975), estrelado por Clint Eastwood, chega a ser indigno de qualquer adjetivo depreciativo, pois ele está abaixo disso. A produção está tão abaixo da crítica que foi relegado ao esquecimento coletivo.

A produção conta a história de Jonathan Hemlock, um professor universitário e ex-matador (sim você leu certo !), que é coagido por um órgão governamental fictício para uma última missão: descobrir e eliminar os dois homens em Zurique, na Suíça. Hemlock, que também é escalador, sai à procura de um deles que, convenientemente, paneja escalar a  face norte do Eiger.

Se a década de 1980 é conhecida como a década do “podia qualquer coisa” no cinema imagine o que se fazia 10 anos antes. “Escalado para morrer”  possui tantos elementos fora da realidade, com uma qualidade ruim, que fica difícil enumerar.

Somente lendo a sinopse do filme, parece ser inexplicável a realização de algo tão ruim desta natureza. A obra é totalmente dispensável do ponto de vista de história, roteiro, edição, credibilidade e atuação.

Sobre o Autor

Luciano Fernandes

Luciano Fernandes

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

There are 2 comments

  1. Rafael

    Ola Luciano, interessante essa lista.

    Só fiquei com uma duvida: pelo que pesquisei, o escalador John Long até hoje escreve livros e produz filmes/séries sobre aventura e, principalmente, escalada (fontes: https://en.wikipedia.org/wiki/John_Long_(climber) e http://sustainableplay.com/pile-of-stones/).

    E na verdade ele escreveu uma novela que posteriormente foi adaptada e usada como premissa do filme. Achei a forma como o escalador foi mencionado um pouco injusta, já que aparentemente ele não ficou riquíssimo, não “vive de renda” e nem escreveu o filme em si.

    De qualquer forma, concordo com os filmes da lista!

    Abraços

    Rafael

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