Saiba quais são as proteções fixas existentes para a prática da escalada

Na escalada em rocha existem dois tipos de proteções : fixas e móveis.

As proteções móveis foram explicadas em um artigo completo, e pode ser lido neste link

As proteções fixas possuem uma peculiaridade que merece a atenção de quem está pretendendo conquistar uma via de escalada.

Utilizados no Brasil existem 3 tipos de proteções fixas : chapeletas, Grampos “P” e Proteções de ancoragem química.

Porém, antes de prosseguir a leitura deste artigo esteja ciente de que ele é apenas para que você saiba identificar as proteções fixas existentes, e em nenhum momento dará o aval para que esteja apto a conquistar vias de escalada.

A conquista de vias de escalada é um tópico muito complexo para ser abordado em um artigo somente. Para saber como conquistar devidamente vias de escalada acesse aqui

Chapeletas

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Uma chapeleta é uma chapa de aço dobrada, que se assemelha a uma orelha humana, com espessura de 10 mm.

Este equipamento é largamente utilizado no mundo inteiro, e é considerado o mais adequado para a abertura de vias de escalada esportiva (onde há abundância de linhas negativas e tetos).

Lugares populares de prática de escalada esportiva em todo o mundo utilizam este tipo de proteção fixa, mas não necessariamente é uma regra, e sim uma convenção por parte dos conquistadores de vias de escalada.

O padrão mínimo de resistência deve ser de 22 KN, o equivalente a 2.200 kg (para entender o valor de um N acesse neste link).

A fixação das chapeletas e é feita por meio de chumbadores de expansão, que existem modelos e tipos variando de cada fabricante, cabendo ao conquistador verificar qual o mais adequado para a situação a qual será aplicada.

Para a escalada os mais indicados são os “Parabolt” e os modelos do tipo “UR”.

A instalação de uma chapeleta é relativamente simples, e por isso se popularizou amplamente pelo universo da escalada pois basta abrir um furo na rocha (geralmente utilizando uma furadeira)da mesma profundidade do tamanho ao início da rosca.

Isso porque deve ser ajeitado de tal forma que ao colocar a arruela e a porca, esta última rosqueie até o final da rosca, assim a chapa fica apoiada só no corpo.

bonierO conquistador da via deve sempre lembrar que a chapa deve estar apoiada no “liso” e não no filete da rosca do chumbador, para garantir a maior resistência possível.

No Brasil um fabricante conhecido , a empresa Bonier,  criou uma extensão da chapeleta que resiste até 3.000 kg.  O desenho se assemelha a chapeleta dobrada igualmente dos dois lados, permitindo rapel na mesma. Este tipo não possui arestas vivas, e por isso não danifica a corda.

Uma grande desvantagem da chapeleta é que por possuir “arestas vivas” impossibilita a realização de rapel.

Uma chapeleta não deve conter marcas de soldas.

Existem no mercado parabolts existem as seguintes larguras

  • 3/16″ (4.7 mm) – Resistência de cisalhamento abaixo de 800 kgf
  • 1/4″ (6.4mm) – Resistência de cisalhamento de 950 kgf
  • 5/16″ (8mm) – Resistência de cisalhamento de 1.485 kgf
  •  3/8″ (10mm) – Resistência de cisalhamento de 2.138 kgf
  •  1/2″ (12mm) – Resistência de cisalhamento de 3.800 kgf
  • 5/8″ (16mm) – Resistência de cisalhamento abaixo de 5.942 kgf
  • 3/4″ (20mm) – Resistência de cisalhamento abaixo de 8.551 kgf
  • 7/8″ (23mm) – Resistência de cisalhamento abaixo de 11.644 kgf
  • 1″ (25mm) – Resistência de cisalhamento abaixo de 15.201 kgf

Obs.: Dados obtidos a partir do fabricante de parabolts Ancora

Importante : O diâmetro mínimo do parabolt deve ser no mínimo de 10 mm (3/8″), e o buraco a ser feito na rocha de 50 ou 65 mm de profundidade (conforme modelo do chumbador).

Grampos “P”

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No Brasil foi criado pelos escaladores precursores da escalada o grampo tipo “P”, um vergalhão de aço, normalmente com um diâmetro de ½” ( 12,7 mm), com um olhal do mesmo material (às vezes em diâmetro de 3/8”) com a forma da letra “P”.

Para muitos escaladores o grampo “P” é uma solução caseira, e é cercado de discussões acaloradas entre os teóricos da escalada.

Tradicionalmente este tipo de grampo é colocado com o olhal para cima.

A partir de furos de 12 mm, estes grampos são martelados para que a pressão da rocha, e o atrito do buraco com o aço, mantenham o “P” preso à rocha.

Para conquistadores que utilizam um batedor manual, em vez de utilizar uma furadeira, usa-se pequenas chapinhas de aço para garantir a fixação dos grampos.

É muitíssimo pouco recomendado que Grampos “P” sejam utilizados em tetos ou em paredes negativas.

Ancoragens Químicas

Ancoragens-QuímicasPara rochas menos resistentes como arenito  e altamente fragmentável como o quartzito, foi desenvolvida uma solução batizada no Brasil de “proteção química”.

Esta designação se deve ao fato de que os chumbadores (fixadores do grampo à rocha) dependem de material químico para serem fixados.

Os grambos Collinox e  Bat’Inox, comercializados pela Petzl são feitos de aço forjado.

Um equipamento que não é feito de aço forjado significa que não possuem pontos de solda, pois todo o seu corpo é feito a partir de um molde.

O Collinox é feito em aço inox, com 10 m de diâmetro fixado através do uso de cola e suporta 25 kN de força de cisalhamento e 15kN de arrancamento

O modelo Bat’Inox é solução para uso em rochas como o arenito e possui  14 mm de diâmetro e 100 mm de comprimento.

Os conquistadores reclamam da dificuldade de instalação deste tipo de proteção, por ser muito trabalhosa, e que demora pelo menos 24 horas até que a cola esteja completamente seja e pronto para ser usado.

Uma outra grande desvantagem deste tipo de proteção é a baixa taxa de manutenção em caso de troca, além de todo o conjunto ser de valor elevado pois necessita de cola e pistola além do grampo.

Por ter sido mal instalada por conquistadores não experimentados, algumas proteções mal instaladas facilmente foram arrancadas e ganharam fama de serem frágeis.

Sobre o Autor

Luciano Fernandes

Luciano Fernandes

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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