Saiba quais são as 6 coisas que toda pessoa deveria saber para tornar-se atleta

Para praticar qualquer esporte em alto nível é necessário dedicação, e isso é inegável até mesmo para quem foi agraciado com algum talento acima da média dos demais praticantes. Por mais puro e absoluto que seja o talento, sem a dedicação e treinamento contínuo este ficará conhecido como a lendária sorte de principiante.

No universo de esportes outdoor há uma variação gigante de esportes e equipamentos que variam muito, mas todos possuem um denominador comum: para praticá-lo com relativo conforto é necessário realizar algum esforço atlético. O conhecimento de técnicas de execução, para atingir a eficiência de uso de energia, é conseguida com o tempo de treinamento e milhares de horas de dedicação e disciplina.

Todos se inspiram em algum atleta de elite para ter algum parâmetro e isso é ótimo, além de não ter problema nenhum. Mas é fundamental também saber que para atingir o nível que atletas de elite de qualquer esporte possuem, eles treinaram sem se importar com clima, tempo, horário e dificuldades de recursos. Estes “diferenciados” se preocuparam em criar oportunidades para si mesmos além de terem ralado até o fim de suas energias dia após dia.

Mas treinamento não é apenas o ingrediente que faz um atleta se destacar, existem outros que deve ser destacado. Veja abaixo quais os itens fazem a diferença em quem pretende tornar-se um atleta.

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Foto: https://www.expedia.com

Conhecimento da técnica

O slogan da marca de pneus para automóveis “potência não é nada sem controle” é mais do que adequada para explicar porque junto do condicionamento físico de qualquer atleta passa pelo depuramento constante da técnica e de sua execução. Na escalada uma pessoa pode possuir uma força muito grande nos braços, mas se ela gastar toda esta energia em movimentos dinâmicos, ou outros tipos de esforços que esgotam a potência muscular, provavelmente não irá chegar ao final de uma via. A mesma analogia pode ser usada para qualquer pessoa em qualquer esporte.

Apenas possuir força física acima do normal não necessariamente fará com que ela consiga ter um rendimento atlético acima dos demais. Toda força muscular é necessária, mas precisa ser dosada para ser usada nos momentos que realmente é necessária. Durante qualquer exercício físico intenso nunca se sabe se a força será exigida em sua plenitude, por isso a necessidade de economia é fundamental.

Saindo um pouco da escalada, e fazendo um paralelo com o esporte mais popular do planeta: o futebol. Um jogador treina chutar a bola em treinamento de faltas mais ou menos 2.000 por ano. Pode parecer chato para quem assiste a este mesmo jogador treinando solitariamente algo que é exigido poucas vezes (às vezes nenhuma!). Às vezes parece também um esforço inútil a outro jogador.

Mas em alguma partida importante, este mesmo jogador tem a oportunidade de cobrar uma falta que pode render a vitória de seu time. Mesmo com o estádio lotado fazendo pressão, o atleta que domina a técnica apurada, a qual treinou insistentemente, irá ter a confiança de assumir a responsabilidade com alta probabilidade de conseguir.

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Obviamente que o domínio de qualquer técnica de qualquer esporte requer anos e anos de treinamento repetitivo, e ininterrupto, para conseguir atingir a excelência. Mas ele faz a diferença quando fala-se em rendimento em alto nível.

Por isso por mais que um escalador procure tornar-se forte como o ídolo que segue no Facebook, ou algum outro site superficial que se preocupa apenas com feito de atletas, realizando treinamento de força como se fosse um Rocky Balboa, o treinamento de técnica de movimentação é fundamental. Apenas para citar um exemplo, todo campeão mundial de escalada dedica por semana várias horas somente para apurar técnicas de movimentação de mãos e pés, além de movimentar bastante o seu corpo para que seu repertório de movimentos esteja sempre aprimorado.

Um atleta acima da média dos demais sabe que sempre há algo novo a aprender, e que no momento que pensar que já possui conhecimento a respeito de tudo estará automaticamente em decadência.

Rotina de treinamento

Atletas profissionais são produtos de uma rotina. Por rotina entenda de vários tipos: treinamento, alimentação, hábitos sociais, etc. Atletas bem sucedidos são como cientistas: somam, testam, experimentam e avaliam novos métodos um a um até que algum melhore a sua performance. Para saber se algo está melhorando, ou prejudicando, a sua performance nada melhor que estar habituado a uma rotina para saber.

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Qualquer coisas que realize, e que melhore seu rendimento físico e mental, é incorporado na sua rotina diária e semanal.

Porém qualquer atleta profissional sabe que o conjunto de coisas rotineiras que faz durante um determinado espaço de tempo é que irá fazer a diferença em um dado momento.

Anos de treinamento

Muitos dos escaladores que estão se destacando no cenário mundial começaram no esporte desde os 10 anos de idade, alguns até mesmo antes. Eles sabem que foram os anos duros de treinamento contínuo, com disciplina inabalável, de força, técnica e preparação mental que fazem com que eles estejam onde estão hoje.

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Alguém que esteja querendo começar no esporte, qualquer que seja, e está acima desta idade deve ter em mente que é necessário anos de treinamento. Muito tempo saindo constantemente da zona de conforto para que se atinja um estado de excelência acima da média. Não há como fazer o tempo passar rápido, por isso é necessário respeitar o processo de amadurecimento psicológico no esporte assim como o aprimoramento físico e mental para ele.

Para estes atletas de elite cada parte do corpo durante anos foi treinada repetidamente, e de maneira orgânica, para aguentar esforços físicos que estão muito acima da média. Mesmo assim durante os anos de treinamento estes mesmos atletas aprenderam a respeitar os limites de seus corpos, procurando a cada dia fazer pelo menos 1% a mais que o dia anterior.

Esta pequena porcentagem ao longo dos anos é que fizeram a diferença e os tornaram o que são hoje.

Paixão

Você pode perguntar a qualquer atleta, de qualquer esporte, o que os motiva a seguirem rumo ao seu limite e ele seguramente não vai responder que é apenas pela fama, ou por seus pais, muito menos por algum namorado(a). Qualquer atleta de elite compete por si mesmo, e não para fazer muito melhor do que qualquer outra pessoa que se motiva apenas por motivos externos.

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Um atleta torna-se referência quando ele faz melhor do que ele já fez, e não necessariamente do que outro adversário está fazendo. Em outras palavras: um escalador motiva-se a escalar melhor, não apenas para subir mais que um outro escalador. Neste detalhe é que está toda a diferença entre um atleta que treina para escalar uma via de graduação X e outro que procura preparar-se para apurar sua performance.

Obviamente que o apoio da família, amigos e cônjuges ajudam a qualquer pessoa a passar por tempos difíceis. Mas qualquer conquista esportiva somente é alcançada quando a pessoa realmente quer, e se estiver fazendo por qualquer outro motivo, que não seja ela mesma, a vida de atleta profissional não é para ela.

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Sempre é mostrado na televisão, e canais esportivos do youtube, análises de cada atleta e críticas muitas vezes pesadas e ácidas. Este tipo de análise é feita todos os dias.

Se um atleta está mais preocupado em ficar de mimimi por conta de alguma crítica sobre sua performance, deve procurar outra atividade para fazer. Pessoas com egos sensíveis, que não aceitam críticas, e somente se preocupam em receber elogios e tapinhas nas costas não estão preparadas para serem atletas e figuras públicas.

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Qualquer profissional, de qualquer área, está sujeito a críticas todos os dias de sua vida e deve aprender a conviver com isso. Porém pessoas que estão planejando viver do esporte, qualquer que seja ele, tradicional ou outdoor, deve aprender a deixar o ego inflado e mimado em casa. Junto com cada conquista há também um enorme amontoado de críticas que a pessoa tem de saber conviver e assimilar. Não é porque alguém é atleta, ou qualquer outra profissão existente, que está acima de qualquer crítica, seja ela construtiva ou destrutiva.

Aprender a digerir críticas, e ficar com o couro grosso diante dos detratores, é que faz a diferença entre um atleta profissional e um amador. Ficar de mimimi com quem quer que seja por uma crítica, e ficar guardando rancor por isso, é atitude infantil, não de um profissional.

Alta tolerância à dor

Para chegar a fazer parte da elite de qualquer esporte, aliás de qualquer profissão, é necessário enfrentar muita coisa. Não necessariamente por ser um atleta irá somente sofrer fisicamente com contusões, cortes e cansaço físico: irá também sofrer mentalmente.

Na linguagem popular é conhecido como “engolir o choro e seguir em frente”.

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Quantos atletas são documentados nos veículos especializados como exemplos de superação? Basta lembrar que estes mesmos atletas muito provavelmente foram achincalhados em comentários destes mesmos meios de comunicação. Isso acontece porque mesmo sofrendo mentalmente estas pessoas não se abateram ou se vitimizaram diante da dificuldade. Não é porque algo não está dando certo, ou que alguma dificuldade apareceu em sua vida, que o seu objetivo deve ser deixado de lado.

Este tipo de determinação, diante de qualquer dificuldade física ou mental, é que faz a diferença e constroem atletas da elite do esporte. Todo atleta, sem sombra de dúvida, passa parte de seu tempo pensando em seus problemas pessoais, pois ele é uma pessoa normal, mas ele não se abate diante deles facilmente, encontrando caminhos mais curtos para superar todo e qualquer tipo de problema.

Se você não consegue encontrar uma maneira de ser grande quando o seu corpo e mente doem trabalhar como profissional do esporte pode não ser para você.

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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