Route Setter: Assim trabalham os profissionais da Copa do Mundo

Diretamente ligado à evolução local de uma comunidade de escaladores, os route setters vivem hoje, em todo o mundo, o reconhecimento de sua importância. Da mesma maneira que os técnicos de futebol vivem glórias quando a equipe que treina torna-se vitoriosa, a outra face da moeda também existe. Quando a equipe começa a perder recorrentemente partidas, perdendo visibilidade e relevância no cenário local, regional e nacional, acaba sendo o bode expiatório. A importância deste profissional, que deve estar constantemente em estudo e renovação, é indiscutível.

Para saber se um route setter responsável por campeonatos está atualizado com os conceitos modernos, basta fazer uma comparação entre os resultados dos campeonatos que trabalha com outros. Caso os resultados sejam muito discrepantes, é um evidente indício de que esta tomando um rumo diferente e, muito provavelmente, defasado. Esta definição foi feita por Tomislav “Tomo” Česen, escalador esloveno com 40 anos dedicados à escalada e montanhismo e um dos route setters de vias guiadas na Copa do Mundo de Escalada do IFSC. “A arte de ser route setter é uma das coisas mais importantes. Se as vias são ruins, tudo mais é ruim” afirma Tomislav.

No vídeo “The Secrets Behind IFSC WC Kranj Route Setting” (assista ao vídeo no topo do artigo), o experiente escalador explica como desenvolve o trabalho com os outros route setters em uma competição internacional. No vídeo estão também as opiniões de Christian Bindhammer, empresário alemão e ex-competidor de campeonatos de escalada e Miha Hribar. Em ambas as declarações que um bom route setter além dos conhecimentos técnicos, que não são poucos e passa longe de critérios políticos, deve possuir uma boa imunidade à conflito de interesses (preferência a um interesse secundário no resultado de determinada ação).

No vídeo, o mítico muro de Kranj, na Eslovênia (país que tem revelado os principais atletas do mundo), é mostrado como foi o encontro com os principais route setters do planeta, em um encontro já considerado indispensável no calendário internacional da Copa do Mundo de Escalada em vias guiadas.

Curso para route setter IFSC

Os primeiros passos podem variar muito, pois dependem de onde vive o escalador. Geralmente uma pessoa que deseja tornar-se um route setter, deve ser um estudioso em movimentação de atletas, além de ter boa percepção de graus de escalada. Este tipo de aprendizado, infelizmente, somente adquire quem vive intensamente o esporte. Portanto, é necessário ter muita experiência em ginásios de escalada. Preferencialmente em vários locais ou países, trabalhando como elaborador de vias (não somente como atleta).

Esta abordagem filosófica parece ser a linha que o IFSC estabelece. Para se certificar como route setter, é levado em conta muito mais do que simplesmente o grau de escalada que a pessoa já realizou. Este motivo é facilmente explicado por ser o grau de escalada um fator muito subjetivo, que sequer serve para medir a atitude de uma pessoa perante a comunidade. O grau de escalada sequer chancela domínio de conhecimento do esporte, entre outros aspectos. Portanto, um profissional que é certificado pelo IFSC, garante (ao menos em teoria) que as filosofias e conceitos defendidos pela entidade serão seguidos à risca.

Por este motivo é que um route setter certificado pelo IFSC sabe de antemão que tipos de estilos serão usados em uma temporada. Por isso que há muitos profissionais, que atuam com route setters de campeonatos, que utilizam conceitos ultrapassados e obsoletos de vias e linhas de boulder. Neste aspecto, portanto, é que reside a importância da certificação. Por isso, quanto mais obsoleto são os conceitos de um route setter em alguma região, pior será a colocação dos escaladores que participarem em competições internacionais.

Nestes cursos tem como requerimentos possuir pelo menos dois anos de experiência comprovada na função de route setter, possuir no mínimo cinco anos de experiência com escalada e habilidade de escalar no mínimo 7c brasileiro (7a francês) e boulder V6 em vários estilos. Lembrando que esta exigência seria o equivalente a uma “nota de corte”, da mesma maneira que é utilizada para vestibulares e concursos públicos. Esta nota de corte serve também como parâmetro para que, caso alguém tenha ambição de ostentar o título de route setter, possa receber um curso do IFSC.

O curso de route setter do IFSC possui vários níveis. Por este motivo, os interessados devem saber para que tipo de certificação receberá e para que estilo. Geralmente o curso limita a oito vagas, onde ele é realizado. Além, claro, de saber falar inglês, que é mandatório. O curso custa em média € 1.200,00 (R$ 5.392,00). Este foi o último valor anunciado para um curso oficial realizado na cidade de Calgary, no Canadá, em março deste ano. O curso, em média, dura três dias e é realizado em dois períodos.

Um bom recurso para quem deseja acompanhar a abertura de vagas para estes cursos é o “World Climbing“, que faz este tipo de treinamento para IFSC.

Para saber mais sobre como tornar-se um route setter certificado, acesse: http://blogdescalada.com

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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