Impressões sobre “La Buitrera / Piedra Parada” – Patagônia Argentina

Escalar em “Piedra Parada / La Buitrera” é uma aventura que nunca se esquece.

O local é extremamente isolado, e longe de toda e qualquer civilização.

Ficando lá você está totalmente “fora da matrix”.

É o perfeito lugar para quem quer sumir da face da terra.

Apesar de haver um camping pago (que custa 8 pesos argentinos) ainda não possui o básico : banheiros, provedoria e etc.

Na verdade fica-se na sua barraca fazendo um camping selvagem no quintal do proprietário. Do outro lado do rio, orientado pelo “Guarda-parque” pode-se acampar selvagem gratuitamente.

Por economia de dinheiro escolhemos a última opção.

Dentro do Cânion “Las Buitreras” tem-se a sensação de como somos pequenos. Ao ficar caminhando pelo lugar, somos cercados por paredes de 200 metros de altura, que se estendem de maneira sinuosa por 6 kilometros. Uma beleza impressionante e imponente.

As possibilidades de vias a serem abertas são infinitas. Sem exagero, por lá cabem mais de 1000 vias sem a menor dificuldade.

Hoje há por lá cerca de 60 vias, que estão divulgadas por um guia de escalada que se encontra facilmente pela internet. Porém muitos destes guias contêm desenhos em perspectivas erradas, graus de vias equivocados que divergem de versões dos croquis impressos.

São vias negativas e atléticas. Possui os conhecidos agarrões de rocha vulcânica, mas exige controle mental e físico do escalador. Todas as vias são com chapeletas, com Maillon nas paradas.

Por lá um volume de pedras caindo é muito grande, tornando assim o capacete um item fundamental para não obter surpresas. Não pense em ir sem capacete, SEMPRE há alguma pedra caindo, seja pelo vento seja por algum escalador.

A grande maioria (95%) das vias possuem cerca de 30 metros. Sendo conquistadas sempre de baixo para cima, torna arriscado e de risco desnecessário escalar com uma corda que não seja de 60 metros.

Para ir para Lãs Buitreras o recomendado é ir de carro. Algumas pessoas com poder aquisitivo grande alugam carros e arriscam ir. Mesmo assim é difícil : são cerca de 80km somente de terra, e completa ausência de postos de gasolina no caminho.

Há muita dificuldade de acesso, e ir de ônibus somente às quintas feiras pela companhia Jacobsen. O Coletivo sai sempre às 9:15 da cidade de Esquel até Paso Del Sapo e retorno passando pela Piedra Parada por volta das 16:00. Durante o percurso sempre para para que alguém suba a ele, com isso toma-se cerca de 3 horas a viagem.

Caso se perca somente de carona em uma estrada com média de passagem de um carro por hora.

A cidade mais próxima é Gualjaina, que não possui posto de gasolina. Assim em caso de emergência, ir até Esquel (150km) pode ser a opção para abastecer. Os supermercados (auto-serviço) de lá não possuem grande variedade de produtos alimentícios, e possuem um preço bem salgado. Na cidade de Gualjaina possui um banco com rede “link” que permite sacar dinheiro.

O clima é outro fator que faz com que “La Buitreras” seja um local não indicado a pessoas acostumada com grandes confortos. Sempre a umidade relativa do ar é bem baixa, deixando sempre pele e lábios bastante ressecados.

Há dias em que faz calor imenso, porém há dias que faz muito frio. Não chega a ser muito estável, e às vezes imprevisível. Porém há um fator que não tinha enfrentado em vias esportivas : o vento forte.

Na maioria dos dias há vento por lá.

A variação é de forte a fraco. Durante o dia (ou noite) de vento forte é praticamente impossível escalar.

Os ventos chegam a 80km/h facilmente, e um ótimo exemplo para ilustrar foi um dia em que vi costuras em chapeletas de um teto ficar em até ângulo de 45º com o vento.

Com isso algumas barracas que são indicadas para um camping na praia, chegam a praticamente entortarem suas varetas.

O local, mesmo com todos os “porém” é fantástico. Os graus são bem fortes, e não se deve menosprezar mesmo um 5 º grau.

Reza a lenda dos escaladores locais que aquele de vai com muita soberba escalar por lá acaba voltando com grau mais baixo.

O que levar:

  • Saco de Dormir para conforto em 0º
  • Lenços umedecidos
  • Capacete
  • Corda de 60 metros (ou mais)
  • Malha Rápida ou mallon
  • Barraca preparada para suportar ventos de alta-velocidade
  • Casacos preparados para vento
  • Purificadores de água
  • Fogareiro
  • Protetor Solar
  • Repelente para insetos
  • Indumentária de inverno
  • Carregador Solar
  • Headlamp
  • Canivete suíço ou faca
  • Óculos Escuro

Produtos Testados

Barraca Apolo Guepardo : com seu design mais moderno, a barraca foi fundamental nos dias de muito vento, chegando até mesmo a não tremer energicamente com os ventos fortes. Os avanços da barraca foram fundamentais para cozinhar em dias de muito vento e frio.

Windstopper Solo : Não consigo imaginar escalar ou fazer trilha por lá sem ele. Mesmo em dias de frio, com vento forte (que abaixava , e muito, a sensação térmica) não comprometeu.

Carregador Solar Greenline Guepardo : Foi fundamental para os dias de descanso em que era desejável uma música no acampamento. Por possuir sol o tempo todo, o carregamento das baterias solares eram muito rápidas, o que garantia jantares com música nos mp3 players. Em breve publicaremos um vídeo do desempenho deste equipamento

Saco de Dormir Trilhas e Rumos: O saco de dormir, que tinha temperatura de conforto por volta de 5º, nos dias de muito frio deixou um pouco a desejar. Senti que fazia frio no exterior, e não sentia “quente gostoso” dentro do saco. Não chegou a comprometer, mas preocupou.

Liofoods : Tinha grande expectativa com esta comida, porém me decepcionei. Por sorte teríamos uma outra comida na “despensa”, e não passamos fome. Com instruções muito confusas, um rótulo mal escrito e um rendimento que deixou MUITO a desejar. Na minha opinião é um produto ruim. Em breve publicaremos um vídeo do desempenho deste equipamento

Clorin : Foi um dos produtos que se tornaram fundamentais durante a estadia lá. O rio Chubut quando chegamos estava com águas meio turvas. Mesmo depois de um período clareando a água, sua aparência era suspeita. Não tivemos problema de intoxicação em nenhum dia graças a este produto. Em breve publicaremos um vídeo do desempenho deste equipamento

Meias Lorpen – As meias não foram usadas em caminhadas longas, mas serviram para esquentar em dias , e noites, frias. As meias esquentaram bem os pés durante a noite, e ajudaram a suportar vento e frio em dias de escalada.Em breve publicaremos um vídeo do desempenho deste equipamento

Nalgenes – Um item que considero fundamental em toda e qualquer viagem que faço são as minhas garrafas Nalgene. São inquebráveis, não deixam gosto nem cheiro e sempre são práticas para carregar.

HeadLamp Petzl Tikka plus 2 – Durante a noite, em dias de lua nova, a escuridão assusta. O rendimento da headlamp foi fantástico. Iluminando cerca de 30metros adiante, e com outras opções de luz, foi imprescindível para a locomoção à noite.

Óculos Julbo Explorer – Nos dia de sol, e ainda assim muito vento, os óculos foram fundamentais para conseguirmos chegar ao cânion. O óculos além de proteger os olhos do sol, também protegeu das nuvens de poeira.

Sobre o Autor

Luciano Fernandes

Luciano Fernandes

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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