Reflexão científica da capacidade atlética : Quanto tempo posso ficar sem escalar para perder a força ?

A escalada é um esporte muito ingrato, todos sabem, e nos referimos a isso quando, por algum motivo, temos de nos afastar do esporte. Qualquer que seja o motivo : lesão, estudo, trabalho, família, etc. Após isso sente que, no momento que volta, perdeu toda a sua força e resistência.

De certa maneira  é como começar novamente. A partir desta realidade procuramos conhecer os tempos de que cada escalador sentiu perder algo como 50% de sua força/resistência. Esta pergunta é bastante subjetiva e capciosa, porque dependerá de muitos fatores que analisaremos a seguir.

Após uma pesquisa que disponibilizei na internet obtive um espaço amostral de 272 pessoas que responderam da seguinte maneira :

É importante definir o que chamamos de perder 50% da força/resistência e de que maneira podemos medir isso. Se considerarmos a força máxima como o máximo peso que pode levantar em uma só repetição, devemos dizer que, a menos que tenha uma enfermidade neurológica, não deveria´se perder mais de 40 a 30% depois de 15 meses sem nenhuma atividade. Portanto, já começamos considerando a teoria dos 50% furada.

A resistência pode ser algo mais objetivo, pois é possível na escalada perder uma porcentagem considerável de força resistência ao deixar de treinar. Isso é evidente de notar em escaladores que faziam 15 barras e, depois de 6 a 12 meses de inatividade, não conseguem mais de 7/8 barras. Entretanto este tipo de dado é necessário analisar mais profundamente, pois claramente em mulheres a força absoluta, em geral, é muito superior à sua força máxima, e treinando de maneira muito sistemática podem se superar em muito o valor. Mas ao deixar de escalar voltam ao seu estado basal.

Na realidade é que sua força e resistência nunca deveriam baixar de valores significativamente além de quatro semanas de inatividade, especialmente no que se refere à neuroplasticidade, coordenação neuromuscular e estrutura física músculo-tendíneo. É notório que em muitos artigos sobre destreinamento, um dos fatores que mais se perde é mai o componente mental do que o físico. Existe na grande maioria dos casos uma fadiga mental a qual induz a não render como antes.

Sempre é fundamental saber qual a situação física e os ciclos de treinamento os quais se interrompe a escalada. Não é o mesmo que um novato que está no 5º grau depois de três meses de ter começado que um outro que escala 9c que custou vários anos de treinamento intenso. Claro que há exceções e que após alguns meses, alguns escaladores possam manter-se no mesmo nível sem problemas.

Mas por outro lado é importante saber que há metabolismos que quando são supra estimulados fazem maravilhas, mas estes mesmos sistemas (por exemplo Fosfocreatinquinasa ou Creatina Quinase) podem diminuir suas reservas em 50% depois de sete dia de inatividade e isso, para certos escaladores, é a diferença entre passar o crux ou não.

O assunto é mais extenso do que uma simples pesquisa pode apontar, mas nos abriu um campo novo para pesquisar e logo aparecerão artigos de destreinamento, os quais, alguns poderão tirar conclusões interessantes e, claro, outros nem tanto.

Tradução autorizada : http://www.rocanbolt.com

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Sobre o Autor

Gonzalo 'Gonzo' Riobbo

Gonzalo ‘Gonzo’ Riobbo

Gonzo Rocanbolt é chileno, médico, escalador e indiscutivelmente uns dos mais completos autores de artigos sobre treinamento de escaladores existentes no mundo. Respeitado em todo o mundo é o organizador do Simpósio de Medicina de Montanha no Chile e palestrante de eventos de escalada no Chile, Argentina e Espanha

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