Questões de ética cercam escaladores no Everest

Desde o primeiro registro de mortes no Everest, em 1922, 233 pessoas perderam a vida tentando alcançar o pico mais alto do mundo.

Com a maior experiência dos organizadores de expedições e o desenvolvimento dos equipamentos, a taxa de fatalidades diminuiu.

O aumento do número de pessoas escalando o Everest, porém, significa que 70 mortes ocorreram desde 2000, incluindo dez neste ano.

A situação mais mortal ocorre quando um grande número de escaladores decide tirar vantagem do clima favorável e tentar subir o pico de uma vez. Isso pode levar a congestionamentos de duas horas ou mais, especialmente no lado sul, mais popular.

Foi o que aconteceu quando Leanna Shuttleworth, 19, e seu pai, Mark, começaram a subir o Everest neste mês. Cerca de 200 outras pessoas tiveram a mesma ideia; seis delas perderam a vida.

“Havia corpos presos nas linhas fixas, e tivemos de contorná-los”, relatou depois Shuttleworth. “Um casal ainda estava vivo.”
Ela descreve o encontro com um homem que pensou estar morto. “Enquanto passávamos, ele levantou o braço e nos olhou”, disse. “Ele não sabia que tinha alguém ali. Ele estava quase morto. Estava morto quando nós descemos.” O guia que os acompanhava conseguiu salvar uma das pessoas ainda vivas que eles encontraram.

O debate sobre ética no Everest recrudesceu desde 2006, quando cerca de 40 alpinistas passaram por um britânico morrendo sem parar. Uma semana depois, um montanhista norte-americano e sua equipe desistiram da escalada para coordenar o resgate de um australiano abandonado. Ele sobreviveu.

No final de semana da escalada de Shuttleworth, um alpinista israelense, Nadav Ben Yehuda, carregou uma mulher em suas costas por oito horas até um local seguro.

Então, os Shuttleworths deveriam ter parado e tentado ajudar? Não há orientação formal para os alpinistas, e não sabemos o risco que isso poderia ter trazido às suas próprias vidas.

Mas pode ser correto, nas palavras dos líderes montanhistas Chris e Simon Holloway, que os alpinistas “sigam até o topo, enquanto há gente morrendo atrás deles?”.

Ben Yehuda, um ex-soldado, descreveu sua decisão de parar como “automática”. Para outros, claramente não é. Em uma época em que subir o Everest virou uma forma de turismo radical aberta para qualquer um com US$ 10 mil, a vida humana vale menos que realizar uma ambição pessoal?

 

Fonte : http://noticias.bol.uol.com.br/entretenimento/2012/06/02/questoes-de-etica-cercam-escaladores-no-everest.jhtm

Sobre o Autor

Luciano Fernandes

Luciano Fernandes

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é aficionado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema” e jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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