TRX ou treinamento de suspensão: O que é (e o que não é) este sistema

Primeiramente, antes de qualquer conclusão a tirar, deixo para avisar na primeira frase do primeiro parágrafo deste artigo: para fazer treinamentos de qualquer tipo ou qualquer esporte consulte um educador físico. Somente um profissional devidamente capacitado e formado por qualquer instituição de ensino superior em Educação Física é quem pode designar a você uma série de exercícios em qualquer aparelho.

Portanto este artigo tem somente o objetivo de trazer o conhecimento de um aparelho que está sendo largamento usado em academias de todo o mundo. A introdução deste aparelho foi implementada por profissionais que frequentemente se atualizaram em cursos de aperfeiçoamento profissional. Por isso, mesmo que tenha um técnico no esporte que pratica, verifique se ele se atualizou nos últimos 24 meses. Aproveite para verificar se o mesmo também tem conhecimento do uso de qualquer aparelho que está sendo usado como novidade onde treina.

Dito isso, fica no ar a pergunta: você já ouviu falar sobre o TRX? Já escutou falar de treinamento em suspensão?

O objetivo deste artigo é exatamente isso: apresentar esta novidade que grande parte dos treinadores contemporâneos está implementando.

O que é TRX?

O aparelho conhecido como TRX é um aparelho criado por Randy Hetrick, a partir de fitas de paraquedas e costurado a mão. A ideia surgiu da experimentação de utilizar polias na reabilitação física de seus clientes. Grande parte de sua clientela era de marinheiros.

A sigla significa Total-body Resistance Exercise (Exercício de Resistência do Corpo Inteiro) e quando foi criado, tinha como principal preocupação em ser um aparelho minimalista, podendo ser levado para dentro de um navio (onde o espaço é mínimo quando em alto mar). O seu funcionamento é relativamente simples e Geralmente pesa pouco mais de 1 kg. Parte de sua praticidade está em poder ser fixado em alguma estrutura fixa, como cabeceira de camas, galhos de árvore, etc.

O TRX é baseado no treino de força estática, promovendo a estabilização das articulações e proporcionando bons resultados porque transforma o peso do corpo em resistência variável. Além isso é um aparelho indicado para treinamento individual ou em grupo e permite às pessoas escolher o nível de dificuldade dos exercícios modificando a posição do corpo.

Por ser uma excelente ferramenta de treino funcional, foi rapidamente absorvido por treinadores de montanhistas e escaladores mais atualizados com a novidade no mercado.

Entretanto um aviso é válido: TRX é uma marca registrada, por isso irão existir alguns produtos “genéricos” com a mesma filosofia de funcionamento, mas com nomes diferentes. O que é mais importante de saber é que o treinamento em suspensão, feitos com aparelhos TRX ou genéricos, são importantes.

Por que o TRX é útil para montanhistas e escaladores?

A esta altura da vida, não importa o tempo que pratique um esporte, deve saber que um técnico de escalada é muito mais que alguém que aponta as agarras para você. Com isso deve saber que os treinadores mais atualizados do planeta, que sempre frequentam simpósios e workshop de treinamento específicos para o esporte, utilizam fundamentos de treinamento funcional para seus atletas.

O treinamento em suspensão é uma maneira de treinamento funcional (que trabalha prioritariamente com o peso do corpo) que trabalha com a propriocepção (também chamada de cinestesia). A propriocepção é a capacidade de reconhecer a localização espacial do corpo, posição, orientação e a força exercida pelos músculos. Em linhas gerais é a “consciência corporal” que muitas pessoas afirmam ser importantes para a prática esportiva. A consciência corporal permite a manutenção do equilíbrio postural e realização de várias tarefas práticas no exercício.

Como o aparelho de TRX exige uma constante luta com o equilíbrio corporal, é uma excelente alternativa para exercícios múlti articulares e, segundo os profissionais que trabalham com o aparelho, todos os músculos do atleta (agonistas e/ou estabilizadores) participam de cada exercício.

Talvez o grande destaque, para todo tipo de atleta, é o trabalho que realiza no Core por conta da instabilidade em manter-se em uma determinada posição. Lembrando que para todo e qualquer atleta, de qualquer modalidade, possuir um “Core de aço” é fundamental para uma boa performance no esporte.

Por ser muito compacto, permite aos atletas praticar os exercícios na própria casa. Esta comodidade tem uma ressalva: consulte um profissional de educação física para que lhe forneça uma planilha de treinamento. Não saia fazendo exercícios a esmo em casa.

Como iniciar com o TRX?

Inicialmente peça à gerência da academia onde treina que adquiram um aparelho de TRX. Além disso, verifique se os treinadores do local possuem conhecimento no uso do aparelho. Isso porque o local possuir um aparelho que ninguém o usa e nem sequer o treinador possui conhecimento é desperdiçar dinheiro.

Lembre-se que treinadores que se reciclam constantemente em simpósios e workshops específicos para treinamento já sabem o que é um TRX. Portanto se o seu treinador estiver muito preso a conceitos de treinamento de escalada com mais de 20 anos de existência, poder ser a hora de você procurar um outro treinador ou local.

Antes de começar a usar o TRX tenha em mente que, para qualquer tipo de aparelho e novidade, há uma curva de aprendizagem. Não espere que o aparelho faça milagres em curtíssimo espaço de tempo. Milagres não acontecem em nenhum tipo de treinamento. Saiba que em treinamento esportivo não há mágica. Por isso procure iniciar com posições mais verticais, as quais são menos exigentes, para concentrar em executar com técnica adequada.

Somente quando a técnica de realização do exercício estiver dominada e internalizada é que o atleta pode ir iniciando a posições mais horizontais.

O treinamento com TRX pode ser utilizado de diversas maneiras (aquecimento, descanso ativo, final do treinamento, intensivamente, etc), cada qual dependendo do tipo de microciclo, mesociclo e macrociclo que o atleta alinhou com o seu treinador.

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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