Qual o real perigo de colocar o dedo dentro de uma chapeleta e escalar de anéis

Se você é um escalador relativamente experiente responda : Quantas vezes viu uma pessoa, morrendo de cansaço e medo de cair, colocar o dedo dentro de uma chapeleta para segurar-se ?

Se por um acaso respondeu “não”, saiba que, infelizmente, é bastante comum. Este tipo de recurso, seguramente, é somente utilizado por quem não teve um instrutor de escalada que explicasse de maneira incisiva os perigos deste ato desesperado. Por ser um ato frequentemente realizado por quem acredita que não vai acontecer nada, este artigo tem este objetivo : informar a quem que possui esta prática ou para aquele escalador que desconhece os perigos deste ato.

Colocar o dedo dentro de uma chapeleta ou no olhal de um grampo “P” não deve sequer ser tentado por qualquer que seja o escalador. Este tipo de prática, além de uma péssima ideia, pode resultar em uma avulsão do dedo. O termo, na verdade, significa literalmente rasgar. Este tipo de fratura, se não danificar o dedo severamente a ponto de ser amputado, é tratada após uma série de cirurgias delicadas e que fará a pessoa passar por recuperação com longas sessões de fisioterapia.

Há ainda a possibilidade de ter o dedo decepado (sim, você leu certo, cortado fora !) no caso de uma queda mais violenta.

dedo_chapeleta

Alguns escaladores iniciantes, muito provavelmente sem muita informação, procuram sempre utilizar recursos artificiais para não caírem. Ter medo, ou pânico, de cair é natural em praticantes de qualquer nível de experiência. Esta “artificialização” da escalada, segurando com chapeletas e grampos, é responsável por vários acidentes que resultam em perda total ou parcial do dedo. Por isso caso haja a necessidade de “apelar” a uma técnica de escalada artificial, opte por NUNCA colocar o dendo dentro de uma chapeleta. Prefira perder uma costura, ou mosquetão, mas nunca um dedo da sua mão.

Faz parte das boas práticas de escalada, especialmente por parte dos instrutores e guias, orientar tanto alunos como pessoas próximas que nunca realize este procedimento, No caso de presenciar alguém realizando, ou mesmo tentando, imediatamente (não importa seu grau de proximidade ou intimidade) explique pacientemente que não repita. Informe à pessoa que, caso não tenha ocorrido nada de grave, ela poderia perder o dedo e que, muito provavelmente, ficaria muito tempo sem escalar e realizar outras atividades que dependesse das mãos.

dedo-chapeleta-capa

Abaixo estão alguns links fotos “educativas” do que pode acontecer caso alguma pessoa insiste na prática de enfiar dedos dentro de chapeletas. Fique avisado de que são imagens fortes de ferimentos sérios e reais (não há tratamento de imagem).

Anéis e alianças

Escalar de anéis e alianças é também uma prática que pode eventualmente levar à perda dos dedos. O perigo não é tão latente quanto colocar o dedo em uma chapeleta, mas ele existe e deve sempre ser evitado. Por isso quando for escalar converse com seu cônjuge (noivo(a), marido, esposa, namorada, etc) e explique o perigo para justificar porque está retirando a aliança para escalar.

Há vários escaladores que colocam as alianças em um colar, para dizer que está com a aliança sempre com ele.

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Por isso adote a boa prática de SEMPRE retirar as alianças e anéis antes de escalar e, se possível, alertar as pessoas à sua volta que faça o mesmo. O comediante americano e apresentador de talk show Jimmy Fallon fraturou sua mão em um acidente doméstico no qual quase perdeu seu dedo.

O acidente foi em um simples escorregão na cozinha de sua residência, mas serve de ilustração de como é perigoso, em uma eventual queda na escalada, o anel ficar preso em algum cristal ou entalado em um buraco.

Sobre o Autor

Luciano Fernandes

Luciano Fernandes

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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