Qual a diferença entre Orientação e Corridas de Aventura?

Foto: http://www.cop.org.br

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Sempre vejo algumas pessoas e textos da Internet tratarem Orientação e Corridas de Aventura como se ambas fossem a mesma coisa, o mesmo esporte.

Acredito que esta confusão acontece no Brasil porque as duas práticas não estão muito presentes na cultura, na mídia, nas escolas e universidades, motivo pelo qual as informações disponíveis não chegam ao conhecimento da maioria das pessoas.

Ao analisar as origens, a forma de participação, a maneira como são conduzidas as provas, os mapas, e os equipamentos utilizados, podem os distinguir claramente as duas práticas.

Foto: Antoniela Marinho

Foto: Antoniela Marinho

O primeiro a surgir foi a Orientação, em 1850, nos países escandinavos, como forma de entretenimento para tropas militares, e o primeiro evento desportivo aconteceu na Noruega em 1897.

No Brasil, foi introduzida por militares, na década de 1970, e em 1971 aconteceram as primeiras competições militares. Atualmente este esporte é praticado em 78 países, e inclusive, com grande participação do público civil. No Brasil hoje existem mais de 15000 atletas filiados á Confederação Brasileira de Orientação (CBO).

A história relata que o primeiro evento de Corrida de Aventura aconteceu em 1980 na Nova Zelândia, denominado corrida “Coast to coast”, e foi uma corrida multidesportiva praticada em meio á natureza.

No Brasil, a Corrida de Aventura começou a ser praticada em 1998, por iniciativa do empresário Alexandre Freitas, que criou a Sociedade Brasileira de Corridas de Aventura (SBCA), a qual organizou a Expedição Mata Atlântica, evento pioneiro de Corrida de Aventura no país, que teve duração de três dias e percurso de aproximadamente 220 km.

Segundo as regras da Federação Internacional de Orientação (IOF) e Confederação Brasileira de Orientação (CBO): “Orientação é um esporte no qual os competidores navegam de forma independente através do terreno. Os competidores, auxiliados somente por mapa e bússola, devem visitar no menor tempo possível uma série de pontos de controle marcados no terreno.

Foto: Ana Matukima Lins

Foto: Ana Matukima Lins

O percurso, definido pela localização dos pontos de controle, não é revelado aos competidores antes de suas partidas.”

Os mapas são geralmente de escala grande (1:4000 a 1:15000) e são elaborados conforme as Especificações Internacionais para Mapas de Orientação (ISOM), as quais são rigorosamente seguidas por todos os eventos oficiais.

A IOF reconhece quatro disciplinas para o esporte Orientação: Pedestre, em Mountain Bike (MTB-O), em Esqui, e de Precisão (para pessoas com necessidades especiais).

Foto: http://www.cop.org.br

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Estas disciplinas geralmente não são praticadas simultaneamente em uma mesma prova.

A distância percorrida em uma competição da principal disciplina, a Orientação Pedestre, geralmente tem em torno de 3 a 15 km de acordo com a categoria, e a duração da maioria das provas tem tempo estimado entre 12 minutos e 1 hora e 40 minutos, com duração máxima aproximada entre 50 minutos a 4 .

A Corrida de Aventura é realizada no ambiente natural, e é um esporte multidisciplinar no qual em cada evento são praticadas modalidades esportivas diferentes como Mountain Bike, Treeking, Canoagem e técnicas verticais.

A participação é em duplas ou equipes, as quais tem que encontrar determinados pontos de controle com auxílio de um mapa que é habitualmente uma carta militar (com escala em torno de 1:25000 até 1:100000), e também pode ser uma fotografia aérea, ou outro tipo de informação geográfica definida pela organização das provas.

A logística de um evento de Aventura é bastante complexa, exigindo o uso de diversos equipamentos, e elevando assim o custo financeiro para os participantes. A distância percorrida pode variar de aproximadamente 50 a 600 km, e a duração pode ser de um até 15 dias.

Foto: Déa Cajú

Foto: Déa Cajú

 

Ambas as modalidades são praticadas no ambiente natural, fundamentadas na navegação terrestre, utilizam a bússola, e têm locais de passagem obrigatória (pontos de controle) em seus percursos.

Porém apesar dessas semelhanças, estes esportes tiveram origens distintas e desenvolveram suas características próprias, diferentes em sua essência, por sinal.

Foto: Antoniela Marinho

Foto: Antoniela Marinho

Antoniela Marinho é Bióloga, Orientista e diretora de Marketing do Clube de Orientação Potiguar (COP).

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