Estudo procura estabelecer protocolo ideal para aclimatação em alta montanha

Um estudo realizado pelo Exército dos EUA tem como objetivo definir qual seria o protocolo ideal de aclimatação. Este protocolo seria para saber qual o momento ideal de fazer testes de resistência em alta montanha. O estudo está sendo realizado porque, como muitos devem saber, subir uma alta montanha é uma atividade que exige muitos cuidados e planejamento. Por mais bem preparação fisicamente esteja o montanhista, o processo de aclimatação pode fazer com que toda esta mesma preparação vá por água abaixo.

Por isso mesmo que planejar ir às montanhas, especialmente com altitude acima de 3.000 metros acima do nível do mar, não é uma tarefa tão simples. Há um período que é conhecido como aclimatação. Montanhistas mais experientes declaram abertamente que se a aclimatação não fosse necessária, as ascensões seriam mito mais fáceis. Grande parte das pessoas que vão a alguma montanha com altitude considerável maldiz este período de adaptação.

Foto: http://knowi.es/

Tratando-se de tática militar, na qual um soldado deve estar preparado para algum tipo de combate ou resgate, também é uma questão crucial. Especificamente para o exército norte-americano, que frequentemente faz intervenções militares em locais como Afeganistão, Paquistão, entre outros lugares, que possui interior montanhoso. Saber mais detalhadamente sobre o tema de aclimatação, é fundamental para que em uma eventual batalha o soldado tenha o máximo de rendimento.

A otimização desse cálculo é a motivação para um estudo de pesquisadores liderados por Robert Kenefick, do U.S. Army Research Institute of Environmental Medicine (Instituto de Pesquisa de Medicina Ambiental do Exército dos EUA), localizado na cidade norte americana de Natick. O estudo foi publicado na Medicine & Science in Sports & Exercise, revista médica, criado em 1969, revisada que cobre pesquisas em esportes e ciência do exercício.

A principal pergunta que a pesquisa procura solucionar é: para uma pessoa que está acima de 4.000 metros acima do nível do mar, é melhor chegar quantos dias antes? Para a pesquisa foram estudados 66 voluntários que realizaram uma série de testes individualizados. Em um destes testes era subir uma esteira rolante com inclinação acentuada, uma distância de aproximadamente 8 km instalada no Laboratório em Pikes Peak (estado norte-americano do Colorado). O U.S. Army Research Institute of Environmental Medicine’s Maher Memorial Altitude Laboratory é um dos principais centros de estudos sobre comportamento humano em altitude.

Logo após este primeiro teste, todos foram acampar na região do laboratório, onde fica o Pikes Peak National Forest. Os voluntários foram divididos em quatro grupos, nos quais cada um acampou em três altitudes diferentes: 2.500, 3.000 e 3.500 e 4.260 (localização do laboratório).

Um estudo anterior do mesmo grupo descobriu que passar seis dias a 7.200 metros, melhorou significativamente o desempenho após uma ascensão rápida a 4.260 metros. Esta abordagem é conhecida como encenação. Como ninguém quer fazer uma aclimatação de seis dias, muito menos o exército norte-americano, o estudo foi obter uma metodologia que encurtasse este tempo, fazendo os soldados irem mais rápido e mais alto.

Infelizmente, ao menos para os montanhistas que gostariam de obter um resultado concreto, o estudo não obteve conclusão significativa. Porque, afirma o estudo, ficar por dois dias de 2.500 a 4.300 metros, com ou sem atividade diária, não melhorou a SpO2 em repouso, nem as respostas ao exercício SS, nem o desempenho TT em 4.300 metros. Ou seja, ainda a “arte” de aclimatação é muito empírica e o que resolve para uns, não necessariamente resolve para outras pessoas. Além disso, como comprovou o estudo, não tem fórmula mágica ou receita de bolo.

Para saber mais sobre o estudo: https://www.ncbi.nlm.nih.gov

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