Princípios de treinamento físico com cargas progressivas

Sentados em um canto de um ginásio de escalada entra uma pessoa perguntando por mim. Era um senhor de 40 a 50 anos, com um óbvio estado físico de sobrepeso.

Estava além do sobrepeso com o ego inflado. Ele me pergunta que posso fazer em seu dedo, o qual acaba de estalar enquanto estava escalando um boulder montado para uma competição. A minha resposta é de sou route setter e treinador e que a média e escaladora era minha esposa, que estava sentada ao meu lado.

Ela prontamente decide atuar de maneira altruísta e filantrópica e já faz as recomendações a cumprir (as quais logo se via que a pessoa não tinha nenhuma intenção de cumprir). Logo depois de despedir-se o senhor me diz: “perguntei diretamente a você no início porque foi você quem montou o boulder azul que me lesionou”.

Minha esposa é amigável e filantrópica e eu não. Eu seria mais um misantropo (aquele que odeia a humanidade), mas sou respeitoso e fiquei com a boca aberta, logo pensei: é algum novato que tentou um boulder para intermediário”. Portanto não há surpresas com o resultado de sua aventura por estes graus.

Esta pequena história acima ilustra bem o princípio que trataremos neste artigo, que é o “princípio de carga progressiva”.

Introdução

O mestre Weineck (autor de livros de treinamento físico) afirma: O princípio de carga progressiva se deduz da relação proporcional entre carga, adaptação e o aumento do rendimento (para dúvidas vide página 73). Segundo este princípio as exigências planejadas ao atleta têm de aumentar de forma sistemática, dependendo da preparação física, coordenação, técnica tética intelectual e da vorça de vontade (Thiess/Schnabel/Baumann, 1980, 34).

E complementa: “O aumento da carga tem que dar-se com os movimentos correspondentes, levando em conta a idade cronológica (idade com relação à data de nascimento), a idade biológica (idade segundo o grau que se manifestam os indícios biológicos da idade) idade de treinamento (período desde o início de treinamento regular) e o nível de capacidade de rendimento esportivo.

Manno (1994) afirma que “testemunha-se que um estímulo de nível constante e não suficientemente intenso perde rapidamente seu efeito de treinamento, razão pela qual o treinamento deve prever estímulos em aumento progressivo de maneira a introduzir a menos adaptações a níveis elevados. Geralmente isso se produz mediante o aumento das quantidades e as intensidades de cargas (aumento da frequência de treinamento, duração da sessão, percorrido em km, número de repetições de um exercício, número de séries, etc.).

Como é na vida real

Foto: Three Peak Films / The Circuit Climbing | http://threepeakfilms.com/

Agora este princípio bate de frente (assim como todos os princípios) com as pessoas que seguem receitas preestabelecidas nos livros de moda. Livros estes que sem um mínimo de conhecimento em anatomia, fisiologia e do esporte propriamente dito (como é o acaso descrito no início do artigo) deixa a entender que basta seguir alguma “receita de bolo”. Pessoas que tem este hábito, de ler orelhas de livros ou resumos de estudos, correm sério rico de entrar em overtraining ou uma lesão.

Lembrando que uma lesão pode levar um atleta a parar por um tempo ou, nos piores casos, abandonar o esporte. Recentemente presenciei um atleta que se lesionou em 2015, recuperou-se e voltou a lesionar-se poucos meses depois de voltar. Posteriormente se recuperou, mas acabou voltando a lesionar-se. Isso fez com que parasse de praticar o esporte. Mas neste período o qual ficou separado, começou a ficar correndo uma quantidade de quilômetros exagerados para uma pessoa que nunca corre. E adivinhem?

Sim, novamente lesionou-se! Mas desta vez a um nível próximo de fratura por uso intenso. Mas o que aconteceu? Lendo uma entrevista que concedeu a um veículo, disse que sua esposa lê bastante sobre nutrição e é quem o assessora nestes “planos mágicos de preparação”.

Não todos os casos são como este descrito, mas recentemente tive a oportunidade de treinar um corredor de montanha que voltava de férias e nos disse que devemos ser mágicos, porque ele não voltou mais a sentir dores nas pernas. Inclusive estava melhorando tempo/distância constantemente.

A conclusão disso tudo é um conselho bem básico: confie na ciência, nos princípios básicos científicos e no trabalho de treinadores. Não confie cegamente em atletas, pois seu rendimento não é igual ao dele. Devemos ser responsáveis em ter e analisar o conhecimento, mas também ser inteligentes, artistas, pesquisadores e ampliar ou diminuir nossas ideias sobre as propostas de treinamento para avançar em algo.

Bibliografia

  • Weineck J. (2005). Entrenamiento Total. Paidotribo. Barcelona, España.
  • MsC. Adalberto Collazo Macías Lic. Nelson Betancourt Alvelaez (2006). Teoria y Metodología de Entrenamiento Deportivo, Instituto Superior de Cultura Física “Manuel Fajardo” Ciudad de La Habana.
  • Thiess, G., Schnabel, G. and Baumann, R. (1980). Training von A bis Z., Berlin Sportvelang

Tradução autorizada de: http://elementerytraining.blogspot.com.br

Vicente Calles é equatoriano, escalador e personal trainer

Comente agora direto conosco

Comment moderation is enabled. Your comment may take some time to appear.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.