Princípios de gravidade e movimento na escalada

Qual é a maior diferença entre a escalada e o esqui? A forma como cada esporte usa a gravidade. O movimento é criado de maneira diferente nos dois esportes. Quando esquiadores se comprometem com descer uma grande inclinação, o movimento é criado pela própria gravidade.

Sua intenção é equilibrar seus corpos nos esquis e usar a gravidade para criar o movimento. A escalada vai contra a gravidade. Quando escaladores se comprometem com a escalada, a gravidade os puxa para baixo e para o movimento.

Escaladores devem escalar de uma forma que crie movimento. Eles fazem isto sendo intencional na forma de como eles escolhem se mover.

Foto: http://www.roland-hemetzberger.de/

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Temos um bloco de exercícios de movimentação que ajuda os alunos a se moverem intencionalmente. Eles aprendem a criar um movimento que lhes permite confiar em seus corpos e diminuir a interferência mental.

Para atingir isto, eles precisam trabalhar com a gravidade de forma distinta dos esquiadores. O movimento não se trata empilhar um monte de movimentações individuais juntas. O movimento é criado quando permitimos que nossos corpos fluam pelas movimentações individuais, conectando-as.

Devemos atingir dois objetivos para criar movimento: confiar no corpo e diminuir a interferência mental.

Confiar no corpo significa que entramos e exploramos seu conhecimento inato de movimentação. O corpo sabe como manter o equilíbrio. Mesmo quando estamos em posições estranhas durante a escalada, o corpo nos direcionará a agarras de mãos-e pés para podermos estar equilibrados.

Foto: http://eveningsends.com/

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Já discutimos isto na lição passada, onde seguimos a forma como os olhos nos direcionavam. Usamos a primeira agarra que nossos olhos avistavam.

O segundo objetivo é diminuir a interferência mental. A mente precisa de tempo para pensar. Se fizermos movimentações individuais, a mente terá muito tempo para pensar sobre cada uma. Fazemos um movimento, paramos e pensando sobre o próximo, e depois o realizamos.

Isto faz com que paremos e andemos com frequência, interrompendo o movimento. Para diminuir o pensamento devemos escalar continuamente. Fazer isto muda a situação mais rapidamente, e assim a mente tem mais dificuldade de tardar em cada passo, criar dúvida e interferir com o movimento.

“Continuamente”, no entanto, não significa rapidamente. O objetivo é mudar a situação com maior velocidade. Portanto, dar pequenos passos funciona melhor para criar uma escalada mais contínua do que escalar mais rápido. O objetivo é mover o corpo para que ele se mantenha no processo.

Dando pequenos passos e escalando um pouco mais rápido do que o normal é o bastante para manter o corpo no processo. A mente precisa de tempo para analisar a situação, e é o que ela faz se ficarmos em posições estáticas. Ao mudar a situação com mais velocidade, não damos à mente uma oportunidade de ficar presa em qualquer posição estática.

Foto: http://www.crimpvids.com/

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Recentemente eu apliquei este exercício em Sand Rock, no Alabama, em alunos de uma Universidade local. Eles eram iniciantes, sem muita confiança. A parte de cima da rocha era negativa.

Os alunos duvidavam de suas habilidades de escalar através dela. Ao fazer com que eles criassem um compromisso de escalar continuamente, quase todos os alunos conseguiram passar a parte negativa da rocha. A técnica de alguns era terrível, gastando mais energia do que era necessário, ou pisando alto demais. Mas não estávamos interessados na técnica perfeita.

O que eu queria era que eles tivessem a experiência da sensação de comprometer-se com a escalada quando a mente lhes dizia o contrário. Eles poderão aprender uma técnica melhor outro dia.

A escalada contínua é um exercício poderoso para o treinamento mental, pois ele leva os alunos além das dúvidas que os deixam presos em suas zonas de conforto. Somente encontrando formas de seguir agindo, quando a mente quer desistir, é que percebemos o que é possível para nós.

Um objeto em repouso tem a tendência de manter-se em repouso; um objeto em movimento tem a tendência de permanecer em movimento. Quando escalamos, precisamos permanecer em movimento para criar um ritmo.

Criamos um ritmo quando escalamos continuamente. Ao fazer algo tão simples quanto escalar continuamente, confiamos no corpo para escalar e diminuímos a interferência mental. O movimento não é criado ao alinhar o corpo com a força da gravidade, como no esqui.

Ele é criado quando temos a intenção de escalar um pouco mais rápido e de dar pequenos passos.

Dica prática: Escalada contínua

A maioria dos escaladores escala muito lentamente. O objetivo de escalar continuamente é criar movimento. O movimento é mais do que movimentações individuais colocadas juntas.

Estes passos individuais devem fluir entre eles. Mova-se continuamente entre as paradas e descansos.

Escale um pouco mais rápido do que o normal, mas mantenha a ênfase no movimento contínuo em vez da velocidade.

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O livro “The Rock Warrior Way – Mental Training for Climbing” está à venda traduzido para a língua portuguesa no Brasil em: http://www.companhiadaescalada.com.br/

Tradução do original em inglês: Gabriel Veloso

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