Praticar boulder iluminado somente pela aurora boreal – Como é escalar na Islândia ?

Escalar um boulder iluminado somente pela aurora boreal e debaixo de um céu cheio de estrelas. Um feito que qualquer escalador com mínimo interesse pela natureza gostaria realizar. Especialmente popular como destino turístico a partir de 2010, após a erupção do vulcão Eyjafjallajokull, é cada vez maior a quantidade de “propaganda” sobre a Islândia. Seja um programa na televisão, pelas muitas pessoas que dizem ter vontade de visitar o país ou pelo rápido sucesso que a equipe nacional de futebol teve durante sua participação na Euro Champions, essa pequena ilha no atlântico norte ganhou muita notoriedade nos últimos anos.

A promessa de aventura ao visitar o país já começa na chegada, especialmente se por via aérea. Os fortes ventos que cruzam a península de Reykjanes no momento do pouso, e o fato de ser pleno dia ainda que de madrugada, garantem um emocionante “velkomin” (bem-vindo em islandês), logo nos primeiros momentos.

Foto : Daniel Paulino

Islândia é um país que sempre esteve muito isolado, além de historicamente ter enfrentado diversos momentos críticos e de natureza diferente, desde crises políticas à desastres naturais. Isso pode ser uma das razões pelas quais a sensação geral de companheirismo e ajuda mútua entre os locais é bastante notável.

Ao viajar pela ilha, para escalar ou apenas visitar, não é difícil notar a receptividade dos habitantes, que sempre estão dispostos a ajudar ou simplesmente jogar conversa fora.

O país é considerado um dos mais caros do mundo pra morar, e ainda que o preço das passagens tenha diminuído e seja mais fácil chegar até lá, segue sendo bastante caro viajar dentro desse pedacinho de terra. Com intenção de diminuir os gastos de viagem, meios “alternativos” se popularizaram entre alguns viajantes/aventureiros. Não é difícil encontrar caroneiros por toda a ilha, ainda que seja mais comum ao sul, justamente a zona mais turística e disputada.

Foto : Daniel Paulino

Além disso, é frequente encontrar a jovens com suas grandes mochilas e tendas de acampar, aos quais nada preocupa encontrar um teto para dormir, já que o camping selvagem está permitido, desde que respeitando os limites de até 3 tendas por um máximo de uma noite em áreas não cultivadas. Outra opção é pedir para acampar no quintal de alguma casa próxima, obviamente com permissão prévia do dono!

No que diz respeito a escalada não é fácil encontrar detalhes sobre como chegar, graduação, linhas existentes e etc. O site concentra boa parte da informação sobre a maioria dos setores já explorados da ilha, porém, não é incomum encontrá-lo offline. Também há de se contar com o fato de que não raramente um setor que parece promissor se mostre um pouco decepcionante, já que a pedra muitas vezes não é compacta, ou o clima simplesmente não permite escalar.

Foto : Daniel Paulino

Ao princípio isso pode parecer especialmente frustrante para o escalador mais viciado, mas viajar pela Islândia é tão surpreendente que todos os percalços se tornam meros detalhes. Se perder pelos cantos mais selvagens da ilha é uma experiência enriquecedora e inspiradora, e proporciona escalar ao lado de paisagens que fazem sentir como dentro de um quadro do Dali.

Do norte, mais especificamente dos fiordes do oeste, onde se encontra a zona de Vaðalfjöll, uma espécie de conglomerado de rocha basáltica, passando pelo centro da ilha em uma zona chamada “Highlands”, onde o vento não deixa de soprar e o horizonte está delineado por alguns dos maiores glaciares da Europa, até o sul, a parte mais popular e turística do país pela exuberância, magnitude e facilidade de acesso aos pontos de interesse, e onde se encontra a zona chamada Stoksnes.

Foto : Daniel Paulino

No final das contas, existem zonas de escalada por toda a ilha, cada uma com um cenário mais espetacular que a outra. Atravessar rios, caminhar por glaciares, viajar no tempo dentro de uma vila viking, praias de areia negra, montanhas imponentes à beira do oceano, vulcões, cachoeiras que não acabam, gêisers, aurora boreal, tudo parece selvagem e um convite à aventura, e buscar os pontos secretos para escalar não é diferente.

Islândia definitivamente não é um paraíso para escaladores, mas há de se dizer que são poucos os lugares do mundo onde se pode praticar o esporte rodeado de tão única e espetacular beleza.

Foto : Daniel Paulino

Foto : Daniel Paulino

Sobre o Autor

Daniel Paulino Nogueira

Daniel Paulino Nogueira

Fotógrafo entusiasta brasileiro, natural do Rio de Janeiro, com especial interesse pela temática de aventura e esportes de ação. Escolheu a Catalunha, mais precisamente Barcelona, como base oficial, onde desenvolveu alguns de seus primeiros movimentos na fotografia, como a exposição “Vibe” de Montaña, realizada na sala Deu Dits em 2015. Seu maior incentivo é explorar lugares e culturas menos comuns, o que o leva a situações autênticas e muitas vezes inesperadas. No momento, vive em Kidafell – Islândia, onde pretende desenvolver seu próximo projeto fotográfico, retratando o potencial da ilha para prática de esportes “outdoor”, bem como sua cultura única.

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