EUA propõe novo sistema de pontuação em competições

Na semana passada os EUA anunciaram uma série de novas regras que foram aplicadas no USA Climbing 2018 Bouldering Nationals (Campeonato de boulder dos EUA). As novas regras pontuam de uma maneira diferente das utilizadas pelo International Federation of Sport Climbing (IFSC) e, segundo os idealizadores, são mais “justas”, pontuando quatro zonas de cada linha de boulder no lugar dos tops e bônus.

O debate sobre o sistema de pontuação não é novo. Muitas pessoas, dentre todas as alegações, reclamam que o sistema criado pelo IFSC é “injusto”, abrindo margem para muita discussão. No Brasil, por exemplo, o sistema de pontuação adotado por muito tempo era uma interpretação de uma versão já existe. A iniciativa brasileira não foi seguida por nenhuma outra federação no continente.

Foto: http://www.thecircuitclimbing.digital/

Sistema EUA x Sistema IFSC

As competições de boulder debatem a respeito do que seria “justo” ou “injusto” sobre o sistema de pontuação atual. Basicamente, pelo sistema atual, somente é levado em conta o número de boulders encadenados e o número de agarra bônus alcançadas por cada escalador. O número de tentativas serve apenas como critério de desempate.

O uso de agarras bônus permite que alguns escaladores, muitos sem recursos técnicos, realizem botes e saltos para alavancar sua pontuação. Esta forma de pontuar competições de boulder provocou situações consideradas “injustas”, além de resultados aleatórios. A pontuação estabelecida pelo IFSC é aplicado em vários outros campeonatos nacionais na Europa.

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O USA Climbing 2018 Bouldering Nationals foi realizado com uma nova proposta de pontuação, que visa valorizar mais o desempenho individual de cada atleta. Cada linha de boulder proposto aos atletas é dividido em três zonas. Durante a tentativa o escalador recebe 5, 10 ou 15 pontos caso alcance cada zona específica. Os atletas que encadenam recebem a pontuação máxima de 25 pontos.

Além disso, os atletas que não conseguirem na primeira tentativa (escalada à vista) tem um decremento de 0,1 pontos.

Na competição americana, vencida por Nathaniel Coleman (masculino) e Alex Puccio (feminino), houve uma diferença entre a pontuação obtida na categoria feminina. A atleta Alex Puccio, que obteve 79,6 pontos (sistema EUA) ou 2t6 4b4 (sistema IFSC). Pelo sistema do IFSC, Puccio teria obtido o terceiro lugar. As outras atletas que dividiram o pódio foram Ashima Shiraishi (70 pontos / 2t2 4b4) e Brooke Raboutou (69,8 pontos / 2t4 4b4).

Pelo sistema do IFSC Ashima e Brooke se beneficiaram por terem atingido os top’s (topo da linha de boulder) em duas linhas. Mas Alex Puccio, que conquistou seu décimo título nacional, se beneficiou por ter ficado muito perto de encadenar todas as vias que tentou, apesar de ter necessitado mais tentativas para encadenar os dois que chegou ao topo.

Portanto, os organizadores, além de analistas das mídias especialiadas, concluíram que o novo sistema de pontuação dos EUA favorece aos escaladores que “escalam mais” e se esforçam ao máximo em todos os boulders. Este esforço extra garante um crédito de pontos, mesmo que não atinjam o topo. Em contrapartida o sistema do IFSC favorece aos escaladores mais precisos e que possuam boa leitura da linha. Desta maneira estes escaladores, precisos e boa “visão de jogo” necessitam de poucas tentativas para chegar ao topo.

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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