Quais são os principais cuidados que os escaladores devem ter com seus pés

Não existe escalador na face da terra que não tenha reclamado uma vez na vida de suas sapatilhas de escalada. Os motivo são muitos: má qualidade do calçado, tamanho mínimo, falta de higiene, ergonomia, genética, etc. Portanto, é importantíssimo o escalador (a) tomar alguns cuidados básicos com os pés para conseguir escalar com mais frequência.

A importância deste cuidado tem uma justificativa simples: são eles que você usa para se locomover, ficar na posição vertical e outras funções básicas dos bípedes.

Anatomia

Para entender que tipo de “manutenção” e cuidados devemos fazer aos pés, é necessário entender a sua anatomia. A introdução de um tema destes já começando com algo tão técnico tem uma justificativa: Todos que praticam esportes deveriam entender um pouco de anatomia e fisiologia.

O entendimento destas disciplinas é tão importante quanto saber matemática.

Tecnicamente falando, o pé humano, considerando que começa no dedão e vai até o calcanhar, é uma complexa estrutura mecânica com 26 ossos, 33 articulações, mais de 40 músculos, ligamentos e tendões, além, claro, das unhas. Basicamente um pé se divide em três partes:

  • Antepé: formado pelos dedos, com 14 falanges e cinco ossos do metatarso. O antepé é estendido quando o pé suporta o peso do corpo.
  • Parte média: Possui cinco tarsos (escafoides, cuboides e três cunhas). Em anatomia, chama-se tarso à parte superior do pé dos mamíferos.
  • Retropé: Possui os dois tarsos restantes: calcâneo e astrágalo.

Este complexo mecanismo, com estes nomes complicados fazem parte do pé. Mas o mais importante para quem pratica esporte é:

  • “Planta do pé”: A parte do pé dos bípedes que assenta no solo. Possui maior densidade de terminações nervosas que qualquer parte do corpo, oferecendo mais sensações que as mãos.
  • Calcanhar: A expressão vulgar para o osso calcâneo
  • Tornozelo: A articulação do pé com a perna

Mas e para a escalada?

Para saber qual tipo de cuidado um escalador deve ter com seus pés, é muito importante ser qual parte dos pés são mais usados na escalada.

Quem está por começar a escalar, inevitavelmente possui um repertório de movimentos de pés ruim. Não há nenhum mal nisso, afinal todos começaram sem saber nada e foram evoluindo com o tempo.

Após a explicação no item acima, sobre anatomia do pé, agora é importante saber como usá-los corretamente na escalada. Dependendo da inclinação da parede, algumas partes dos pés são usadas mais que as outras.

  • Aderência: Em uma escalada em aderência, onde geralmente a parede é levemente positiva, o antepé é bastante exigido. Não há uma exigência grande de sensibilidade, mas o tendão de Aquiles e a panturrilha são exigidos nesta posição.
  • Academia: A escalada em academia exige que o escalador use muito mais a ponta do pé, que permite o giro sobre o apoio dos pés. Por não exigir uma precisão grande, se comparado à rocha, a escalada em academia permite uma sapatilha de escalada menos justa. Entretanto, o uso de calcanhar e técnicas como o “foot hook” são mais exigidos, fazendo com que não somente a sola ou os dedos sejam exigidos.
  • Vertical e Negativo: O formato de sapatilha côncavo determina que o peso do corpo fique na ponta dos pés, especialmente nos dedões. Portanto a resistência da unha do dedão do pé é altamente exigida. Além disso, pela variedade de tipos de agarras, o pé é exigido além do normal, pois a sapatilha de escalada já é mais apertada que o normal, além de exigir repertório de movimentos de pés bastante amplo.

Calçados

Todo e qualquer calçado têm como função primária proteger os pés do meio ambiente. As sapatilhas de escalada são projetadas para facilitar ao escalado ter mais precisão, aderência e estabilidade. Como uma sapatilha de escalada irá dar uma “apertadinha” nos seus dedos, para que fiquem juntos e lhe ofereça mais precisão, procure saber qual a forma deles.

Da mesma maneira que para escolher tênis de corrida é necessário entender que tipo de pisada possui, assim como o formato da planta dos pés, a mesma ciência se aplica no momento de escolher sua sapatilha de escalada. Seu amigo, ou técnico, podem ter indicado um modelo e marca apropriados para um tipo de pé diferente do seu.

Por isso mesmo que a pessoa tenha feito uma viagem por algum lugar e experimentados todos os modelos de sapatilhas de escalada que encontrou e formulou alguma teoria própria, ela se aplica aos pés dele, não aos seus. Por isso preste atenção aos seus pés antes.

Mesmo que tenha lido em algum lugar, ou algum “xerifão” da sua bolha social tenha dito regra diferente, são os calçados que têm de adaptar-se aos seus pés, não o contrário.

Na Revista Blog de Escalada há um artigo completo sobre escolhas de sapatilhas de escalada. Para lê-lo acesse aqui.

Unhas encravadas

A onicocriptose, conhecida popularmente como unha encravada, é uma inflamação que ocorre no dedo quando a borda lateral é ferida pela unha. As causas variam desde cortes errados das unhas, calçados apertados (como uma sapatilha de escalada) e traumas no local. A enfermidade normalmente atinge os pés provocando inchaço, rubor, dor e até mesmo formação de pus.

Uma unha encravada é um dos maiores inimigos do escalador, porque a necessidade de usar sapatilhas apertadas contribui para o desconforto muito maior. A unha encravada acontece porque a pele forma uma barreira contra o crescimento da unha. Mas como a unha continua a crescer, começa a perfurar a camada da epiderme e derme.

Existem duas unhas encravadas:

  • Unilateral: Somente um canto da unha está perfurando a pele e ocasionando a inflamação
  • Bilateral: Ambos os lados da unha estão inflamados

A melhor maneira de tratar o aparecimento de unhas encravadas é procurar um podólogo ou mesmo frequentemente ir a uma pedicure. Quanto mais a pessoa insistir em ela mesma cortar e tratar sem acompanhamento especializado, pior ficará a situação. Entretanto há alguns paliativos para aliviar a dor, caso a pessoa esteja afastada da civilização, em uma expedição ou mesmo longe de casa. Este paliativo consiste em mergulhar os dedos em bacia de água morna durante cinco a dez minutos, uma ou duas vezes ao dia, para reduzir a inflamação.

Uma outra técnica paliativa é aplicar mistura de água com sal e tampar o dedo afetado com uma gaze, deixando atuar durante toda a noite. Na mesma tática pode ser esfregando gentilmente uma fatia de limão-siciliano na área afetada.

Uma outra tática é aplicar óleo de eucalipto, o qual alivia a dor e previne infecções na unha.

Os medicamentos comumente indicados para o tratamento de unha encravada são (lembrando que se automedicar é um erro):

  • Cetoconazol (antibiótico)
  • Neosporin (antibiótico)
  • Naproxeno (anti-inflamatório)
  • Mupirocina (antibiótico)
  • Povidine (antisséptico)
  • Caso o paciente tenha dores, Tylenol, Paracetamol e Ibuprofeno (analgésicos e anti-inflamatórios)
  • Lidocaína (pomada anestésica)

Lembrando que as informações contidas aqui têm apenas a intenção de informar, portanto jamais se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico.

Onicomicose

Foto: http://dica-truques.blogspot.com.br

Onicomicose é o termo médico para o fungo (mycosis) das unhas (onycho). Os fungos são organismos microscópicos que não necessitam da luz solar para sobreviver, portanto estando sempre com calçados fechados, este tipo de patologia acontece com facilidade. Os fungos “atacam” a unha do dedo do pé, e destroem a unha.

A maioria dos pequenos problemas das unhas passa sem tratamento. Mas situações como fungos das unhas devem ser tratadas corretamente. Lembrando que uma infeção fúngica da unha não irá sumir sem intervenção medicinal.

O tratamento mais utilizado para curar os fungos na unha do pé, é através do uso de cremes, loções ou soluções, de aplicação direta na unha, que contenham substâncias antifungicas, tais como o Fluconazol, Terbinafina ou Itraconazol. O tratamento dos fungos na unha do pé demora muito tempo, dependendo essencialmente do tempo que a unha demora a crescer e a ser substituída. Pode levar vários meses, e até um ano.

Há algumas práticas paliativas para a Onicomicose, porém, ainda não existem quaisquer estudos que comprovem que essa teoria é verdade.

  • Vinagre: Despejar o vinagre sobre a unha doente. Se não tiver melhoras, o mais indicado será em procurar outra alternativa, porque essa pode não estar a ser eficaz.
  • Alho: O alho possui fortes propriedades antifúngicas e antimicrobianas. Coloque dentro de um frasco de esmalte branco, 3 dentes de alho picados, entre 4 a 5 gotas de limão e 5 gotas de iodo branco. Deixe a mistura atuar durante cerca de uma semana, no recipiente. Aplicar após o período de maturação APENAS na unha afetada.

Calosidades

Foto: http://doctorfeet.com.br

O termo médico para o espessamento da pele, que forma calos e calosidades, é hiperqueratose. Um calo se refere a uma área mais difusa, achatada de pele grossa. Uma calosidade é uma área de espessura. Calos, também têm um aspecto seco, ceroso, ou aparência translúcida. É importante que o tratamento para calosidade seja feito por quem entende, como os podólogos.

Há um Tratamento para Calosidades específico para cada calo, portanto cabe ao escalador procurar um podólogo de confiança para saber qual o cuidado necessário.

Para o escalador a formação de calos e calosidades é a perda de sensibilidade da área, fazendo com que prejudique o desempenho em vias exigentes e delicadas.

Joanete

Joanete é uma espécie de calombo ósseo que surge no pé. O diagnóstico de joanete é feito diretamente na consulta com seu médico, sendo que a especialidade mais indicada para tratar de joanetes é a ortopedia.

Para evitar o aparecimento de joanetes é fundamental que o escalador fique o menor tempo possível com as sapatilhas. Pode parecer óbvio, mas muitas pessoas têm o costume de na academia utilizar o calçado todo o tempo. Uma boa prática para quem deseja evitar ao máximo joanetes é que, nos treinos, utilizar sapatilhas de escalada mais largas. Deixar para apenas utilizar os modelos mais apertados no momento de um projeto de longa data.

Um paliativo que existe para evitar o aparecimento de joanetes é utilizar esparadrapos, especialmente do tipo micropore. Há ainda o tratamento caseiro que é mergulhar os pés em água morna (que promove relaxamento muscular) para aliviar a dor e ativar a mobilidade dos pés. Fazer este procedimento por meia hora, uma vez ao dia.

O óleo de lavanda possui propriedades analgésicas e anti-inflamatórias, e, por isso, é um remédio caseiro muito popular para o tratamento de joanetes. O óleo essencial de lírio branco é conhecido por aliviar dores nos músculos e articulações, e pode ser comprado em casas de produtos naturais.

Tecnicamente falando existem dois tipos de joanete: Hallux valgus (também pode ser chamada de joanete do primeiro metatarso) e Joanete de Sastre (também conhecida como joanete de alfaiate).

  • Hallux valgus: É caracterizada por uma protuberância, muito semelhante à um osso saltado, que aparece nas proximidades do maior dedo do pé, principalmente em sua base.
  • Joanete de Alfaiate: Elevação óssea na região do dedo mindinho do pé, com mais frequência na base

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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