Quais são os perigos objetivos e subjetivos na escalada em rocha

Todo escalador sente medo ao escalar uma via. Isso é um fato. Mas esta realidade de maneira nenhuma deve ser motivo para sentir vergonha. Obviamente que a “quantidade” de medo e sentimentos de pavor e pânico, variam de um atleta para outro. Quanto mais dedicado a treinamentos, especialmente se treina a sua escalada à vista, além de ter afiada concentração, fazem um escalador controlar os impulsos de desistir de uma via.

Por isso mesmo que escaladores mais experientes sempre compartilham histórias pessoais de acidentes que aconteceram uma vez, ou outra, no esporte. O medo de que acidentes aconteçam, ou voltam a acontecer, faz com que o praticante esteja mais propenso a evitar algumas situações. Mesmo com o trauma na cabeça, não se deve deixar de escalar. Por isso é fundamental que o praticante saiba identificar os perigos existentes.

Perigo Subjetivo

Os perigos subjetivos são previsíveis e, por isso, evitáveis. Dependem inteiramente do fator técnico da atividade que está sendo exercida e, obviamente, de nossa atitude que tomamos diante dela.

Estes riscos são facilmente neutralizados e controlados por uma série de medidas que estão a nosso alcance. Medidas estas tomadas antes, durante e depois da atividade. Mas quais medidas poderemos tomar para minimizar os perigos subjetivos?

  • Utilizar equipamento adequado (não improvisar ou apostar em algum que deveria ser aposentado)
  • Planejamento adequado da atividade exercida: que hora começa, dura e termina a atividade
  • Preparação física apropriada para o desafio
  • Conhecimento técnico prévio, tanto de procedimentos quanto de manuseio de equipamentos
  • Racionalidade e lucidez de tomada de decisões e resolução de problemas
  • Capacidade de comunicação e interpretação de linguagem corporal
  • Domínio das emoções para refletir e solucionar assuntos ou esclarecer problemas

Estes fatores são conhecidos comumente por “estar preparado” para uma atividade. Não somente de escalada, mas em todas as áreas de atuação do indivíduo. É facilmente identificável que um escalador não está preparado para uma atividade quando se preocupa mais em esconder um eventual acidente, do que efetivamente entender o que aconteceu. Um bom escalador não se mede pelo grau de dificuldade da via que escala, mas pela habilidade de fazer uma avaliação da maneira correta, na qual prevalece o bom senso.

Quando menos preparo o escalador é, mais provável de acontecer um acidente. Como é difícil mensurar esta probabilidade, é por isso que o perigo é chamado de subjetivo, pois é pertinente ou característico de cada indivíduo. Um dos fatos mais curiosos a respeito do perigo subjetivo, além de ele ser imensurável e perceptível, é que quanto mais seguro que está o indivíduo de que está preparado, menos seguro ele está. Isso acontece porque é a sua incompetência que o restringe da habilidade de reconhecer os próprios erros e debilidades.

Perigo subjetivo

Os perigos objetivos são menos previsíveis, por isso, ironicamente, temos pouca chance de evita-los. Na natureza sempre existem forças, ou circunstâncias, imponderáveis (que não se consegue medir) e fora do controle humano. Suas manifestações podem ser em forma de chuva, ventania, desprendimento de pedras, avalanche, picadas de cobra, proteções rompidas, etc.

Todas as ocasiões descritas estão além do controle e planejamento humano. No entendo, muitas vezes é possível controlar-se e minimizar este risco a partir da prevenção. Entenda por prevenção a suspensão de planos por causa de uma previsão do tempo desfavorável, histórico de proteções em manutenção em um lugar, comunidade escaladora omissa (caracterizada por esconder acidentes de modo infantil), etc.

Enfrentando o perigo

Filosoficamente falando, viver é enfrentar riscos todos os dias. A capacidade de aceitar esta realidade, além de não ser paranoico a respeito disso, é que faz com que uns sejam mis bem-sucedidos que outros. Para exercer qualquer atividade, temos de aceitar a probabilidade de que eventualmente iremos sofrer algum dano. Nosso próprio controle mental sobre esta probabilidade, dependerá da proximidade do perigo.

Seja ele maior, ou menor, uma situação pode ser aceitável, dependendo do perigo que está sendo enfrentado. Esta atitude é a responsabilidade pessoal que não existe somente em nível pessoal, mas também compartilhada com todos os membros integrantes de um grupo o qual fazemos parte. O mais importante é o indivíduo não pensar que tudo está controlado. Pois aquele que acha que “experiência” basta para conhecimento de algo o qual não possui capacitação:

  • Falha em reconhecer sua própria falta de habilidade
  • Falha em reconhecer as habilidades genuínas em outras pessoas
  • Falha em reconhecer a extensão de sua própria incompetência

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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