Quase metade dos Patrimônios Naturais da Humanidade corre perigo de perder geleiras ate 2100

A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) disponibilizou um comunicado à imprensa afirmando que as geleiras de quase metade dos lugares considerados Patrimônios Naturais da Humanidade irão desaparecer até 2100, se as emissões de gases continuarem nos níveis atuais. Esta foi a conclusão do estudo feito pela IUCN, uma organização civil dedicada à conservação da natureza, com sede na Suíça.

A missão da UICN é influenciar, encorajar e auxiliar sociedades do mundo inteiro para a conservação da natureza e assegurar que todo e qualquer uso dos recursos naturais seja equitativo e ecologicamente sustentável.

Com o título de “Disappearing World Heritage glaciers as a keystone of nature conservation in a changing climate” (Desaparecendo as geleiras do Patrimônio Mundial como peça chave da conservação da natureza com mudanças climáticas), combinou diversos dados disponibilizados por inventários e mediu a progressão do degelo e o aumento dos níveis de poluição no mundo.

Os autores do estudo chegaram a conclusão de que acontecerá uma extinção das geleiras até o ano 2100, caso o atual cenário de emissão de gases em 21 dos 46 locais considerados Patrimônios Naturais da Humanidade. Mesmo sob um cenário de baixas emissões, 8 dos 46 locais considerados Patrimônio Mundial estarão sem as geleiras até 2100. O estudo também estima que 33% a 60% do volume total de gelo presente em 2017 estaria perdido até 2100.

Várias paisagens icônicas encontradas em locais consideradas Patrimônios Naturais da Humanidade serão afetadas por este aumento gradativo das temperaturas. O Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina, que contém algumas das maiores geleiras da Terra perderia até 2100 aproximadamente 60% do volume atual do Perito Moreno.

O estudo completo, publicado na revista Earth’s Future, pode ser acessado aqui.

There is one comment

  1. Guilherme Tomaschewski Netto

    O IPCC também vem publicando relatórios periódicos com este tema à algum anos, e o cenário é triste. Estamos num período interglacial com uma influência muito grande do homem no processo de aquecimento global, isso é inegável. Pesquisas no mundo inteiro apontam para isto. Além da perda das geleiras como um patrimônio natural, os impactos no equilíbrio climático serão bastante grandes. Geleiras são como sensores naturais ao que acontece no clima, mais ainda servem como refletores de parte da energia recebida do sol, logo seu derretimento tem um efeito de retroalimentação positiva no aquecimento. O maior aporte de água doce oriunda das geleiras tem uma influência importante no nível médio de oceanos e na sua salinidade. Trabalho junto a um grupo de pesquisa em glaciologia aqui no Rio Grande do Sul e monitoramos geleiras no sul da Patagonia, Terra do Fogo e Antártida e nossas pesquisas corroboram com os resultados do artigo citado. Parabéns à Revista pela divulgação do tema, é de suma importância que este resultados venha a público para que a opinião pública posso sensibilizar os governantes para o tema. Neste repositório temos um pouco do nosso trabalho: netto.ufpel.edu.br/aws

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