Como otimizar o uso dos botijões de gás em fogareiros

Para cozinhar em um camping existem duas opções:

  • Fazer uma fogueira
  • Utilizar um fogareiro

A primeira opção pode acarretar em incêndios em áreas preservadas, sendo que é pouco indicada esta prática em período de seca. Alguns lugares da Patagônia proibiram o uso deste tipo de prática durante o verão. O mais indicado, portanto, é saber utilizar um fogareiro apropriado para a sua atividade. Para saber quais os tipos de fogareiros existentes, confira o artigo completo de como escolher um fogareiro.

No Brasil a opção de uso de fogareiros com botijão a gás é a mais popular. Por não existir locais com altitude que superem 5.500 metros acima do nível do mar, o uso de fogareiros com combustíveis líquidos, como Nafta (também é conhecido comumente como “gasolina branca”), não é comum no Brasil e em vários locais do mundo.

O modelo mais comum, utilizado pela grande maioria, e o de botijão de Isobutano, que possui melhor rendimento em altitudes elevadas que seu “irmão” butano. Não é um produto indicado para baixas temperaturas (abaixo de -5ºC) e deve ser usado em montanhas com altitudes abaixo de 4.000 metros.

Uso de botijão a gás

O botijão que é largamente utilizado nos fogões residenciais é o de 13 kg (P-13). Já para pequenos comércios, como bares, restaurantes, farmácias e condomínios, o utilizado é o de 45 kg (P-45). O gás comercializado nestes botijões é o GLP (gás liquefeito de petróleo). O GLP é um dos subprodutos do petróleo como a gasolina, diesel e os óleos lubrificantes, sendo retirado através de refino. O GLP é formado por vários hidrocarbonetos sendo os principais o propano e o butano.

Portanto, ao menos em teoria, em um botijão de gás comercial (aqueles que são utilizados na sua casa) há o mesmo tipo de gás (butano + propano) que no pequeno botijão vendido para a sua casa. Por ser o botijão de fogareiro muito mais fino e leve que os comerciais, ele está a sujeito à ação do tempo, como o frio e calor.

Um valor a ser considerado é que um dos gases que fazem parte do botijão, o propano, possui maior resistência ao frio (congela quando exposto a -30°C) que o butano (congela quando exposto a 0ºC). Como os botijões são uma espécie de mistura entre Propano e Butano, recomenda-se que o fogareiro a gás não deve ser usado em temperaturas muito frias. Uma solução paliativa quanto a isso é procurar por botijões que tenham uma proporção de propano maior que o butano.

Otimizando fogareiros

Para entender o funcionamento do fogareiro é preciso ter uma pequena noção física: pressão. Um botijão, com capacidade completa, contém em seu interior cerca de 85% de GLP em estado liquefeito e 15% em estado vapor. O gás liquefeito se vaporiza à medida que o botijão se esvazia. Para passar do estado líquido ao vapor, o gás precisa “ganhar calor” do ambiente. Por isso, se um botijão fornece mais gás que sua capacidade de vaporização, tende a esfriar (podendo chegar à formação de gelo no corpo do botijão). À medida que o botijão se torna mais frio, sua capacidade de fornecer GLP em estado de vapor diminui.

Portanto, durante o uso, que depende da vaporização do gás, é necessário preocupar-se com a pressão interna do botijão. O imprescindível é que a pressão interna seja maior que a externa. Em outras palavras é que se o botijão estiver gelado, sua pressão interna irá diminuir e o seu conteúdo não irá evaporar. Não evaporando não há chama.

Quem se preocupa com o rendimento dos botijões de gás de fogareiros deve estar atento com a temperatura externa. Por isso, na hipótese da temperatura externa estiver próximo dos 0º (+ ou – 1ºC), a potência da chama é perdida fazendo com que o aparelho deixe de funcionar.

  • 1 – Mantenha sempre os botijões protegidos do frio

A explicação é quase um corolário da explicação acima. Parece até evidente demais, mas quanto mais abrigados nas mochilas os botijões estiverem, melhor sairá o gás. Portanto durante campings em locais frios, os cartuchos devem estar dentro do saco de dormir, ou mesmo envolto em um cachecol de lã.

Este cuidado faz com que o botijão tenha o mínimo de contato possível com o meio ambiente que está frio.

  • 2 – Não deixe o botijão em contato direto com o chão

Utilizar o fogareiro em contato com o solo (seja ele terra, lama ou mesmo rocha sólida) é uma ideia ruim e que irá afetar o rendimento do fogareiro. O mais recomendavel é que o coloque em uma superfície que não esteja fria. Uma boa prática é possuir uma folha de “jogo americano”, preferencialmente de madeira ou bambu, para que não haja contato com nenhuma superfície que irá esfriá-lo.

Algumas marcas oferecem a venda de suportes de botijões de camping, como uma espécie de tripé. Este equipamento também provê estabilidade ao conjunto (fogareiro+botijão).

Alguns modelos mais modernos, há alguns fogareiros que possuem mangueiras que colocam o botijão invertido, otimizando mais ainda a saída de gás e minimizando o contato do botijão com o solo.

 

3 – Barreira contra o vento

Um outro fator que pode interferir no rendimento do fogareiro é o vento. Por mais fraco que seja, ele irá afetar tanto a chama, quanto a temperatura externa do botijão. Por isso procure fazer uma pequena barreira para seu fogareiro antes de o utilizar. Quem é campista mais experiente, procura sempre fazer ma barreia com pedras para minimizar a ação do vento.

Algumas marcas de produtos outdoor vendem uma espécie de cortininha de metal que protege tanto botijão quanto chama da ação do vento.

4 – Sempre deixe tampada

No momento que comprar um botijão de gás, o equipamento vem com uma pequena tampa. Procure não a perder. Sempre que estiver carregando dentro da mochila, guarde seu botijão tampado com ela. Procure também guardar o botijão, logo após o uso, desmontado.

Evite deixar longos períodos de tempo o fogareiro e botijões montados. O ato de montar e desmontar muito seguidamente também colabora para perder uma pequena quantidade de gás que poderia fazer a diferença ao cozinhar.

Argentina de nascimento e brasileira de coração, é apaixonada pela Patagônia e Serra da Mantiqueira.
Entusiasta de escalada, trekking e camping.
Tem como formação e profissão designer de produto e desenvolve produtos para esportes de natureza.

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