Os riscos da projeção – Aprenda a escolher seus projetos

Ter Projetos? ou não ter projetos?

Essa é a pergunta para atleta da The North Face, Paige Claassen.

Escaladora em tempo integral, Claassen muitas vezes encontra-se entre a difícil decisão de ir ao limite em um projeto ou, entrar em vias menos desafiadoras.

Claassen compartilha como ela se prepara mentalmente para uma viagem de escalada, e da algumas dicas úteis sobre como pesar os riscos de projeção.

Foto: Christine Bailey Speed

Foto: Christine Bailey Speed

Ao planejar uma viagem de escalada, dinheiro e tempo são sempre fatores a considerar, mas eu também devo decidir: qual o meu foco para a escalada?

Eu poderia conhecer todos os setores de um pico, escalando vias dentro da minha zona de conforto, ou eu poderia enfrentar uma via específica dentro ou acima do meu limite.

Vale a pena gastar toda a minha viagem em um só projeto?

Se eu mandar meu projeto, então, o dinheiro, tempo e esforços foram investimentos que valeram a pena.

Mas por outro lado, e se eu não me sair bem?

E se eu passar toda a minha viagem malhando apenas uma via, e no final falhar?

Agora que viajo para escalar em tempo integral, este dilema vem ocorrendo freqüentemente.

Tenho sorte de passar a maior parte dos meus dias escalando em várias rochas, mas a escolha, no entanto, me assombra. Posso voltar para casa com uma longa lista de memórias; momentos que foram divertidos, mas que facilmente demandaram um pouco de esforço e não saciaram minha sede para um desafio maior.

Ou, poderia me dedicar inteiramente a uma via, atravessando a inevitável montanha-russa da emoção, confiança, progressão, afastamento, antecipação, nervosismo, agressividade, incerteza e depois… o quê?

Christine Bailey Speed

Christine Bailey Speed

Enquanto a fantasia rola na minha cabeça, canalizo toda minha energia e motivação para uma última tentativa.

Luto até em cima e clipo as costuras numa mistura de alegria, exaustão e alívio. Mas a realidade é que nós não ganhamos toda vez.

Então, qual é a satisfação de passar todo o meu tempo em uma via?

Recentemente enfrentei essa questão em Nevada. Passei os últimos dois meses de escalada em Las Vegas. Originalmente prefiro desfrutar de uma oferta mais seleta de escalada: alguns boulderes agradaveis no arenito, praticar um pouco a colocação de peças nas fendas amigáveis de Red Rocks, ou a projeção esportiva no calcário.

Infelizmente, desde o início da viagem nos deparamos com temperaturas altas e sequer uma brisa no ar. Em caso de necessidade, o plano evoluiu rapidamente: acordar às 5h para escalada esportiva virou norma.

Condições quentes e pedra afiada, resultado esperado? A soma de calos e pele despelando.

Tive que priorizar, e por isso eu escolhi o objetivo que ofereceu a maior recompensa pessoal no final : Colocar todo o meu esforço na Necessary Evil, uma via histórica e raramente repetida de grau 11b (5.14c) em Virgin River Gorge.

Olhando para trás, é óbvio que deveria ter escolhido vias mais leves; mas o desafio já tinha me tomado, eu estava vidrada! Progredia o suficiente a cada dia, não estava disposta a jogar a toalha.

Continuei lutando, porque sabia que o sucesso era possível.

Mas não consegui. Durante seis semanas, me joguei na Necessary Evil. Preservei minha pele, alimentei meus músculos doloridos, e tentei persuadir a minha confiança até o ponto entre você entender que é capaz, mas precisará lutar duro para ganhar.

Lutei e lutei, me preservei, me nutri, e me persuadi; mas, como as temperaturas subiram, sabia que meus esforços contínuos seriam inúteis.

Não tinha como saber, mas hoje, creio que desperdicei dois meses apostando em uma das zonas mais estranhas da América para nada. Não realizei grandes feitos para contar, me consolei com: “Pelo menos eu escalei todas aquelas outras vias legais também”.

Tudo o que eu fiz foi cair. E cair. E cair.

Mas as coisas não faziam sentido. Isso não estava certo. Esta atitude boba de negatividade não era a Paige que eu conheço. Não, os esforços que realizei valem mais do que o potencial para o bom resultado.

Aprendi sobre mim mesma. Aprendi que para evitar a frustração, eu precisava construir a minha confiança na diversão, vias mais fáceis no final de cada dia de projeção.

Aprendi a valorizar o processo, em vez de apenas o sucesso, aprendi que segurar em calcário babado é o mesmo que treinar com um colete com pesos – sente-se a gravidade mais baixa em dias legais.

Será que eu deveria fazer a escolha de projetar tudo de novo? Definitivamente. Não porque o valor da escalada está em tentar a coisa mais difícil possível, mas porque para mim, o valor da escalada está no risco do fracasso.

Eu sou uma daquelas pessoas que gosta de se sentir frustrada, mas eu sei que se eu não estou frustrada, eu não estou sendo desafiada, e se eu não estou sendo desafiada, eu não estou maximizando o valor do meu dia.

Minha lógica é obscura, eu sei. Um dia completo para mim pode significar a tentativa do meu projeto duas vezes. É isso aí, não há aquecimentos, não há tolerância. Possa ser que eu nem chegue ao cume da via, em vez disso foco em interligar uma série de moves mais difíceis.

Christine Bailey Speed

Christine Bailey Speed

Muitas pessoas diriam que escalar apenas duas vezes em um dia não tem valor integral; mas quando estou tentando meus movimentos mais difíceis, meu corpo é destruído depois de apenas algumas tentativas.

Me despeço da pedra completamente destruída, e muitas vezes necessito de alguns dias de descanso.

Cada um de nós valoriza nossos dias na pedra de forma diferente. Para alguns, perrengar em 16 enfiadas pode ser a realização do dia. Para mim, colocar todo o meu esforço em algumas tentativas para a vitória é a definição de diversão.

Independentemente do número de vias ou graus, a maioria de nós pode concordar em uma coisa: quanto mais duro trabalhamos, mais doce é a recompensa. Às vezes, o risco nem é uma recompensa. Mas eu vou alegremente assumir esse risco.

Então como você decide se quer focar em um projeto ou desfrutar de uma variedade de vias em seu nível?

Se você…

Gosta de acompanhar o seu progresso ao longo de um período de tempo;
Tem muitas atividades no dia de descanso, enquanto seu corpo se reenergiza;
Gosta de analisar detalhes;

Habitualmente acompanha as mudanças de temperatura, a baixa durante a noite, a velocidade do vento, e os níveis de umidade;

Já decidiu que a recompensa vale o risco.

Então a projeção é você!!.

Se você…

Quer escalar todos os dias da sua viagem, em vez de tirar dias de descanso;
Prefere conhecer um pico inteiro;

Valoriza fazer volume em vez de focar em um projeto apenas;

Escala melhor relaxado do que sob pressão;

Quer construir a confiança ou praticar uma nova habilidade.

Então, aproveite tudo o que um pico tem para oferecer e escale o máximo de vias legais que você puder.

A beleza da escalada está em sua diversidade e em seu apelo para um publico diverso.

Enquanto uma pessoa encontra um desafio legal, outro pode achar o mesmo desafio um pesadelo, e vice-versa.

Então, independente do que você escolher, você não vai errar. Apenas avalie suas motivações objetivos e resultados desejados , e assim desfrute suas trips.

Tradução de: http://neverstopexploring.com

mulheres_que_escalam

EscaladorA, engajada na difusão do esporte e na questão de gênero. Carrega uma pitada de brabeza do sangue paraibano! Destoada dos automatismos frágeis, agrada sem deixar de ser ela mesma. Apaixonada pela rocha.. e uma cervejinha, vez ou outra, a alegra também !

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