Origens e tratamentos do medo de altura em esportes de montanha

Um dos sentimentos mais comuns em praticantes de esportes de montanha é o medo. Se for necessário particularizar, seguramente é o medo de altura, também conhecido por acrofobia, embora este sentimento não seja uma fobia propriamente dita.

A diferença é até mesmo sutil: por ser a fobia e medo conceitos relativamente semelhantes, e por isso constantemente confundida tanto em conversas com os amigos, como também na psicologia. Primeiramente é importante especificar os dois:

O medo é uma reação natural, que aumenta a nossa capacidade de atenção e resposta, assim como altera os níveis de adrenalina. Por ser um sentimento natural e saudavel, é importante ter medo.

A fobia é entendida como uma espécie de medo irracional, compreendido e aceitado até pela própria pessoa como sendo desproporcional à realidade, caracterizando como uma reação exagerada. Constantemente é descrita como algo sendo mais forte que si, muitas vezes inevitável e incontrolável.

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Foto: taringa.net

Definida a diferença entre os dois vamos buscar em nossa memória quando nós mesmos, ou amigos próximos, recentemente caminhou, ou escalou, em algum lugar um pouco mais exposto que o norma sentiu-se com um medo paralisante.

Este tipo de medo é muito comum, sobretudo em quem está começando a escalar. Antes de procurar aprender qualquer técnica para controlar este sentimento é necessário entender os verdadeiros motivos que faz alguém sair de si diante deste desconforto.

Origem do medo de altura

A origem do medo de altura é estudada desde o início da década de 1960 e um dos testes mais emblemáticos neste estudo é conhecido como “penhasco visual” (Visual Cliff Experiment).

Este teste consiste em expor dois grupos de bebês a duas situações diferentes. Um primeiro grupo ficou pendurado em carrinhos para desenvolver a percepção do movimento enquanto outro não. Depois disso colocou os dois grupos de bebês se deslocando sobre uma superfície de vidro sobre um buraco, no qual suas mães estava do outro lado chamando-os. O resultado foi que os bebês que haviam recebido o estímulo do movimento (aceleração, inércia e desaceleração) no carrinho durante semanas anteriores tinham mais dificuldades para cruzar. Porém percebeu-se que a mesma dificuldade ocorria com os bebês que já sabiam engatinhar.

Ao final dos 36 bebês avaliados, 27 deles cruzaram a superfície de vidro sem problemas, mas observou-se que alguns engatinharam de forma hesitante. Do total nove deles se recusaram a engatinhar até suas mães.

Ao final do estudo concluiu-se que os bebês nos primeiros meses não têm desenvolvido o medo de altura, e que este sentimento está diretamente relacionado à propriocepção, ou seja, a percepção que o indivíduo tem de seu próprio movimento e que é desenvolvido nos primeiros anos de vida. O medo de altura se desenvolve a partir de experiências prévias e da antecipação do perigo. Por isso não tem motivo deste tipo de sentimento ser um inconveniente.

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Foto: taringa.net

Como superar o medo de altura 

Superar o medo de altura, no caso de que seja um impedimento até para praticar a escalada e esportes de montanha, depende do tipo de pessoa afetada, pois é necessário localizar a origem de experiências prévias  e como estas se transformaram em medos. Por isso para casos crônicos é importante a consulta de um profissional de psicologia ou psiquiatria. Apenas leituras de auto-ajuda, ou conversas com colegas que receitam simpatias, não irá em ajudar em nada.

Importante dizer que a técnica de fazer a pessoa cair várias vezes, e seguidamente, pendurada em uma corda apenas aumenta a dificuldade que a pessoa possui, além de prejudicar de sobremaneira a imagem que o esporte possui. Apelar para tratamento de choque era a maneira com que as pessoas tratavam distúrbios mentais nos anos 1950, e foi deixado de lado pela sua percentagem de ineficácia.

Como qualquer outro medo, o medo de altura é uma atitude defensiva por não perder a vida, por isso que o controle do medo deve ser treinado pouco a pouco. As técnicas de conduzir a pessoa gradativamente a pessoa a uma altura, de maneira progressiva e segura, são fundamentais. Desta forma a pessoa comprova por si mesma que a altura não é necessariamente um perigo constante desde que, claro, a exposição seja feita com segurança sem a intenção de provocar o pânico.

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Foto: muycurioso.net

Para quem possui um medo constante e paralisante em vias de escalada, o melhor tratamento é procurar primeiramente estar seguro em vias de grau baixo e, à medida que se sentir seguro, ir aumentando o grau de dificuldade das vias escaladas. Para vias difíceis, ou seja acima do grau que escala, o mais indicado é ir parando e respirando a cada proteção para ir ganhando a confiança necessária e ir aprimorando a concentração.

Quando o medo já tenha sido convertido em fobia o melhor é consultar um especialista (psiquiatra ou psicologo) pois somente uma pessoa capacitada saberá que tipo de tratamento será mais adequado para cada caso e intensidade de fobia.

Utilizando alguma das técnicas comentadas (como da exposição gradativa) e outras como as cognitivas (relaxamento ou respiração) conseguimos melhorar, e às vezes eliminar, o medo de altura de vários praticantes de esportes de montanha quando em alguma altura da vida desenvolveram um medo exagerado de altura.

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